TRANSPARÊNCIA

RN melhora desempenho em índice de transparência de dados da Covid-19

Por Esdras Marchezan, da agência HiperLab*

O Governo do Rio Grande do Norte melhorou os mecanismos de prestação de informação ao público sobre a situação do estado em relação à pandemia do novo coronavírus e fez a posição do estado subir no ranking da transparência de dados da Covid-19, elaborado pela Open Knowledge Brasil (OKBR). Em levantamento divulgado em 3 de abril pela organização, o Rio Grande do Norte ocupava o 11º lugar entre todos os estados. Na atualização do relatório, divulgado nesta quinta-feira (09), o estado divide o 5º lugar com o Ceará, ambos com 60 pontos de um total de 100.

O Rio Grande do Norte fechou a sexta-feira (10) com 263 casos confirmados da doença, 2.964 pacientes suspeitos e 11 mortes.

Em apenas uma semana, metade dos estados melhorou de alguma forma a disponibilização de dados sobre a pandemia, seja criando novas maneiras de acesso ou incrementando os meios já disponíveis. O levantamento aponta o Rio Grande do Norte como um dos destaques na melhoria do desempenho de transparência.

“A rápida resposta dos estados reforça a importância da definição de parâmetros de qualidade de dados para que os gestores possam orientar suas equipes”, avalia Camille Moura, coordenadora de Advocacy e Pesquisa da OKBR.

O Índice de Transparência da Covid-19 é um indicador sintético composto por três dimensões: Conteúdo, Granularidade e Formato. Por sua vez, cada dimensão é constituída por um conjunto de aspectos avaliados separadamente, aos quais são atribuídos diferentes pesos para a construção da nota final. O Índice é representado em uma escala de 0 a 100, em que 0 é atribuído ao ente menos transparente, e 100 ao mais transparente.

No parâmetro conteúdo, a avaliação leva em conta a disponibilização de dados sobre idade/faixa etária, sexo, status de atendimento, doenças preexistentes, ocupação de leitos, outras doenças respiratórias, testes disponíveis e testes aplicados. No quesito granularidade — que avalia o detalhamento dos dados divulgados pelas autoridades, fornecendo uma camada extra de informação — a pesquisa leva em conta os seguintes indicadores: microdado e localização. Na avaliação do formato em que os dados são apresentados, o levantamento considera os seguintes pontos: visualização, formato aberto, e série histórica.

No parâmetro Conteúdo, o Rio Grande do Norte apresenta a maior deficiência, deixando de informar — segundo a pesquisa, dados sobre internações, doenças preexistentes, ocupação de leitos, outras doenças respiratórias e testes disponíveis. Nos outros dois parâmetros, o estado apresentou melhora nas notas.

Confira a pesquisa completa

O Índice também monitora eventuais retrocessos na disponibilização de dados. Como parte expressiva dos estados ainda publica informações em meio a textos e notas para a imprensa, sem um padrão definido, a pontuação desses entes pode sofrer variações maiores de uma avaliação para a outra, como o caso de Tocantins.

Quem melhorou ? 

Por ter deixado de disponibilizar a base de dados em formato aberto, o Ceará registrou a maior queda no ranking, recuando da 2ª posição para a 5ª.

“Este é um tópico que tem maior peso na avaliação, pois é o formato estruturado e aberto que facilita a realização e automatização de análises”, destaca Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da OKBR. “O estado mudou sua plataforma de publicação e, com isso, notamos a ausência de API e de código aberto, que eram vantagens do modelo anterior”, pontua.

As demais variações negativas foram motivadas por alterações nos conteúdos dos boletins e dos informes epidemiológicos.

Confira o novo ranking da transparência de dados da Covid-19 nos estados

* A Agência HiperLAB é uma ação do Laboratório de Narrativa Hipermídia (HiperLAB), projeto de extensão do curso de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), coordenado pelo Prof. Ms. Esdras Marchezan.

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Jornalista e Professor