CIDADANIA

RN registra 279 mortes neonatais em 2020; maternidade auxilia famílias a superarem luto

Ainda são numerosas as famílias que passam pela perda gestacional ou de um bebê recém-nascido. Por isso, foi criado o Dia Internacional de Sensibilização da Perda Gestacional e Neonatal, lembrado em 15 de outubro. Em 2020, o país registrou 16.716 e o Rio Grande do Norte, 279 mortes neonatais, ou seja, até um mês após o nascimento do bebê.

No estado, o número tem diminuído lentamente. Em 2019, foram 286 e no ano anterior, 308, de acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal, da Secretaria de Vigilância em Saúde. Em 2017, foram 290. E o dado ainda preliminar de 2021 chega a 92.

A mortalidade neonatal passou a ser o principal componente da mortalidade infantil em termos proporcionais a partir do final da década de 80, e representa entre 60% e 70% da mortalidade infantil no país.

Quanto aos abortos espontâneos, estima-se que a prevalência da perda varia entre 15 a 20% das gestações. Segundo projeções internacionais, o Brasil se encontra numa faixa intermediária de taxa de mortalidade fetal de 5 a 15 a cada 1 mil nascimentos.

“A perda de um bebê durante a gestação ou logo após o seu nascimento geralmente representa um fato marcante na vida de um casal, podendo ser constituído por momentos traumatizantes, lembrados em uma próxima gestação”, explica a assistente social da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), Gildeci Pinheiro.

A unidade de saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vinculada à Rede Ebserh, dispõe de uma equipe multidisciplinar que atua diretamente na atenção integral à mulher diante da perda gestacional e neonatal.

O Grupo de Perda Gestacional criado em outubro de 2016 e constituído por profissionais de saúde, estudantes de graduação e pós-graduação interessados na temática, promove encontros periódicos com a participação de mulheres atendidas pela Maternidade e seus familiares. A intenção é promover o cuidado integral à mulher, com vistas à adaptação da nova realidade. Atualmente, os encontros são realizados virtualmente, devido a pandemia.

Laisa Sabino, mãe do Davi, que partiu com nove dias de nascido, é uma das mães que fazem parte do grupo. Para ela, o filho continuará fazendo parte da família. “Davi viveu pouco tempo entre nós, mas nos deixou um amor infinito e uma saudade eterna, nunca deixará de ser lembrado e amado, pois filho é único e insubstituível”, relata.

“A escuta compassiva e o apoio no processo de luto são divisores de águas que permite que essas pessoas vivam dia após dia sabendo que existe com quem contar e que a dor delas não é menor ou menos importante”, afirma a psicóloga Caroline Lemos. “Mostrar aos casais que as emoções como tristeza, frustração e choque precisam ser vivenciadas e até são esperadas diante desta perda”, completa.

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