ENTREVISTA

RN tem déficit de aproximadamente 7 mil cisternas, aponta Articulação do Semiárido Brasileiro

O governo Bolsonaro desmontou o Programa de Cisternas de tal modo que o Rio Grande do Norte não teve nenhuma instalada em 2021, acumulando um déficit de aproximadamente 7 mil atualmente. De acordo com a coordenadora potiguar da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana Carlos Dantas, quase nenhuma foi construída durante os três anos do mandato presidencial em todo o semiárido, que compreende os nove estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais.

As cisternas são reservatórios de água de chuva que permitem a milhares de famílias a passagem pelo período de estiagem. “A cisterna tem a capacidade de descentralizar a água, de ter um reservatório com água de chuva em cada casa do semiárido”, explicou Ivi Aliana foi a entrevistada do Balbúrdia nesta quarta-feira (8).

“O Programa de cisternas nasce da necessidade de construir uma política diferente do que se fez ao longo da história no Brasil, que foi de combate à seca. A história é contada a partir do combate à seca e a história brasileira é contada a partir da mazela do Nordeste. A ASA e diversos movimentos constroem um novo olhar para a região”, detalhou.

Saiba Mais: Governo Bolsonaro desmonta Programa e RN fica sem novas cisternas em 2021

Isso aconteceu em 1999, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso e foi ganhando força, graças ao seu poder de transformação social, segundo Ivi, que é engenheira agrônoma. Em 2005, essa política passa a ter dotação orçamentária e se expande no Rio Grande do Norte. São cerca de 79 mil.

“Desde 2015/ 2016, desde o golpe, essa política vem sendo desabilitada”, ressaltou a especialista, apontando para o agravamento no atual governo.

De acordo com a representante da ASA, as cisternas são capazes de transformar as famílias, mas ainda mais as mulheres, porque elas são historicamente as responsáveis pela água do uso doméstico da casa: “Eram as mulheres que precisavam sair com lata d’água na cabeça, puxando carroça pra levar pra dentro de água, que gerenciava quantos baldes de água precisava levar pra lavar e cozinhar”.

Tenho sede

Sem política de governo para esse tipo de ação, a ASA, que reúne mais de 3 mil organizações, lançou a campanha de arrecadação “Tenho Sede” para continuar levando cisternas a famílias que precisa.

A intenção é mobilizar recursos financeiros para a construção de mais um milhão de cisternas de placas no Semiárido, com base numa estimativa levantada pelo próprio Governo Federal, em 2019. As doações podem ser feitas pela internet no site www.tenhosede.org.br.

“A campanha não tem a finalidade de substituir a responsabilidade da política pública”, alerta a Ivi. “A responsabilidade da política de convivência com o semiárido é o governo, o Estado. Porém, frente a esse abandono, é necessário que a sociedade se mobilize. É importante que essa campanha surge nesse momento, inclusive para dar visibilidade a essa situação de descaso e desamparo”.

Confira o Programa Balbúrdia:

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais