TRANSPARÊNCIA

RN tem maior taxa de transmissão de covid do país, de acordo com pesquisa da PUC-Rio

O Covid Analytics, portal de monitoramento da pandemia criado por um grupo de professores da PUC-Rio, aponta o Rio Grande do Norte como o estado que tem a maior taxa de transmissibilidade (Rt) da doença no país.

A Rt do RN nesta sexta-feira (26) é de 1.49, de acordo com a análise. Isso significa que 100 pessoas infectadas transmitem a doença para 149 em média. O Ceará é o segundo colocado nesse ranking, com taxa de 1.24, seguido de Roraima, com 1.14.

O índice é conhecido a partir de um cálculo feito com os dados diários dos boletins epidemiológicos das unidades federativas.

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN) Rodrigo Silva explica que quando taxa de transmissão está acima de 1 significa que a pandemia está “em certo nível descontrolada”.

De acordo com o cientista, o estado vive patamar estável após quatro meses de crescimento dos números, ocasionado por uma série de eventos: campanha eleitoral, festas de final de ano, veraneio e Carnaval.

“O Rt acima de 1 é ruim, mas ainda é controlável. É preciso que o poder público tenha atitude agora pra evitar que chegue a valores maiores. Quando ele chega a 2, a gente tem uma progressão geométrica de casos. A cada doente, duas pessoas se contaminam, então começa a dobrar o número de doentes”, alerta Rodrigo.

Na opinião do LAIS, é preciso rever as medidas e a fiscalização nos ambientes que promovem aglomerações, como parques, escolas shoppings e comércio em geral, promovendo ao menos redução de horários em alguns setores.

Rodrigo Silva destaca também espaços em que a aglomeração não é ‘consciente’, como praias e ainda o transporte público: “É importantíssimo resolver a questão do transporte público. Temos hoje uma frota reduzida sendo que todo comércio está liberado. Reduz a oferta e aumenta a demanda”.

Divergência nos dados

O Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), responsável pela plataforma Coronavírus RN, utiliza uma metodologia diferente da usada pelo Covid Analytics para medir a transmissão da doença. Por essa razão, a taxa local considerada é um pouco menor que a Analytics, de 1.13, tendo flutuado nas últimas semanas próximo a 1, poucas vezes ficando acima disso.

De acordo com o pesquisador Rodrigo Silva, alguns estudiosos consideram para esse cálculo o dia do resultado dos exames. O LAIS procura investigar a provável data de infecção quando possível ou o dia do aparecimento dos sintomas – mesma metodologia adotada pelo Imperial College de Londres.

“O dia que a pessoa se contaminou é de fato o dia que a transmissibilidade importava mais. Então a gente sempre tenta olhar, a partir dos dados que a Sesap disponibiliza, para a data que a pessoa ficou doente ou se essa data não foi informada, a data que a pessoa teve o primeiro sintoma”, detalha Rodrigo Silva, esclarecendo que não é exatamente errado o outro método, mas sim um pouco mais impreciso.

“Quando se compara os boletins diários considera-se os resultados dos exames, que podem ter atrasado. Esse é o grande problema dos números da covid”.

Para fundamentar seu posicionamento, Rodrigo apresenta o gráfico que mostra a evolução da doença e que tem dois grandes erros, um valor negativo, apontando que no dia 12 de agosto houve 1.399 casos negativos e um pico de 8.341 novos casos, no dia 15 de fevereiro.

Fonte: Covid Analytics

A baixa no gráfico se deu, segundo ele, porque naquele momento o Ministério da Saúde fez uma correção de um dado equivocado publicado no dia anterior. Já a subida expressiva desse mês se deu porque a Sesap não divulgou os novos casos durante o final de semana do Carnaval, gerando grande acúmulo no resultado de mais de três dias.

“Segundo esses dados do grupo, tivemos mais de 8 mil novos casos. Nosso recorde foi em 1º de junho de 2020 com 1.392 casos. Acredito que nenhum estado cresceu tanto em um único dia, e temos também um valor negativo, que é impossível”, salientou, ao destacar que não é demérito dos pesquisadores: “eles estão observando os boletins”.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais