ENTREVISTA

RN tem um dos gabinetes do ódio mais organizados do país, aposta Natália Bonavides

O Rio Grande do Norte, é um dos principais alvos dos gabinetes do ódio bolsonaristas, segundo a deputada federal, Natália Bonavides (PT), que integra a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News e também sofre constantes ataques virtuais. O mais recente, quando protocolou projeto de lei que muda o Código Civil para garantir que pessoas LGBTQIA+ não sofram discriminação na hora do casamento.

A deputada conversou sobre o tema no Programa Balbúrdia desta quinta-feira (9), destacando que o chamado “gabinete do ódio” passou a se reproduzir em vários estados. No Rio Grande do Norte – não tem dúvida – há um dos principais, sobretudo por causa da figura da governadora Fátima Bezerra, única mulher à frente de um estado brasileiro, mas também por ser território de disputa de dois ministros.

“A gente tem dois ministros, dois sabotadores da República, Rogério Marinho e Fábio Faria, que por acaso é o ministro das Comunicações e tem uma proximidade muito grande com esse núcleo do governo, que pensa essa estratégia. A soma disso tudo faz com que aqui no Rio Grande do Norte tenha um dos gabinetes do ódio mais organizados. Fátima é vítima de fake news e ataques baixos, rasteiros, cotidianamente”, conta, ao lembrar que algumas dessas mentiras nem chegam àqueles de outros campos políticos. “Eles se organizam não só em blogs, em postagem aberto do Facebook. É um submundo que é montado, muito difícil de rastrear, no WhatsApp, no Telegram”.

Financiamento alto

Segundo a deputada é preciso ter em mente que a repercussão não é apenas a espontânea, feita pelas pessoas que não gostam da governadora, por exemplo. A disseminação de informações falsas é financiada e orquestrada.

Ela conta que ao interrogar os representantes e ex-funcionários das empresas de disparos em massa, a CPMI das Fake News encontrou salas com muitos computadores, cada um com vários celulares ligados, além de caixas grandes cheias de chips telefônicos.

“O quanto interfere eu não sei a agente pode medir, mas o que eu sei é que capitalista não rasga dinheiro e as estruturas com as quais a gente se deparou são caríssimas. Tem um investimento feito aí. Realmente foi montada uma organização criminosa, no sentido jurídico do termo, com um núcleo político que dá as ordens, identificam os alvos a serem escrachados e dizem quais são as pautas. Tem o núcleo operativo, que produz o conteúdo, que reverbera aquilo. E tem o núcleo financeiro, que são os empresários bolsonaristas que bancam”.

De acordo com Bonavides, a CPMI identificou um gabinete do ódio instalado no Palácio do Planalto, com uso de IP do gabinete de Eduardo Bolsonaro, dentro da Câmara, gerindo alguns sites de fakes news.

Veja o Programa Balbúrdia completo:

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais