CULTURA

Roda de samba no Beco da Lama vira patrimônio imaterial de Natal

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Vem do Beco da Lama, reduto boêmio de Natal (RN), o mais novo patrimônio imaterial do Rio Grande do Norte. A Câmara Municipal aprovou no apagar das luzes da quarta-feira (11) o projeto da vereadora Divaneide Basílio (PT) que concede o título à roda de samba “Quinta que te quero samba”, que nasceu há mais de 10 anos, com o nome de “Quinta viva do Samba” e acontece religiosamente sempre às quintas-feiras em frente ao bar da Nazaré, na rua coronel Cascudo, Cidade Alta. Não por acaso, a homenagem é concedida no mês em que é celebrado o Dia Nacional do Samba.

O projeto aprovado pelos vereadores vai à sanção do prefeito de Natal Álvaro Dias (MDB).

Atualmente, quem comanda a roda é o grupo Batuque de um Povo, mas já passaram por lá bandas como “Arquivo Vivo” e “Brisas do Tempo”.

Patrimônio imaterial é o conjunto de bens que têm valor mas não têm preço, porque não são negociáveis. Reúne conhecimentos, práticas e modos de vida e de expressão, e também lugares.

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O PL tinha o objetivo de também chamar a atenção da sociedade para o movimento de rua que acontece semanalmente no Centro, onde centenas de pessoas, de todas as idades, classes sociais e orientações de gênero cantam e dançam ao som do grupo Batuque de um Povo.

 Divaneide Basílio estava emocionada após a aprovação, por unanimidade, do projeto:

– Estou além de emocionada e feliz por saber que estamos contribuindo com a valorização da cultura de Natal. Cada vez mais o samba se fortalece e afirma suas raízes em vários lugares. Natal também tem esse símbolo, sobretudo no centro da Cidade que acolhe e resiste com a cultura viva, tornando cada vez mais central tern o seu reconhecimento como destaque”, afirmou.

Batuque de um povo com a vereadora de Natal Divaneide Basílio (PT). (Foto: divulgação)

A parlamentar do PT fez uma ligação entre o projeto aprovado na área cultural com o debate sobre o Plano Diretor de Natal, travado na Casa. E reafirmou que homenagear uma roda de samba como patrimônio imaterial é fincar um marco de resistência do povo negro na cultura potiguar:

– Nesse momento que revisamos o Plano Diretor e que celebramos 420 anos de Natal, reconhecer nossos patrimônios e ter no Centro da Cidade, expressões como o samba que realçam essa área que deve ser valorizada como área de interesse cultural, nos dá a certeza que ter a “Quinta que te quero Samba” como patrimônio imaterial é ter mais um marco na cultura potiguar e de resistência do povo negro”, destacou.

Na época em que projeto foi protocolado, o compositor e percussionista Carlos Britto, um dos líderes do Batuque de um Povo, destacou a importância do projeto para os músicos:

– Há mais de 10 anos que a gente faz isso na rua, então isso faz parte da minha vida. A importância que tem aquilo ali pra gente é enorme. O que a gente passa, o que a gente enfrenta, as próprias proibições que houve, às vezes ter que tirar do bolso pra quitar estrutura, nosso som, passar o chapéu… a quinta-feira é uma das coisas mais importantes da nossa vida, por tudo o que a gente tem passado”, disse.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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