DEMOCRACIA

Rogério Marinho atropela Fábio Faria e assume posto de porta-voz do bolsonarismo no RN

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse que está aproveitando as férias para articular um nome para candidato ao Governo do RN e praticamente assumiu a candidatura ao Senado Federal. As duas estratégias políticas estão embasadas na defesa do que chamou ‘’legado” do bolsonarismo no RN. “O presidente precisa, sim, de ajuda no Senado para defender seu legado. E essa possibilidade está no meu radar”, disse o ministro durante entrevista, nesta quarta-feira (14), ao jornalista Diógenes Dantas na rádio 96 FM.

Rogério não adiantou qual o nome que está articulando para concorrer ao Governo do Estado, mas disse que esse anúncio deve ocorrer ainda neste mês de julho. “Não serei o candidato ao Governo”, enfatizou ele, mas confirmou que está conversando com amigos de grupo político para formar uma chapa que disputará com Fátima Bezerra.

A liderança da bandeira bolsonarista no Estado é uma disputa acirrada entre os ministros Rogério Marinho e Fábio Faria (das Comunicações). Os dois tentam agradar o Presidente e, assim, conseguir o apoio da ‘máquina financeira’ do Governo Federal. Nos últimos meses, essa disputa por espaço vem sendo noticiada pela imprensa local e nacional, mostrando que o ministro Rogério Marinho, inclusive, privilegia o RN quando libera verbas para os estados.

Na outra ponta, o ministro Fábio Faria, depois de longos períodos sem visitar o RN, vem acelerando a agenda no Rio Grande do Norte para tentar viabilizar o nome nas disputas de 2022. A ideia é conseguir a ajuda da máquina federal para disputar senado ou governo do Estado, liberando, assim, a vaga de deputado federal (que hoje ocupa) para o pai, o ex-governador Robinson Faria.

Nessa disputa entre os dois ministros do RN no Governo Bolsonaro, Rogério Marinho vem aparecendo mais articulado, e a candidatura ao Senado já soma o apoio do prefeito de Natal, Álvaro Dias, e do presidente da ALRN, Ezequiel Ferreira de Souza que já declararam o apoio em entrevistas publicadas ao jornal Tribuna do Norte.

Resta a Fábio Faria, então, uma desconfortável disputa a vice-presidente na chapa com Jair Bolsonaro, que vem caindo nas intenções de voto em sucessivas pesquisas anunciadas nas últimas semanas e também nunca acenou publicamente que o potiguar seria uma possibilidade na composição da chapa de reeleição. A briga é negada pelos dois ministros, mas eles sabem que disputam a atenção restrita do mesmo universo político – os votos do RN – para se manterem vivos no cenário político/administrativo.

Lembrando que o capital eleitoral dos dois ministros está em baixa. Rogério Marinho não conseguiu se reeleger deputado (após liderar a reforma trabalhista). Ele obteve 59.961 votos e ficou na suplência, mesmo sendo o 2º candidato que mais gastou na campanha, de acordo com dados oficiais do TSE.

Já Fábio Faria, a reboque da ausência do Estado e do desempenho administrativo do pai à frente do Governo do RN, foi reeleito com uma das menores votações da bancada federal do RN. Obteve o apoio de 70.350 eleitores, menos da metade dos 166.427 votos que conquistou em 2014, quando foi o terceiro candidato mais votado.

Sem a tranquilidade do capital eleitoral, os dois precisam mais que nunca da ajuda da ‘máquina’ financeira Federal para sobreviver na política. E nessa corrida, Rogério Marinho vem conquistando vantagens.

Alinhamento político de Rogério
Na entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (14), Rogério Marinho mostrou bem o alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro. Criticou duramente o ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, por ter ido defender o foto eletrônico no Congresso Nacional. “O que Barroso fez é indecoroso”. Também chamou a CPI da Covid de circo e criticou duramente o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) e o presidente do processo, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Todas essas opiniões em total consonância ao discurso de Jair Bolsonaro. Eis as principais frases do ministro ao longo da entrevista:

Sobre Luís Roberto Barroso (TSE), que defendeu o voto eletrônico
“Houve uma interferência indevida de um poder sobre o outro. O que o ministro Barros fez é impensável numa democracia. O que o ministro Barroso fez é indecoroso. Como ministro do STF saiu da posição em que estava como árbitro, juiz magistrado e entrou na briga política. Foi ao Congresso Nacional trabalhar contra uma ação. Infelizmente, hoje, as pessoas que vão julgar, principalmente os altos magistrados, estão dando entrevistas sobre o que vão julgar. Mostram opiniões políticas e interferem no processo do legislativo e executivo. E isso é muito complicado no processo democrático”

Sobre Renan Calheiros, relator da CPI da Covid
A CPI tem um relator, o eminente senador Renan Calheiros, que tem 18 processos no STF e está dando lição de moral no Brasil, e a Globo está dizendo que ele é a ‘síntese da moralidade brasileira”

Sobre Omar Aziz – presidente da CPI da Covid
“Nós temos um presidente da CPI que teve a sua família presa por corrupção, o Omar , que é acusado de pedofilia. Ele constrange as pessoas que vão lá. Ficou um arremedo um circo, uma comédia”.

Sobre Jair Bolsonaro – Presidente da República
“É um patriota, que acredita no Brasil, tem espírito público. Mas é uma pessoa simples. Usa uma linguagem que choca, porque fala a mesma linguagem do povo. Ele defende a família, as cores verde e amarela, valores, fala em Deus em religião. E isso, por incrivel que pareça, choca muita gente. Hoje, vivemos na ditadura do politicamente correto. Não há nada demais a defender os valores conservadores e nossas tradições”.

Sobre o trabalho do Governo Bolsonaro
“A economia está muito forte, mas o povo está sofrendo. Estamos pagando o preço do nosso próprio sucesso”

 

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