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Rubem Novaes defende privatização do Banco do Brasil em reunião no Congresso

“O Banco do Brasil, apesar de ser extremamente eficiente, ter um pessoal extremamente qualificado e dedicado, concorre com os outros bancos com bolas de chumbo amarradas aos pés”. A afirmativa é do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, que nesta segunda-feira (8), participou de reunião com parlamentares da comissão do Congresso que acompanha as ações econômicas relacionadas à pandemia de coronavírus.

Para Novaes, a competição será ainda mais acirrada nos próximos anos. “A minha dúvida é se, com as amarras que nós temos do setor público, vamos ter velocidade de transformação que nos permita uma adaptação a esse novo mundo. Eu sinceramente desconfio que não”, disse.

Além de defender a privatização do banco, o presidente do BB causou polêmica ao afirmar que há uma dificuldade dos bancos em se interessarem pelo crédito para o pequeno empresário neste momento. “Não é uma demanda saudável. É a demanda dos desesperados. Não é uma demanda para produzir, não é uma demanda para vender, não é uma demanda para investir.”

Suas posições enfrentaram a discordância de parlamentares, como o deputado Reginaldo Lopes, do PT-MG, que ressaltou o papel do Banco do Brasil para o desenvolvimento econômico do país. “Evidente, ele não pode ter uma lógica só de ter lucros”, afirmou.

Para o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), é estranho que Novaes tenha defendido a privatização do banco depois de destacar todos os títulos que a instituição recebeu, como o de “Banco Mais Inovador da América Latina”, concedido pela revista Global Finance.

Apesar de não estar alinhadas às falas dos parlamentares, as declarações do presidente do Banco encontram respaldo na do Ministro da Economia, Paulo Guedes, que na reunião ministerial do dia 22 de abril criticou a dificuldade para definir políticas na instituição, que tem capital misto, e disse que era “caso pronto de privatização”.

O ministro também defendeu o uso de recursos públicos para salvar grandes companhias e justificou que “vamos ganhar dinheiro” com a decisão.

Empréstimos

Novaes ainda disse que os bancos buscam rentabilidade, e clientes que não pagaram as dívidas contraídas há menos de 5 anos não terão acesso a crédito novo no BB, mesmo na excepcionalidade da pandemia. Novaes explicou que os bancos buscam a rentabilidade.

“O custo de atingir o pequeno geralmente não compensa para o sistema bancário. O banco passa a ter outras atividades que o remuneram melhor. Se tem uma atividade com menor atratividade, o banco vai buscar aquilo que lhe interessa mais fazer, é natural”, afirmou.

Com produção e vendas paradas em razão da quarentena para conter a pandemia do coronavírus, pequenas e médias empresas estão enfrentando dificuldades para acessar linhas de crédito e evitar fechar as portas de vez.

O Governo anunciou programas de crédito para pequenas empresas, incluindo capital de giro e para financiamento de folha de pagamentos – mas as empresas não conseguem acessar.

Com informações da Agência Câmara

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