CIDADANIA

#SalveNatal: ativistas criam coletivo para alertar população sobre os perigos do novo Plano Diretor da cidade

O coletivo Salve Natal produziu uma cartilha com informações sobre o plano diretor de Natal. O material tem por intuito esclarecer a população os impactos acarretados com a aprovação da revisão do PDN. Com linguagem didática e de fácil compreensão, a cartilha Plano Diretor para Iniciantes traz informações como contextualização da proposta, comparativo com prédios existentes e uma proposta de plano ideal sugerida pelo coletivo.

Além da cartilha, o movimento atua com outras formas de conscientização sobre as propostas atuais. As redes sociais se tornaram ferramenta chave de divulgação. O coletivo recebeu apoio de pessoas influentes na capital, como a atriz potiguar Alice Carvalho.

Formado por ativistas, estudantes, professores, profissionais liberais, moradores de Natal e especialistas na área de urbanismo, o coletivo Salve Natal lançou ainda um abaixo-assinado contra continuidade do processo de revisão ao plano diretor no município em período de pandemia.

O movimento tem como premissa dois aspectos: a democracia e garantia da participação social. A luta é por amplificar a voz da população desfavorecida com a aprovação da revisão do Plano Diretor, assim como garantir o exercício de cidadania aos que, devido ao processo ser virtual em decorrência do coronavírus, não possuem acesso à internet para expressar sua opinião.

O abaixo-assinado, que até o fechamento desta matéria já contava com mais de 20 mil assinaturas, também busca mostrar à Prefeitura a quantidade de pessoas que discordam da proposta que prevê, entre outras alterações, a mudança no gabarito para facilitar a construção de prédios inclusive em áreas de preservação ambiental, além de autorização para a construção de edifícios à beira-mar.

Quem desejar fazer parte da ação, poderá acessar o abaixo-assinado na plataforma change.org.

Salve Natal promove campanhas de conscientização da revisão plano diretor em Natal (Arte: Ariel Guerra / Charge: Ivan Cabral)

Exclusão social é um dos principais problemas no processo de revisão do PDN, avaliam ativistas

Pautado em uma composição plural, o coletivo Salve Natal possui uma heterogeneidade de perfis compondo sua estrutura. Todavia, se unem com um mesmo objetivo: traduzir à população, de forma prática, os termos técnicos utilizados na solicitação de revisão do plano diretor, como a cartilha divulgada.

“É uma forma de traduzir os termos utilizados. Além de analisar e mostrar como aquilo vai refletir na sociedade, incluindo as questões naturais”, afirmou o advogado, doutorando em filosofia política e ativista do Salve Natal, Lucas Santos Bullio.

O problema da inclusão social nas atividades administrativas do município é debatido intensamente pelo coletivo. Visando a população prejudicada com a aprovação do novo plano, eles sentem a necessidade de expor os momentos em que as vozes dessas pessoas não são levadas em consideração. Para Érica Guimarães, ativista na causa desde 2017, o principal problema é o difícil acesso:

“Há um problema de processo, por ser pouco inclusivo, e há a questão do conteúdo com difícil compreensão nos resultados”, afirmou a doutoranda em estudos urbanos e regionais pela UFRN.

Ao relatar situações anteriores, os arquitetos e ativistas do Salve Natal, Saulo Cavalcante e Manuela Carvalho, expuseram como principal problema a exclusão social de pessoas com menos condições financeiras. Como exemplo, relataram que no processo de votação popular quanto à revisão da proposta do Plano Diretor, um documento obrigatório para ter êxito seria o comprovante de residência, impedindo pessoas em situação de rua opinar sobre o que acredita ser melhor para a cidade.

“Para realizar a participação e votar na proposta a pessoa deveria possuir um comprovante de residência, caso contrário ela não poderia participar. Isso exclui, por exemplo, pessoas que moram nas ruas falarem o que acham melhor para a sua cidade”, afirmaram Saulo e Manuela.

Outro ponto pautado pelo coletivo tem relação com as questões ambientais. De acordo com a pós-doutoranda em Ecologia e membro do coletivo Marília Lion, é necessário que seja feito um plano diretor que considere as mudanças climáticas na capital para que não haja impactos à orla das praias.

“O abastecimento de água potável no nosso município pode ser comprometido com a aprovação da atual proposta! Natal, por ser uma cidade litorânea, é especialmente vulnerável às alterações climáticas que vivenciamos. Esse fato científico foi ignorado na atual proposta, o que pode ocasionar grave prejuízo ao nosso município em um futuro próximo. Defendemos que a modernização do nosso Plano Diretor deve considerar os cenários de mudanças climáticas, que afetam diretamente nossa orla”, declarou.

Para acompanhar todas as ações do coletivo, basta seguir o perfil no Instagram @salvenatal

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo
Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.