CIDADANIA

São Gonçalo do Amarante, no RN, está entre os 10 municípios mais violentos do Brasil

Os 10 municípios com as maiores taxas de mortes violentas por habitantes no Brasil estão no Nordeste. Entre eles, São Gonçalo do Amarante, região Metropolitana de Natal, Rio Grande do Norte, em 9ª posição, com 71,4 mortes por 100 mil moradores. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, publicado nesta quinta-feira (15).

O ranking inclui apenas os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e é referente aos registros de 2020. Caucaia, na Grande Fortaleza, Ceará, liderou no ano passado com maior taxa de mortalidade do país: 98,8. No Brasil, a taxa de mortes violentas foi de 23,6.

Os municípios que aparecem em seguida são Cabo de Santo Agostinho (PE), com taxa de 90; Feria de Santana (BA), 89,9; Simões Filho (BA), 89,8; Maranguape (CE), 79; Maracanaú (CE), 78,4; Santo Antônio de Jesus (BA), 76,2; Camaçari (BA), 75,9; o município potiguar; e Nossa Senhora do socorro (SE), com 68,4.

A taxa do Rio Grande do Norte foi de 38, fazendo com que o estado ocupe o 18º lugar.

As mortes violentas intencionais, pelo critério do relatório, são a soma dos homicídios dolosos (83% do total da categoria e que subiram 5,3%), dos latrocínios, das lesões corporais seguidas de morte, dos feminicídios (que teve pequena redução no Rio Grande do Norte) e das mortes decorrentes de intervenção policial.

Violência volta a crescer no RN

Em 2020, o RN apresentou crescimento no número desses crimes em comparação com 2019. Foram 1.344 contra 1.264. Apesar disso, os números são inferiores aos anos anteriores. Em 2018, foram 1.926 mortes; em 2017, 2.355 (seguindo a alta nacional); em 2016, 1.659; e em 2015, 1.659.

O anuário mostra que após o Brasil ter atingido o ápice de Mortes Violentas Intencionais – MVI em 2017, quando a taxa chegou a 30,9 para cada grupo de 100 mil habitantes, os anos de 2018 e 2019 foram marcados por reduções sucessivas dessas mortes. Entretanto, em 2020, a tendência de queda foi revertida e houve um crescimento de 4% em relação ao ano anterior.

O levantamento expõe que “no ano passado, o país não só teve que conviver com a dor das milhares de mortes por covid-19, mas com a retomada do crescimento das MVI”. E o perfil da maioria das vítimas continua sendo homens (91%), negros (76%) e jovens (54%).

Por outro lado, o isolamento pode ser um dos motivos da queda de crimes patrimoniais. Houve redução de 27% no roubo de veículos e a estabelecimentos comerciais, de 17% nos roubos a residências, de 36% a transeuntes e de 25% de carga.

Mais armas, mais mortes

Uma das eventuais causas do aumento de mortes violentas é o aumento de número de armas de fogo circulando no país, incentivada pelo governo Bolsonaro. O Brasil dobrou o número de armas nas mãos de civis em apenas três anos, de acordo com dados do Anuário Brasileiro.

Segundo a Polícia Federal, em 2017, o Sistema Nacional de Armas (Sinarm) contabilizava 637.972 registros de armas ativos. Ao final de 2020, o número subiu para 1.279.491 – um aumento de mais de 100%.

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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