TRANSPARÊNCIA

Se fosse um país, Natal teria o segundo pior índice de mortes por covid-19 no mundo

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado quarta-feira (21) pela Secretaria de Estado de Saúde Pública, Natal já registrou 26.356 casos confirmados e 1.061 óbitos por covid-19. Se fosse um país, a capital do Rio Grande do Norte teria o segundo pior índice no mundo de mortes pela doença, levando em conta a proporção de óbitos para cada um milhão de habitantes. De acordo com o site World o Meters, que realiza o comparativo de casos e óbitos de covid-19 entre vários países do mundo, Natal só perderia em número de mortes para San Marino, um pequeno país europeu cercado pela Itália que tinha, também até a quarta, 774 casos e 42 mortes provocadas pela covid-19. San Marino é o país que aparece na pior posição no ranking internacional.

Os números ficam ainda mais evidentes quando fazemos a projeção de óbitos por milhão de habitantes. Enquanto Natal teria 1.201 óbitos, San Marino teria 1.237 mortes.

“É preciso observar onde está Natal e o Rio Grande do Norte no contexto dos números mundiais. Se Natal fosse um país, estaria na segunda pior posição no ranking internacional e só seríamos superados em número de óbitos por San Marino. O pequeno país tem 33 mil habitantes e teve 42 óbitos. Já Natal com seus quase 900.000 habitantes conta hoje 1.061. As populações pequenas podem apresentar indicadores ruins unicamente porque o numerador populacional é pequeno. Quanto maior a população mais fiel é o indicador”, explica o epidemiologista da Sesap, Ion de Andrade.

O gráfico abaixo ilustra as posições do Rio Grande do Norte com e sem Natal, além de apresentar a capital potiguar isoladamente, comparada com o Brasil e suas Regiões, além de alguns países do mundo.

População
Natal: 884. 122 habitantes
San Marino: 33 mil habitantes

Casos de Covid-19 por 100 mil habitantes (até 21.10.20)
Natal: 2.981
San Marino: 2.362

Casos de Covid-19 para cada 1 milhão de habitantes (até 21.10.20)
Natal: 29.810
San Marino: 23.621

Mortes por Covid-19 (até 21.10.20)
Natal: 1.061
San Marino: 42

Mortes por Covid-19 para cada 1 milhão de habitantes (até 21.10.20)
Natal: 1.201
San Marino: 1.230

Covid-19 no Rio Grande do Norte

Desde agosto, o número de casos de covid-19 no estado deixou de cair. Há meses o Rio Grande do Norte se encontra em um platô no qual os números não descem, nem sobem. No entanto, com a reabertura e retorno das atividades econômicas, as pessoas estão muito mais expostas hoje do que no início da pandemia, quando foi decretado o isolamento social, de acordo com o epidemiologista Ion de Andrade:

A epidemia caiu só até meados de agosto e a partir daí manteve estabilidade contínua em número de casos e óbitos. No entanto, esse é um dado precário porque é um equilíbrio de forças que desconhecemos. Por outro lado, o número de leitos ocupados vem diminuindo, essa é uma informação importante porque no caso de óbitos e casos novos, é possível que não tenhamos todos os diagnósticos, já o número de leitos é um dado preciso. Há estabilidade com viés de baixa, mas esses números podem ser modificados a qualquer momento”, explicou.

Para o epidemiologista, em relação aos casos novos, a situação de Natal hoje é pior do que quando o isolamento social foi decretado:

“A situação é muito pior hoje do que quando o isolamento social foi decretado do ponto de vista de casos novos. Porém, essa avaliação não é totalmente fiável porque os diagnósticos e a disponibilidade de testes também aumentaram. Poderíamos nos perguntar se há maior número de casos ou se estamos fazendo mais diagnósticos. As pessoas estão mais sujeitas a contágio hoje do que em maio. Isso, por si só, desaconselharia a exposição desnecessária, a sair sem máscara e ir pra barzinho, porque esse comportamento pode produzir, como já está produzindo na Europa, uma explosão de casos daqui a dez ou 15 dias. As pessoas não deveriam correr os riscos que estão correndo”, aconselha.

Segunda onda

Desde que uma segunda onda de contaminação por Covid-19 começou a ganhar força em alguns países, principalmente na Europa, a preocupação que o mesmo aconteça por aqui ligou o sinal de alerta. A exceção, talvez, seja para aqueles que desdenham dos riscos.

“Nós não temos uma áurea de impermeabilidade ao vírus que só exista no Brasil e na Europa não. O que acontece em toda parte, do ponto de vista da transmissão da doença, é comum a todos. A segunda onda da Europa precisa ser compreendida. Por exemplo, eles estão indo para o inverno, isso é um fator? Tem um papel? Nós estamos indo para o verão, isso influencia? Essas diferenças não nos isentam porque se a segunda onda não acontecer agora e tiver relacionada com a sazonalidade do inverno, daqui a mais quatro ou cinco meses nós estaremos nela! Portanto, o que está acontecendo na Europa, sim, nos interessa e sim, poderia estar acontecendo aqui. Eles têm condições materiais até superiores às nossas pra enfrentar a doença, como alfabetização e inclusão social. No entanto, estão aí com milhares de casos todos os dias. Ninguém pode bobear porque a situação da Europa pode se replicar aqui e talvez não tenha acontecido ainda por um fator puramente sazonal ligado ao clima”, adverte Ion.

 

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1 Comment

  1. Estatisticamente, a comparação entre cidades, estados e países não é adequada, pois a distribuição dos casos não é homogênea no espaço (os países e estados tem maior variação no adensamento populacional que as cidades). Como sugestão (estatística), a jornalista poderia comparar a mortalidade entre cidades. Por exemplo, qual é a mortalidade de cidades como Nova Iorque, Paris, Bruxelas, São Paulo?

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