TRANSPARÊNCIA

Secretário de Saúde de Natal culpa Governo Bolsonaro por falta da 2ª dose da Coronavac

Durante reunião na Câmara Municipal de Natal, na tarde desta quinta (22), em formato híbrido com a presença física de alguns vereadores e do secretário de Saúde de Natal, George Antunes, foi traçado um panorama geral das medidas adotadas durante a pandemia da covid-19. O encontro também contou com a participação virtual do secretário de Saúde do Estado, Cipriano Maia.

George Antunes atribuiu os problemas na vacinação da capital, com falta da 2ª dose da Coronavac, ao Governo Federal e pediu o fim dos desentendimentos entre Estado e Prefeitura de Natal.

“Natal deve receber 2.110 doses da Coronavac para a D2. Isso só daria para aplicação de um dia. Também recebemos alguns frascos que vieram com menos doses do que a capacidade do frasco e não sabemos de isso foi contabilizado por dose ou frascos. Então quero pedir o fim dessa briga porque o culpado é um só: o governo federal”, apontou.

Antunes também disse não ser a favor de que estados e municípios comprem vacinas porque essa é uma obrigação do Governo Federal. A iniciativa, segundo o secretário de Saúde de Natal, poderia abrir brecha para transferência de responsabilidades sem que haja a correspondente transferência de recursos. Segundo George Antunes, desde outubro de 2020, a Prefeitura de Natal não recebe repasses do governo federal, apesar de todo o crescimento com a demanda financeira com o setor da saúde durante a pandemia da covid-19.

Kit Covid

Outro ponto abordado durante a reunião foi sobre a existência de um tratamento “precoce” para a covid-19. Os estudos científicos apontam que não há tratamento ou remédio que possa evitar ou diminuir os efeitos da covid-19 no organismo, mas a prefeitura de Natal tem defendido, desde o início da pandemia, o uso de remédio indicado para tratamento de piolho e verminoses.

George Antunes defendeu a autonomia do médico para receitar a medicação que achasse conveniente, inclusive, para o que ele denominou de “tratamento precoce”.

“Quero pedir a vocês a gentileza que quando eu falar em tratamento precoce, esqueçam a cloroquina e ivermectina. Nós estamos falando de abordagem precoce, todos sabem que a premissa para o sucesso de um tratamento é o diagnóstico e tratamento precoce e autonomia de receitar é do médico. Temos um composto de 15 medicamentos: ambroxol, azitromicina, amoxicilina, captopril, cloroquina, dexclorfeniramina, dipirona, ivermectina, oseltamivir, paracetamol, predinizona, hidroclorotiazida e loratadina. Tínhamos medo que o paciente saísse de lá, sem dar continuidade do tratamento”, justificou Antunes para explicar que os remédios não eram distribuídos, mas entregues aos pacientes apenas após consulta médica.

Kit Intubação

Segundo Cipriano Maia, o Rio Grande do Norte tem uma das situações mais confortáveis diante do cenário nacional, com estoque para alguns dias. Mesmo assim, o titular da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) reforça que a situação é preocupante porque o consumo tem aumentado nos últimos dias por causa do alto número de pacientes internados. Assim, o estoque que já chegou a ser suficiente para um mês, não passa de alguns dias, atualmente.

Ainda de acordo com o titular da Sesap, durante o último final de semana, a Secretaria recebeu do Ministério da Saúde uma quota de insumos para intubação suficiente para três dias. Cipriano destacou, ainda, que tem ocorrido alta de preços dos insumos e a não entrega do material por alguns fornecedores em todo o país.

“Rio de Janeiro e Minas Gerais, que estão no centro de produção, não têm reserva nem pra um dia. Então, não podemos garantir que não vai faltar. Fizemos planejamento para hospitais da rede estadual, mas temos recebido apelos dos municípios todos os dias e temos liberado para vários municípios como Natal, Mossoró e São Gonçalo, dentro dos limites dos nossos estoques. Só mais recentemente tivemos respostas mais satisfatórias do Ministério da Saúde, mas a distribuição é à conta gotas e George sabe disso, ontem mesmo ele pediu e nós liberamos. Temos reserva para um curto prazo, mas se não recebermos, não vamos conseguir nos manter”, alertou Cipriano Maia.

Ao responder questionamentos relacionados à falta de hospitais de campanha do Governo Estadual, Cipriano Maia destacou que o RN tem leitos em todas as regiões do estado, alternativa adotada à construção de um único hospital de Campanha que seria desmontado ao final da pandemia. Com isso, segundo o titular da Sesap, seria possível manter a estrutura dos leitos criados para tratamento de pacientes com covid, mesmo após a pandemia. Em consonância com o secretário de Saúde do município, Cipriano também reclamou da falta de repasses do governo federal.

O único recurso de habilitação de leitos é de R$ 31 milhões, enquanto a despesa estimada é de R$ 133 milhões. O Estado está tendo que abrir créditos extraordinários para garantir funcionamento de leitos, mas sem previsão de receita. Então, se já começamos numa situação difícil, com pagamento de fornecedores atrasados, a situação se agrava com a falta de repasses“, destacou Cipriano Maia.

Imagem: reprodução redes sociais
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