OPINIÃO

Segunda-feira eu começo

Conversando recentemente com uma pessoa querida sobre a necessidade de retomar a forma física e lidar com as dores nas costas e pernas, falei que começaria a correr à guisa de exercício na próxima segunda-feira, dia 14, ou seja, hoje. “Todo mundo sempre fala essa frase, segunda-feira eu começo”, ouvi, como resposta bem humorada. Verdade verdadeira, como diz o bordão. Elegemos a segunda-feira como dia ideal de iniciar uma nova atividade e/ou projeto, ainda que sem uma razão especial para isso.

Na verdade, talvez esta prática sirva para dourarmos a pílula da procrastinação, um dos males do século. E algo tão presente em nossas vidas. Quem nunca procrastinou, adiou, “empurrou com a barriga” uma decisão, um plano, um projeto, uma iniciativa?

E essa prática vai desde coisas importantes, até do aspecto emocional, até as coisas mais banais. Tenho casais amigos que vem procrastinando inevitáveis separações conjugais, tão dolorosas quanto necessárias. E tenho gente conhecida que diz há um ano que precisa comprar uma frigideira nova. Procrastinar não escolhe profissão, classe social, ideologia… é algo inerente a qualquer ser humano.

No meu caso, tenho consciência que consigo realizar coisas de maior porte enquanto adio ou negligencio coisas simples, banais mesmo. No mesmo ano que consegui lançar livro em São Paulo não consegui trocar o chuveiro, projeto banal e barato que idealizei em janeiro. Consigo escrever e publicar um livro em um semestre e no mesmo período não consigo marcar um dentista para ajeitar a obturação que caiu.

Nesta cultura seletiva de procrastinação minha, tenho consciência dos meus erros e limitações e o maior deles talvez esteja justamente na indisciplina quanto a exercícios físicos. Eu, que costumo ser autodisciplinado em quase todas as áreas da minha vida, não consigo correr em volta da quadra por dois dias seguidos, mesmo planejando e fazendo acordos comigo mesmo.

E a curiosidade é que estes planos sempre começam com a programação “na próxima segunda-feira”. Seja na terça, ou seja, o projeto começará seis dias depois, ou na noite de domingo, a ação a ser realizada será na mítica segunda-feira. Talvez porque selecionando um dia chave, esperemos, no subconsciente, claro que nesta tal segunda algo aconteça e sejamos impedidos de realizar a ação por uma força externa. E se na segunda-feira chover? E se uma queda no sinal do wifi impedir a remessa daquele material? E se justamente na segunda o consultório médico não funcionar? E se um meteoro cair sobre a Terra na segunda?

Eu, por exemplo, acabei marcando agendas de trabalho na tarde e à noite desta segunda-feira, o que, evidentemente, impedirá que eu comece os exercícios a quem me propus. Ah, bem que eu poderia começar amanhã, terça, ou na quarta.  Bobagem. Não se começa uma resolução em outro dia que não segunda. Não sei porque. Talvez dê azar. Ou seja contra a cultura nossa de procrastinação. Por falar nisso, a ideia para o próximo texto deste Saiba Mais já tenho na cabeça. Bem que poderia escrever amanhã ou quarta ou quinta. Mas, deixa para lá. Segunda que vem eu começo.

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