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Segundo homem acusado de espancar quilombola em Portalegre é preso

O servidor público de Viçosa André Barbosa se entregou nesta terça-feira (21) à polícia civil de Pau dos Ferros após a Justiça autorizar o cumprimento do mandado de prisão preventiva contra ele ainda na sexta-feira (17). Ele é acusado de participar do espancamento do quilombola Francisco Luciano Simplício, em 11 de setembro, em Portalegre.

André era considerado foragido pela polícia há quatro dias, mas resolveu se entregar hoje. O comerciante Alberan Freitas, preso preventivamente na sexta, foi solto 24 horas depois da prisão após audiência de custódia. Há a expectativa de que a juíza Mônica Andrade, a mesma que determinou a prisão da dupla, conceda o mesmo benefício a Barbosa, com base no pedido do Ministério Público Estadual, que não vê necessidade para a prisão dos dois acusados em razão dos dois terem “bons antecedentes”.

Segundo a vítima, André Barbosa o segurou para que Alberan pegasse a corda com a qual foi amarrado e depois ainda lhe deu um chute nos órgãos genitais.

O caso está sendo investigado pelos delegados Inácio Rodrigues e Cristiano Zandronzn, que devem concluir o inquérito em até 10 dias e veem indícios de crime de tortura.

André Barbosa é servidor público em Viçosa, distante 10 km de Portalegre / foto: cedida

Tortura

As agressões contra Luciano Simplício aconteceram no início da tarde de sábado, em Portalegre. De origem quilombola, a vítima é dependente de álcool e, na ocasião, pediu uma dose de cachaça e um pedaço de carne a Alberan, que fazia um churrasco com amigos em frente de casa. Segundo Luciano, o agressor disse que não daria “cachaça a vagabundo” e correu atrás dele com uma faca.

O quilombola admitiu que atirou uma pedra contra a porta do estabelecimento do agressor e correu até ser pego, amarrado pelos pés e mãos, jogado no chão e espancado. Um vídeo feito por uma das pessoas que acompanhavam a cena viralizou nas redes sociais:

– Durou mais de uma hora. Ele (o agressor) subiu minha camisa e ficou dando (golpes de corda) em mim. Me arrastou pela corda. Passei dois dias com o olho roxo. Eu virava, e ele me batia. Foram chutes, socos, pisões nas costas… Muitas vezes. Não lembro quantas – contou Luciano.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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