DEMOCRACIA

Selma Arruda chama major Olímpio de “galinha choca” e pede a senador do RN cargo de secretária de Segurança à beira mar

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A ex-juiza e senadora Selma Arruda (Podemos) anunciou num grupo de whatsApp onde estão vários senadores da República defensores da operação Lava Jato que vai abandonar a política após ter o mandato cassado por 6 votos a 1 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conhecida como “Moro de saias”, Selma se apresentava durante a campanha eleitoral de 2018 como “a senadora de Bolsonaro”. Ela foi condenada na terça-feira (11) por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha do ano passado.

Num áudio de 6 minutos e 42 segundos, Selma Arruda se diz vítima de um suposto plano que teria sido articulado para impedir que o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol entrem para a política:

“Toda guerra tem baixas. Que Deus abençoe e que eu seja a baixa dessa guerra. É uma batalha só. Vocês tem muito mais coisas para fazer pela frente e eu vou estar sempre torcendo por todos vocês. Eu sei que eu sou o exemplo que eles querem dar para Sérgio Moro e Dallagnol para não ousarem entrar para política. Me disseram isso, inclusive, os dois ministros que vem da advocacia, disseram que os ministros em geral não têm simpatia pelas pessoas que saem da Justiça e vão para a política. Portanto a gente sabe que o que aconteceu comigo foi um recado para o Moro”, disse em tom de desabafo.

Pelo áudio da ex-juiz e senador cassada, é possível identificar alguns senadores que fazem parte do grupo, entre eles Jorge Kajuru (Cidadania/GO), Major Olímpio (PSL/SP), Álvaro Dias (Solidaridade/PR), Styvenson Valentim (Podemos/RN), Eduardo Girão (Podemos/CE) e Soraya Thronicke (PSL/MS).

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Demonstrando muita mágoa com o resultado do julgamento no TSE, a senadora cassada diz que espera que o exemplo dela sirva para os demais colegas:

“Que o meu exemplo sirva para todos vocês de que quando a gente pensa que quando tem uma democracia, que quando a gente pensa que tem um sistema correto a gente está se fudendo”, afirma, antes de enaltecer o voto do ministro Edson Fachin, único dos ministros do TSE que se posicionou contra a cassação do mandato da parlamentar do Mato Grosso:

“O voto do Fachin lavou a minha alma. A única pessoa que leu esse processo. Graças a Deus não foi nenhum corrupto, graças a Deus foi um ministro decente”, disse.

Antes de agradecer nominalmente a alguns senadores do grupo, Selma diz que sai do parlamento com a cabeça erguida e afirma que a decisão de deixar a política está tomada e não tem mais volta:

 “Estou saindo de cabeça erguida, estou saindo com a consciência tranquila que eu tentei. Se não deu, pessoal, foda-se. A gente sabe que alguém tem que sair fora dessa história. Fui eu, beleza, né? Tô ligada, não vou mais para a política, mas nem que a vaca tussa. Não contem comigo para mais nada nessa política. Agora vou aproveitar minha aposentadoria, como deveria ter feito antes, agora vou entregar os pontos, mas não sem a consciência tranquila de ter tentado”, disse.

Galinha choca e trabalho à beira-mar

Nos agradecimentos pessoais a alguns senadores, Selma Arruda demonstra intimidade com colegas. Ela chama o major Olímpio de “galinha choca” em razão da proteção dada a ela pelo parlamentar paulista assim que chegou ao Senado.

“Meu querido e eterno líder major Olímpio, que me protegeu, assim como a Soraya, foi uma galinha choca que nos abraçou”, disse.

Também chamou a atenção um recado ao senador eleito pelo Rio Grande do Norte Styvenson Valentim. Ela agradeceu o carinho do parlamentar potiguar e diz que espera ser a secretária de Segurança do Rio Grande do Norte tão logo Valentim seja eleito governador do Estado:

– Meu lindo, querido, querido amado irmão Styvenson que me faz rir, que manda vídeo, que manda áudio, que eleva meu astral, pessoal mais linda do coração enorme, gigante, esse caba… eu vou ser sua secretária de segurança hein, meu moço ? Você vai ser o governador daquele Rio Grande do Norte. Eu quero ser secretária de segurança na beira do mar, eu quero a secretaria montada naquele marzão”, afirma.

Embora tenha avisado aos colegas que abandonará a política, a senadora Selma Arruda ainda pode recorrer da decisão.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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