DEMOCRACIA

Sem direção, Bolsonaro pensa eleitoralmente e ignora vidas, avalia Lula

Juízo, responsabilidade e humanidade. Combinação proposta pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para salvar o Brasil da crise gerada pelo novo Coronavírus. Em vídeo gravado na noite desta quarta-feira (25), ao lado do ex-ministro Fernando Haddad, o petista criticou o comportamento de Jair Bolsonaro de tratar a crise como histeria e não se preocupar com a vida das pessoas.

“Para minha surpresa o presidente aparece na televisão de forma intempestiva, fazendo uma guerra política contra a sociedade, contra os governadores e prefeitos, que estão tentando acatar as orientações dadas pelo próprio Ministério da Saúde”, afirmou Lula.

Menos de um mês depois da confirmação do primeiro caso de Coronavírus no Brasil, a Covid-19 já deixa um rastro de 57 mortes no país, onde ao menos 2.433 pessoas já foram diagnosticados com a doença. Ainda assim, o chefe de uma nação de 209 milhões de pessoas insiste em gastar energia na disputa política com prováveis adversários políticos.

“Fico imaginando se esse seria o papel de um presidente da República?”, questionou o ex-presidente ao falar que o cenário exige agilidade e habilidade política do governo brasileiro em adotar medidas preventivas a partir da experiência de outros países e não minimizar os seus efeitos.

Governo isolado

Enquanto a população se fecha em suas casas para tentar ajudar na contenção do novo Coronavírus em todos os estados do país, o presidente Jair Bolsonaro fica cada vez mais isolado politicamente. Lideranças do Congresso Nacional, o vice-presidente Hamilton Mourão, representantes do Judiciário, governadores, prefeitos, entidades médicas e até parte da cúpula militar marcaram distância da conduta do mandatário na crise.

Para Lula, Bolsonaro dá demonstração de que “não está preparado para conduzir o país”. E criticou a insistência em se espelhar na fala do presidente americano Donald Trump em minimizar a disseminação da doença e defender o fim do isolamento social para salvar a economia.

“Os Estados Unidos pode se transformar no novo epicentro do coronavírus por irresponsabilidade do presidente Trump que quis transformar a pandemia numa guerra contra a China”, disse.

Renda Mínima

O ex-presidente defendeu a ampliação do investimento público. “A gente não tem que ficar regateando dinheiro para combater esse mal (…) Como se o Guedes fosse dono do dinheiro. Você pode utilizar recursos e ao mesmo tempo fazer investimento na economia, pode pegar uma parte das reservas internacionais que nós temos, transformar em reais e fazer grandes investimentos em infra-estrutura para dinamizar a economia brasileira. Não é incompatível. Você pode pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Acontece que esse governo não pensa nada.”

 Ele aponta que o problema é que o governo Bolsonaro nunca fez questão de pensar em toda a sociedade brasileira. “Ele foi eleito pensando numa parcela da sociedade e tenta governar dando respostas a uma pequena parcela da população. Sempre com um discurso raivoso contra aqueles que pensam diferente”.

Mas lembra que as eleições acabaram e que Bolsonaro precisa governar para todos, “fazendo suas escolhas preferenciais por aqueles que mais necessitam do papel do Estado”. Lula defendeu a necessidade de garantir uma renda mínima para que as pessoas possam se manter durante esse período de isolamento social.

Para Lula é possível “fazer com que a economia no Brasil funcione sem colocar ninguém em risco no país”. Contudo, é preciso buscar buscado o diálogo e uma ação coordenada em todo o país. “Acho que o Congresso Nacional, os partidos políticos, a sociedade precisam dar um jeito no Bolsonaro.” Para ele, é preciso garantir saúde para “recuperar a democracia” no Brasil.

Contudo, sem bússola, o governo ignora a proteção dos mais pobres. Desde o início da crise do Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro tem batido na tecla de que é necessário blindar a economia. Nos diversos anúncios, a ênfase maior tem sido no socorro às empresas.

Comportamento errático

Nesse sentido, Haddad se referiu ao que considera um “comportamento errático” do atual presidente, que muda suas decisões de um dia para o outro. Citou o exemplo da Medida Provisória 927, que permitia suspensão de contratos e de pagamentos de salários por até quatro meses. Anunciada na calada da noite do domingo (22), a MP teve esse artigo suprimido menos de 24 horas depois.

Para Lula, o presidente assinou sem ler. “Ele não sabia da medida provisória. Ele não leu, assinou e só foi descobrir a bobagem que tinha feito no dia seguinte.” Para o petista, a MP mostrou a “submissão” do ministro da Economia, Paulo Guedes, à Confederação Nacional da Indústria. Ele disse ainda que a medida foi um “passa-moleque” da CNI nos trabalhadores.

O ex-presidente fez ainda um apelo para necessidade em recuperar o humanismo e a solidariedade.

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