DEMOCRACIA

Sem oposição e em campanha na pandemia, Álvaro Dias lidera pesquisa em que 43,6% dos entrevistados não têm candidato ou estão indecisos  

O prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) lidera com 32,5% pesquisa de intenção de voto para as eleições municipais divulgada quinta-feira (2) pelo Instituto Consult. Se o pleito fosse hoje, o atual prefeito venceria no 1º turno, já que o percentual dele é maior que a soma de todos os demais concorrentes que aparecem na pesquisa. Ainda assim, 43,6% ou não tem candidato ou não sabem em quem votar.

A lista incluiu candidatos que já afirmaram que não disputarão o pleito. É o caso, por exemplo, da deputada federal Natália Bonavides (PT), 2ª colocada, com 4,9% das intenções de voto.

Na sequência vem cinco deputados estaduais: Kelps Lima (Solidariedade), com 4,8%; Hermano Moraes (PSB), com 4,3%; Eudiane Macedo (Republicanos), que aparece com 3,1%, Sandro Pimentel (PSOL), com 2,8% das intenções de voto; e coronel Azevedo (PSC), que obteve 2,1%. O professor Carlos Alberto (PV) tem 1,8%.

Sem oposição oficialmente declarada na cidade, Álvaro Dias surfa na pandemia usando ações de combate a Covid-19 para fazer campanha e tenta responsabilizar o Governo do Estado pelas mazelas provocadas pelo novo Coronavírus. A equipe de comunicação do prefeito vem excluindo a logomarca da prefeitura de materiais publicitários, usando o próprio nome de Álvaro Dias, o que fere o princípio constitucional da impessoalidade.

Em quatro meses, Álvaro Dias já inaugurou um hospital de campanha sem funcionar, tentou contratar empresa ligada à própria familia para fornecer mão de obra para trabalhar para a prefeitura, apareceu em propaganda distribuindo cestas básicas na periferia e anunciou a distribuição de 1 milhão de medicamentos sem comprovação científica para o combate a Covid-19.

Especialistas também afirmam que os testes via drive thru realizados pela prefeitura só são indicados a partir do sétimo dia após o surgimento da doença, tempo necessário para que o organismo produza quantidade suficiente de anticorpos. A iniciativa foi acusada de eleitoreira, especialmente porque privilegiou cidadãos que tem carro e exclui os pobres.

A prefeitura de Natal foi uma das únicas do Estado a não aderir ao Pacto pela Vida idealizado pelo Governo do Rio Grande do Norte. O prefeito, inclusive, vem se posicionando contra o isolamento social desde o início da pandemia.

O detalhe é que a principal crítica desferida contra a condução do prefeito em meio à crise foi do próprio secretário municipal de Saúde George Antunes. Ele classificou de “tragédia anunciada” os ricos com a flexibilização das medidas de isolamento social.

“Ele (político) vai ter que escolher de que forma quer perder voto. Se ele quer perder voto diminuindo a flexibilização, ou se quer perder voto sendo responsabilizado pelas mortes que estão acontecendo. Isso é uma opção que ele vai ter que fazer”, pontuou.

Logo após essas declarações Antunes foi chamado por Dias no gabinete da Prefeitura e demitido. Com a repercussão negativa da exoneração, o prefeito voltou atrás e o secretário permaneceu no cargo em silêncio.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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