TRABALHO

Sem repasse do Governo, cooperativa financeira potiguar suspende crédito consignado, mas evita negativar servidor

Em todo o país, a pandemia do novo coronavírus trouxe, além da crise no sistema de saúde, uma crise econômica gerada pela perda de renda de milhares de brasileiros. Esse fator tem levado servidores públicos estaduais a buscarem empréstimos consignados para atravessar a crise financeira.

No entanto, a ausência de repasses do Governo do Rio Grande do Norte levou a cooperativa financeira Sicoob a suspender essa modalidade de crédito. Segundo a instituição financeira, a gestão atual não realiza esses repasses desde janeiro deste ano, fato que se agravou diante da pandemia.

As cooperativas são empreendimentos coletivos da sociedade civil do RN. No caso do Estado, são injetados investimentos que movimentam a economia através da renda dos servidores públicos estaduais, mas sem esse recurso, além dos diversos negócios fechados, o servidor não pode recorrer à ajuda cooperativa.

Para a gerente de Negócios do Sicoob Potiguar, Anacelly de Paula, o governo prejudica os próprios servidores e a economia potiguar. “Através do consignado estadual, a gente fomenta a economia através dos nossos associados, que são servidores estaduais e, assim, injetamos recursos na economia com a liberação desses empréstimos consignados. Sem os repasses do Governo, a cooperativa é penalizada, o cooperado é penalizado e não tem a quem recorrer, pois tivemos que suspender a modalidade”, explica Ana.

No caso do Governo Federal, enxertos financeiros são repassados a grandes bancos, o que não inclui as cooperativas. Ainda sem receber repasses financeiros descontados em folha, na contramão das instituições financeiras tradicionais, o Sicoob é um dos bancos que não tem negativado seus cooperados diante das dívidas.

“Nós acreditamos que a responsabilização não deve ser dos trabalhadores, não foi o sócio que deixou de pagar, mas sim a fonte pagadora. Esse é um momento delicado, poderíamos estar alimentando a cadeia econômica local, pois por exemplo, numa folha de repasse de 450 mil, se incrementa na economia potiguar cerca de R$ 12 milhões”, conta a gerente de negócios.

Além de não poder fornecer a ajuda que os cooperados precisam, o Sicoob também se vê penalizado. “Com a não evolução de liberação de novos créditos, a cooperativa fica com os ativos em declínio e podemos não ter resultados positivos esse ano. Isso não é ruim apenas para nós, mas para os nossos clientes, que na verdade são nossos sócios e participam dos lucros da cooperativa“, diz Anacelly.

A agência Saiba Mais procurou o Governo do Estado para comentar a situação dos consignados, mas não obteve resposta.

Sobre o Sicoob 

Formado por cooperativas de crédito, além de empresas de apoio especializadas, o Sicoob é atualmente o maior sistema financeiro cooperativo do país. Nele, os clientes ou cooperados, fazem parte das decisões e resultados financeiros de forma democrática e cooperativa. O sistema de Cooperativa funciona de forma que o cliente vire um sócio do Sicoob

O Sicoob possui hoje cerca de 2,7 mil pontos de atendimentos, entre caixas eletrônicos, canais digitais e presenciais que oferecem produtos e serviços financeiros práticos e modernos.

A distribuição de resultados é um fator propulsor da economia local, já que o dinheiro passa a girar na própria comunidade local.

 

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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