CIDADANIA

Sem vacina para indígenas, Secretaria de Saúde do RN pede que Ministério da Saúde envie doses no 2º lote

A Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) já encaminhou ao Ministério da Saúde um pedido para que doses da vacina de combate à covid-19 sejam enviadas, também, para a população indígena do estado, que é de 6.067 pessoas, segundo a Secretaria.

Apesar de constarem nos grupos prioritários de vacinação, na primeira remessa da coronavac enviada ao Rio Grande do Norte, os indígenas foram excluídos da imunização pelo Ministério da Saúde porque, de acordo com os critérios do Ministério da Saúde, as vacinas seriam enviadas apenas para locais onde há terras demarcadas.

Isso só mostra a falha do governo federal porque os indígenas que estão em terras em processo de demarcação não têm culpa de suas terras ainda não serem demarcadas. Esse papel de demarcação não compete aos indígenas, mas à União e o próprio Bolsonaro bateu várias vezes no peito para dizer que em seu governo não demarcaria terras indígenas no Brasil. Então, como estaremos no nosso território demarcado, se a União não cumpre seu papel? No Rio Grande do Norte não temos nenhuma terra demarcada. Temos a aldeia de Sagi Trabanda, que está em processo de demarcação territorial e já tem um Grupo Técnico de Trabalho da Funai instituído, mas que está paralisado justamente pela ineficácia do atual presidente da Fundação Nacional do Índio, assim como o presidente da República não autoriza a homologação das terras indígenas em todo o país, o que causa esse entrave no processo de demarcação das terras”, explica o Cacique Dioclécio Mendonça, que faz parte da Articulação dos Povos Indígenas do Rio Grande do Norte.

O estado foi o único do país a não receber vacinas de combate à covid-19 para a população indígena, formada no Rio Grande do Norte por 16 comunidades distribuídas entre nove municípios.

“Desse atual governo não poderíamos esperar menos que isso. Declarou guerra aos povos indígenas do Brasil, é um governo fascista, misógino, que comete o genocídio indígena. A decisão do Ministério da Saúde está embasada, justamente, nessas raízes. Nesse contexto, o estado do Rio Grande do Norte sai ainda mais prejudicado. Antes nós tínhamos o Atendimento Especial da Saúde Indígena, mas com o desmonte da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena, não há mais essa assistência na unidade da Paraíba, o que causou reflexo nesse quantitativo de vacinação. A Sesai informou ao Ministério da Saúde que não havia indígenas aldeados no RN, o que é uma mentira! Somos 16 comunidades indígenas, sendo 15 em aldeamentos. Eu dou como exemplo Santa Teresinha, onde estão mais de 200 famílias indígenas. São mais de 840 pessoas morando na aldeia, assim como o território o território Mendonça, é composto por seis aldeias indígenas localizadas na zona rural. Essa retórica repassada pela Sesai ao MS reforça o preconceito que foi sedimentado por anos por essas unidades que não são inclusivas. O estado do RN vem a reforçar essa questão de que não há indígenas, o Governo do RN também não prioriza a população indígena em suas demandas. Até hoje buscamos a implantação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) no Rio Grande do Norte. Já acionamos o Ministério Público, a 6ª Câmara e a todo momento dialogamos com a Funai com o intuito de que cobre da Sesai a implantação de uma equipe multidisciplinar no estado, porque nossas demandas só seriam superadas na saúde com a implantação de um Dsei”, critica Dioclécio.

Até ontem (21), o Rio Grande do Norte tinha um total de 133.174 casos confirmados e 3.203 óbitos decorrentes de covid-19, sendo quatro nas últimas 24h. As vítimas moravam em Mossoró, Marcelino Vieira, Natal e Caiçara do Rio do Vento. Há, ainda, 73.826 casos suspeitos e 541 mortes sob investigação. O estado também tem 65.811 casos de Síndrome Gripal Não Especificada, casos suspeitos, mas que não tiveram seu diagnóstico confirmado porque não foi possível fazer exame laboratorial.

Na manhã desta sexta (22), havia 253 pacientes internados em leitos críticos (semi-intensivos e de UTI) e a taxa de ocupação era de 62,85%. Já nos leitos clínicos, onde ficam os pacientes menos graves, a taxa de ocupação estava em 55,13% com 312 pacientes internados. Em todo o Rio Grande do Norte, três hospitais estão com 100% de taxa de ocupação; o Hospital Regional Dr Mariano Coelho, em Currais Novos, o Hospital Regional Hélio Morais Marinho, em Apodi, além do Hospital Rio Grande, em Natal. O Giselda Trigueiro, referência em doenças infectocontagiosas, está com 92,3% de ocupação.

 

 

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