DEMOCRACIA, Principal

Servidores da UERN confirmam protesto em convenção do PSD após mudança de local

A convenção do PSD, partido do governador Robinson Faria, vai acontecer domingo (5), a partir das 9h, no auditório do hotel Holiday Inn, ao lado do estádio Arena das Dunas. Durante o evento, a candidatura dele à reeleição será homologada numa coligação que reúne 12 partidos na aliança da chapa majoritária.

Além do PSD, já confirmaram o embarque no projeto PRB, PSDB, PR, PTC, PROS, PTB, PPS, PRP, PMN, PMB e AVANTE.

Marcado anteriormente para o campus da UERN, na Zona Norte de Natal, o local da convenção foi alterado após servidores da universidade confirmarem pelas redes sociais um protesto contra o governador. Apesar da mudança, a manifestação foi mantida e transferida para o novo endereço.

A convenção foi batizada pelo PSD de “Festa da Democracia”. Um detalhe: todos os partidos que apoiam o projeto de reeleição de Robinson apoiaram o afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff e deram sustenção ao governo de Michel Temer.

Além de professores e servidores da universidade estadual, o protesto vai contar com funcionários públicos de outros órgãos do Estado. Os sindicatos dos Professores (Sinte), dos trabalhadores da Saúde (Sindsaúde) e servidores da Administração Indireta (Sinai) já começaram a mobilizar as categorias.

Desde a campanha vitoriosa em 2014, o governador Robinson Faria tentou vender a imagem de um gestor que dialogava e respeitava os servidores públicos. Mas o governo só manteve os salários em dia enquanto conseguiu sacar recursos do Fundo Previdenciário para pagar os aposentados.

A UERN virou um símbolo do desgaste de Robinson com o servidor público. Em três anos e meio de gestão, a universidade ficou parada 9 meses em razão da greve de professores e funcionários.

O estopim da relação traumática da gestão Robinson com os professores da UERN foi a autorização judicial a pedido do governador para que manifestantes fossem retirados à força da secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças (Seplan). A Polícia Militar fez o serviço e usou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para cumprir a ordem.

A presidenta da Associação dos Docentes da UERN Rivânia Moura destaca que, ao contrário do que Robinson disse durante o mandato, a gestão ficará marcada pela falta de respeito e diálogo com os servidores.

– O que nos vivenciamos foi o contrário disso (respeito e diálogo). Vivenciamos ataque à diversos direitos dos trabalhadores. Nossa maior luta foi pela sobrevivência, que era simplesmente receber nosso próprio salário. A marca do Governo para os servidores é péssima.

Já no primeiro ano de governo, os professores e funcionários da UERN paralisaram as atividades por cinco meses, na maior greve da história da universidade. Entre o final de 2017 e início de 2018 foram mais quatro meses sem aula.

Rivânia Moura reclama que, durante esse período, os grevistas não tiveram quase nenhum contato com o chefe do Executivo:

– Mesmo em greve não conseguimos encontrar o governador. A equipe do governo que nos recebia, dizia que não resolvia. A equipe estava lá para isso. Mas quem assumiu o compromisso público de cumprir as demandas dos trabalhadores foi o governador. Agora ele diz que a convenção do PSD é a festa da democracia. Mas de democracia aquilo não tem nada.

Folder do PSD convocando a militância para a “Festa da Democracia”

Robinson é o 3º colocado nas pesquisas e tem a maior rejeição

Se a campanha vitoriosa sobre o então todo-poderoso Henrique Eduardo Alves em 2014 foi classificada como o maior desafio da carreira política de Robinson Faria, a disputa que começa oficialmente a partir de 15 de agosto se desenha como um desafio ainda maior.

O governador vai para a eleição como o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto sendo o candidato mais rejeitado pela população. A pesquisa mais recente divulgada pelo Instituto Certus/Fiern, a senadora Fátima Bezerra aparece na liderança isolada com 29,15%, contra 15,39% de Carlos Eduardo Alves (PDT) e apenas 6,31% de Robinson.

Os índices de reprovação da gestão do atual governador chegam a 80%. Na mesma pesquisa, 35% dos entrevistados disseram que não votam nele de jeito nenhum.

Em contrapartida, o atual governador conseguiu construir a maior aliança, com 12 partidos, incluindo o principal fiador do projeto de reeleição de Robinson, o PSDB, partido do presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza, e do deputado federal Rogério Marinho.

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *