TRABALHO

Servidores da saúde de Natal fazem acordo e encerram paralisação, mas mantêm estado de greve

Os servidores da saúde decidiram suspender a greve na rede municipal da capital potiguar depois de votação em assembleia realizada na manhã desta sexta (13), no acampamento montado em frente à Câmara Municipal de Natal. Apesar de ter encerrado a paralisação, a categoria decidiu manter o estado de greve para observação do cumprimento dos pontos acordados na nova proposta. Caso o acordo não seja respeitado pela Prefeitura e Secretaria de Saúde de Natal (SMS), os profissionais garantem que voltarão a paralisar as atividades.

Além de representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN), também participaram da votação os profissionais ligados ao Sindicato dos Enfermeiros do RN (Sindern), ao Sindicato dos Odontologistas do RN (Soern) e ao Sindicato dos Farmacêuticos do RN (Sinfarn).

Entre os pontos do mais recente acordo apresentado na noite desta quinta (12) pela SMS estão:

  • Tabela atualizada para (Auxiliar de Saúde – 69,66 %; Assistente em Saúde – 62,97%;Técnico em Saúde – 24,77%;  Especialista em Saúde – 9%;
  • Os profissionais do grupo “Assistente em Saúde” detentores de diploma ou certificado expedido por curso técnico, receberão seus vencimentos em conformidade com a tabela de Técnico em Saúde.
  • Será formada uma comissão permanente com um representante de cada Sindicato: Sindsaúde/RN, Sindern, Soern e Sinfarn, além da SMS, SEMAD e a SMG, bem como, da Câmara Municipal através da Comissão de Saúde e Comissão de Direitos Humanos e Trabalho, com o objetivo de tratar da implantação e pagamento retroativo das gratificações, adicionais de insalubridade, adicionais noturnos, atualização de quinquênios, progressões funcionais e revisão do PCCV, cuja data da primeira reunião será até a primeira quinzena de junho.

A categoria pedia a negociação da data-base congelada há oito anos, a implantação do Plano de Cargos e Carreiras, melhores condições de trabalho e o pagamento de gratificações, como quinquênio e adicional noturno.

Foto: Sindsaúde

Na última quarta (11), os servidores da saúde do município levaram um bolo de aniversário à sede da Prefeitura de Natal ironizando a data de aniversário de um mês de greve completado sem maiores avanços na negociação com o prefeito Álvaro Dias (PSDB). A paralisação conta com profissionais da saúde de diferentes setores como odontologia, serviço social, nutrição e psicologia, além da enfermagem.  Com isso, serviços da atenção básica, especializada e de urgência estão sendo afetados.

Além de negociar a data-base, implantar o Plano de Cargos e o pagamento das gratificações, os servidores em greve também querem que a Prefeitura de Natal adote medidas para acabar com o assédio moral nas unidades da saúde resultante, segundo a categoria, do grande número de funcionários não concursados que entram no serviço público por meio de indicações políticas. Outro ponto é a convocação do cadastro reserva do concurso realizado em 2018, que permitiria a ampliação do quadro ativo de servidores.

Tratamento desigual

A direção do Sindsaúde também critica o tratamento desigual dado pelo secretário de Saúde do município, George Antunes, que beneficia uma categoria em detrimento das outras. A denúncia faz referência a negociação iniciada de maneira imediata pela pasta quando os médicos que fazem parte da Cooperativa suspenderam o atendimento SUS em Natal na última quarta (11) por atraso do pagamento.

Casos de dengue crescem mais de 1.500% em Natal

Também nessa última quarta (11), a Prefeitura de Natal anunciou que a capital do RN passa por uma epidemia de dengue com o crescimento de 1.566% no número de casos da doença entre os meses de janeiro e abril deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

Enquanto nos quatro primeiros meses de 2022 foram registrados 2.966 casos de dengue, em 2021, eles não passaram de 192 no mesmo período. Também houve aumento nas notificações de zika e chikungunya. Em Natal, os bairros mais atingidos pelas arboviroses durante o período citado foram Pajuçara, Lagoa Azul e Pitimbu.

Diante da situação de agravamento com aumento dos casos de arboviroses, que são as doenças provocadas pelo mosquito Aedes Aegypti, a SMS instalou um gabinete de crise junto com a Companhia de Serviços Urbanos (Urbana), a Secretaria de Obras e Infraestrutura (Semov), a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).

Casos de arboviroses em Natal:

Dengue (período entre janeiro e abril)

2021: 192

2022: 2.966

Chikungunya (período entre janeiro e abril)

2021: 39 casos

2022: 176 casos

Zika (período entre janeiro e abril)

2021: 13 casos

2022: 9 casos

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