CULTURA

Setor editorial potiguar corre riscos financeiros durante pandemia e pede por iniciativas públicas de incentivo

Na área editorial e livreira, o impacto da pandemia se dá pela impossibilidade da abertura de livrarias e pelo consequente adiamento de lançamentos programados para este ano. Alternativas online são pensadas e criadas para minimizar as consequências de um vírus que tornou o isolamento social necessário, mas outras iniciativas, como a do poder públicos, são necessárias para o setor.

No Rio Grande do Norte, a Cooperativa Cultural da UFRN tem disponibilizado livros para venda remota via delivery e pensado em lançar uma plataforma de vendas online. De acordo com o presidente da cooperativa, Alex Galeno, os funcionários estão sem salário pelo fato da livraria estar fechada.

“As vendas pelo whatsapp são uma novidade, fizemos uma campanha de venda de vouchers, tentamos nos adequar por não poder abrir a loja e a média de venda tem sido boa, recebemos de 15 a 20 pedidos por dia. Vejo que pelo menos pelos pelos próximos três meses continuaremos sem poder abrir e por isso precisamos também de alguma ajuda dos nossos governos”, conta.

Um projeto de lei do senador Jean Paul Prates, altera a Política Nacional do Livro acrescentando a abertura de linhas de crédito para o setor editorial livreiro como, além disso, prevê o financiamento de empréstimos existentes com instituições públicas ou privadas, flexibilização dos requisitos de análise de crédito e período de carência equivalente ao período em que durar o estado de calamidade provocado pela pandemia do novo Coronavírus.

Cooperativa Cultural da UFRN aderiu ao delivery

Sobre a iniciativa, Alex Galeno a considera fundamental para garantir que o setor sobreviva a crise.

“O projeto é fundamental e emergencial, pois garante que pequenas livrarias como a nossa tenham financiamento para dar fôlego e manter as lojas abertas normalmente e serviria para emergências como a que estamos vivendo. Além disso, seriam importantes iniciativas de prefeituras, que compassem exemplares de negócios locais, livrarias, editoras, sebos, para reforçar também que nesse isolamento o tempo livre pode ser ocupado por um livro, instrumento de cidadania e conhecimento”, argumenta Galeno.

Além das livrarias, editoras também tem passado por situações difíceis, já que sem as vendas, não existe produção de novos exemplares. Esse é o caso da editora potiguar Jovens Escribas, que teve suas atividades paralisadas completamente. Segundo o editor Carlos Fialho, a editora já passava por alguns problemas estruturais e financeiros desde 2017. “A gente precisou parar até que as coisas mudem, nossos trabalhos estão atrasados para que a gente possa publicar, quem sabe, quando a pandemia acabar. Interrompemos a reposição de livros nas lojas, que não podem abrir e até nossa loja virtual foi suspensa pois não é seguro enviar livros para outros estados, já que o público local é bem escasso“, conta.

Fialho pensa em começar a empreender em e-books, que podem ser o caminho mais indicado, mas também reforça a importância de iniciativas do setor público. “Talvez essa iniciativa online e de livros digitais possa ser um caminho para nós, porém, já vínhamos à beira do abismo e com a pandemia, demos um passo a frente. O ideal seria que o setor público incentivasse nosso setor através de projetos, compra de livros para escolas, circulação de autores, coisas que deveriam ser feitas antes da pandemia, mas existe uma negligência muito grande no incentivo à leitura”, argumenta Fialho.

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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