OPINIÃO

Sim, o PT tem que fazer autocrítica. E PSDB, eleitores, imprensa, etcs e tais também!

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Fala-se muito e insistentemente que o Partido dos Trabalho deve fazer uma séria autocrítica. O pedido sempre se refere aos erros cometidos durante os 13 anos de Presidência, com Lula e Dilma, e também em relação à postura nas eleições do ano passado e no enfrentamento a Bolsonaro e à extrema-direita.

Acho chata e tendenciosa essa insistência – inclusive ou principalmente por jornalistas de direita – para que o PT faça publicamente a tal autocrítica. Mas, até acho que o partido deveria fazê-la. Eu mesmo neste espaço já critiquei duramente posições petistas e, sejamos francos, a oposição ao partido a Bolsonaro é bem abaixo do que poderia e deveria ser.

Mas, também falando sério: é necessário que outros partidos façam autocrítica. Como o PSDB, que viu seu candidato à presidência da República em 2014, Aécio Neves, não admitir a derrota e iniciar uma bola de neve que resultou no Impeachment de Dilma Rousseff e em um quadro político que possibilitou o crescimento de um Bolsonaro. Inclusive, a postura de Aécio e o apoio tucano a Temer custaram ao partido um papel ridículo na eleição presidencial de 2018 com Alckmin. Bem, cadê então a autocrítica tucana?

Poderíamos também ser brindados com a autocrítica do pedetista Ciro Gomes, que em pleno segundo turno entre um candidato de Esquerda (algo que Ciro se considera) e um candidato fascista, preferiu anuviar as tensões em Paris.

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Hummm e que tal a autocrítica da própria grande imprensa brasileira, que comparou em editoriais bem constrangedores um candidato democrata de um partido que ficou democraticamente no poder sem perseguir adversários políticos durante 13 anos com um militar fracassado racista-homofóbico-machista que admirava publicamente a tortura e a Ditadura Militar ? Que tal uma autocrítica, Estadão, Folha, Globo e Veja?

E a autocrítica do “deus Mercado”, que ajudou a eleger Bolsonaro e Paulo Guedes sonhando com o crescimento econômico e vê os números pífios e o país em recessão. Alô, Fiesp, cadê essa autocrítica?

Vamos agora a uma parte bem delicada, que envolve esses seres chamados de eleitores que são justamente quem colocam no poder os gestores. O eleitorado, principalmente de periferia de São Paulo e Rio de Janeiro já pensaram em uma autocrítica por terem levado ao poder João Dória e Wilson Witzel, duas criaturas que flagrantemente odeiam pobres e negros e que costumam incentivar  – e até celebrar – mortes de gente pobre?

Na verdade, todo o Brasil necessita desta autocrítica. O país poderia se tornar um divã coletivo. Da mesma forma que nunca fomos e nem seremos o tal “povo cordial” cantado pelos otimistas, também somos ruins de autocrítica. Errar é humano, claro. Mas o brasileiro em geral parece estar exagerando neste quesito. E  – assim como o supracitado PT – sem fazer qualquer autocrítica.

 

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