TRABALHO

Sindicato dos petroleiros denuncia crescimento da Covid-19 em plataformas do RN e cobra Petrobras

Por Gilson Sá, especial para a agência Saiba Mais

O Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN) protocolou nesta segunda-feira (25) um ofício, em caráter emergencial, exigindo à Petrobras que todas as instalações e unidades da Estatal e demais empresas contratadas off-shore e on-shore do Estado, onde tenham sido registrados casos de Covid-19, sejam isoladas para desinfecção.

O texto pede ainda que os trabalhadores e trabalhadoras suspeitos ou não-suspeitos, inclusive seus dependentes, sejam testados e mantidos em quarentena, conforme as orientações e protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das autoridades sanitárias do país, Estado e municípios.

A entidade sindical tem acompanhado os casos de coronavírus nas plataformas do Rio Grande do Norte através das informações passadas pelos próprios trabalhadores e, por isso, cobra que a Petrobras informe os números oficiais de casos da doença.

No último sábado (23), chegou ao conhecimento do Sindicato que diversos casos de contaminação foram registrados nas plataformas da Petrobras no Campo de Ubarana do Rio Grande do Norte, tendo os trabalhadores sido desembarcados e colocados em quarentena.

“Mas essas informações não são oficiais, ou seja, a empresa não se digna a informar ao Sindipetro-RN – e não se sabe, também, se informa as autoridades sanitárias a nível estadual e municipal – sobre qual a real situação da Covid-19 em todas as suas unidades e instalações do Estado, inclusive, suas subsidiárias e coligadas, o que é muito grave e preocupante”, afirma o Sindicato.

Há uma preocupação do sindicato com os ambientes de acomodações de hotelaria nas plataformas, unidades operacionais e embarcações. “São bastante reduzidos visando a acomodar o maior número de pessoas em camarotes duplos, triplos e até quádruplos, sendo público e notório que esse tipo de dificuldade para estabelecer o distanciamento e isolamento social favorece o contágio pelo Covid-19”.

A diretoria do Sindipetro-RN classifica a atitude da estatal frente à pandemia como descaso.

“Como todos sabem a pandemia do Covid-19 avança de forma dramática em todo o país. Notadamente nos ambientes de trabalho, o risco de contaminação tem se revelado extremamente alto, inclusive, com relação ao Sistema Petrobras, graças à política de desvalorização de direitos trabalhistas e de proteção à vida adotada pela gestão de Castelo Branco – indicada pelo atual presidente da República”.

No boletim mais atualizado publicado dia 18 de maio, o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que, até àquela data, 573 empregados próprios haviam sido infectados pelo Covid-19 e, entre estes, 330 já estão recuperados, enquanto outros 243 ainda se encontram em quarentena. Porém, foi divulgado no boletim anterior que entre os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados esse número era de aproximadamente 800 pessoas.

“Lamentavelmente, apesar da Federação Única dos Petroleiros e seus Sindicatos filiados – entre os quais o Sindipetro-RN – solicitarem informações sobre a pandemia no Sistema Petrobras, a gestão dessa Companhia insiste com sua postura desrespeitosa e antidemocrática de ignorar as entidades sindicais e não revela os números oficiais e, igualmente, não apresenta os protocolos que estão sendo utilizados na prevenção e combate ao coronavírus, tornando a situação ainda mais difícil e perigosa para a força de trabalho, seus familiares, amigos e comunidades onde os petroleiros próprios e terceirizados residem”.

Além da cobrança por informações oficiais sobre a situação da Covid-19 no ambiente Petrobras no Rio Grande do Norte, o Sindicato também solicita informações sobre as medidas que estão sendo adotadas para garantir um ambiente de trabalho seguro, que seja capaz de proteger os trabalhadores e trabalhadoras contra o contágio pelo coronavírus.

Uma cópia do ofício protocolado na empresa será enviada a todos os órgãos de fiscalização sanitária e trabalhista, como também, autoridades estaduais e municipais onde a Petrobras, suas subsidiárias, coligadas e demais empresas contratadas mantém atividades produtivas operacionais ou em hibernação, quando for o caso.

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