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Sindicato e Associação dos médicos no RN emitem nota de apoio à médica que atacou jornalistas

A médica Roberta Lacerda, que atacou jornalistas em suas redes sociais para defender o “tratamento precoce” contra a covid-19 recebeu, nesta terça (28), apoio do Sindicato dos Médicos (Sinmed/ RN) e da Associação Médica (AMRN) do Rio Grande do Norte. Em nota, as duas instituições afirmaram que os médicos que vêm fazendo uso e defesa do “tratamento precoce” têm sofrido “infame campanha” e tratamento agressivo por parte de alguns meios de comunicação. Além disso, o Sinmed/ RN e AMRN também criticaram o que eles classificam como politização da questão que seria de “cunho técnico e científico”.

Nas palavras da médica Roberta Lacerda, os jornalistas “estudam menos e mentem mais”. Ela ainda  acrescentou que o curso “é mais barato e o vestibular mais fácil”. Lacerda faz parte do Comitê Científico que orienta a Prefeitura de Natal na adoção das políticas relacionadas à covid-19. As declarações levaram o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte a se manifestar e publicar nota lamentando a postura preconceituosa da profissional de saúde. O Sindjorn também lembrou que, além de estudar e pesquisar sobre o assunto que é pauta de discussão, os jornalistas também respeitam o contraditório. Como exemplo, o Sindjorn citou o fato de a própria médica ter feito uso dos veículos de comunicação para expressar sua defesa do tratamento precoce para covid-19.

Apesar do argumento “técnico e científico” de que o “kit covid” não tem eficácia comprovada para tratamento do novo coronavírus, ele segue sendo receitado normalmente. O tratamento precoce ao qual os médicos, o Sinmed/ RN e a AMRN se referem é a uma combinação de medicamentos que tem, entre seus itens, o uso de vermífugo para piolho como forma de prevenir ou diminuir os efeitos da covid-19 no organismo.

Em janeiro, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) pediu ao Ministério da Saúde que revogasse as publicações que incentivassem o uso de qualquer medicação como forma de tratamento precoce para a covid-19 sem eficácia comprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Débora Melecchi, coordenadora da Comissão Internacional de Ciência, Tecnologia e Assistência Farmacêutica (Cictaf) do CNS, as evidências científicas apontam que a cloroquina, a ivermectina e a azitromicina são totalmente ineficazes no tratamento da covid-19, seja antes ou depois do paciente adquirir a doença.

O “kit covid”, que além de alguns médicos também tem sido defendido pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSD), e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), foi responsável pela ida de cinco pacientes para a fila de transplante de fígado somente no estado de São Paulo, além de três mortes resultantes de hepatite provocada por excesso de remédios, segundo médicos que foram ouvidos pelo jornal Estadão.

O uso de hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes teria provocado hemorragias, arritmias e insuficiência renal. Só em 2020, a venda de ivermectina aumentou 557% em relação ao ano de 2019, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFC).

No Rio Grande do Norte, a médica Marize Castro, que também faz parte do Comitê Científico que assiste o Governo do Estado, relatou que 98% dos pacientes que chegam ao estado grave e precisaram ser intubados por causa da covid, fizeram uso de ivermectina.

Confira nota do Sinmed/RN e da AMRN:

O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN) e a Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN, diante da infame campanha contra os médicos que cuidam com zelo de seus paciente e usam o tratamento precoce, conforme preceitua a AUTONOMIA médica, prerrogativa da profissão, e mais recentemente a agressividade apresentada em alguns meios de comunicação contra da Dra. Roberta Lacerda, vem a púbico manifestar sua irrestrita solidariedade aos profissionais e repudiar o comportamento afrontoso dos que insistem em politizar uma questão que é técnica e científica, e movida pelos mais altos interesses em defender a saúde da sociedade. Assim o Sinmed RN e a AMRN pontuam:

1. O Sinmed RN e a AMRN tem ouvido e participado de reuniões, assistido exposição de trabalhos e discussões científicas sobre a condução do tratamento e enfrentamento à pandemia de Covid-19;

2. Respeitosamente tem compreendido e avaliado os altos interesses humanitários que movem os médicos nas suas condutas;

3. Respaldam e estimulam a AUTONOMIA médica, dentro dos limites da ética e da ciência;

4. Compreendem que a ciência e a evolução são testadas pelo contraditório e ele deve ser feito, sem direito a nenhuma parte cercear a liberdade ou tentar silenciar a outra;

5. Assistimos a maior parte dos veículos de comunicação e seus profissionais informando adequadamente à sociedade e democraticamente ouvindo as diferentes vozes que se manifestam quanto às diversas formas de medidas e tratamento para a Covid-19;

6. Observamos também uns poucos, porém importantes, desvirtuados de sua missão, movidos por interesses panfletários, políticos e militantes, espalhando a censura, tentando impor suas convicções, negando-se a ouvir e dar espaço ao contraditório, denegrindo e tentando silenciar quem pensa diferente;

Confira a nota do Sindicato dos Jornalistas do RN:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte lastima a publicação no Instagram da médica Roberta Lacerda, com palavras preconceituosas e difamatórias, que somente destilam ódio e não trazem nenhum conteúdo para a sociedade potiguar.

Ela tenta rebaixar os profissionais da comunicação que tanto contribuem para alertar a sociedade dos males que a pandemia está causando ao nosso País, nos aproximando de 400 mil mortes causadas pela Covid.

Jornalista nenhum prescreve ou dita o que o cidadão deve tomar ou não, mas estuda muito, pesquisa e entrevistas médicos, organizações, instituições de pesquisa nacionais e internacionais, respeitando o contraditório em todo seu conteúdo para informar o que está sendo posto nos meios de comunicação.

A própria médica Roberta Lacerda já usou dos meios de comunicação para defender o seu posicionamento com relação ao tratamento precoce para o COVID 19. Termos um jornalismo livre, independente, sem amarras é importante para sustentarmos um dos pilares da democracia.

Sermos cordiais e buscarmos uma política da paz e não agressão também nos torna defensores da democracia. Não é mais fácil “fazer” jornalismo, não é mais “barato” fazer jornalismo.

Cada um responde pelos seus atos dentro de qualquer profissão onde há uma legislação específica para isso, códigos de ética, legislação civil e criminal, todos nós somos iguais perante a Lei. Para finalizar, mente quem escreveu “A resposta dos médicos”.

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