OPINIÃO

Só a cor importa

Minha cara leitora, meu caro leitor, venho aqui hoje para apresentar a você um jovem chamado Pedro. Morador de um condomínio na Barra da Tijuca, capital do “nouveau richismo” carioca – com direito a ter uma Avenida das Américas, réplica da Estátua da Liberdade e tudo o mais -, era um garoto de 19 anos, pai de um bebê que não completou nem 1 ano ainda.

Usuário de drogas, Pedro tinha lá seus problemas com a família, que tentava apoiá-lo de várias formas: montou um estúdio de som em casa para o jovem trabalhar e, na tarde do dia 15 de fevereiro, estava levando o jovem para ser internado novamente em uma clínica de reabilitação. A mala que Pedro levaria para a clínica na Serra de Petrópolis estava dentro do carro parado no estacionamento do supermercado Extra.

Pedro acabou assassinado, na frente da mãe e de outras diversas testemunhas, por um segurança. Asfixiado no chão do supermercado pelo segurança Davi Amâncio.

Quer saber, meus caros, qual foi o “problema” de Pedro? Ele não nasceu no “local errado”, não morava no “local errado”, não estava no “local errado”, não estava com as “pessoas erradas”, nem fazendo “coisas erradas”. Não foi nada disso, não dessa vez. O “problema” de Pedro foi não parecer ser.

Na cabeça do assassino, quando Pedro apareceu na sua frente não era um morador de um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, filho de uma família de classe média bem estabelecida. Ou você acha que se ele fosse assim visto o segurança Davi teria feito a mesma coisa?

O segurança do Extra é um Brasil. Aquele Brasil que não escolhe hora nem lugar para massacrar a maioria do seu povo. Que matando dia sim e outro também, fazendo de tudo para impedir que eles e elas tenham acesso à educação, ao trabalho, ao lazer. Porque é assim a nossa história, que se escreve a cada Pedro assassinado.

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