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Solicitação de leitos para a covid-19 cresce 72% em 30 dias no RN; apesar disso, ocupação permanece baixa

A solicitação por leitos voltados para a covid-19 na rede de saúde pública do Rio Grande do Norte voltou a aumentar nos últimos 30 dias. Segundo estatísticas do Regula RN, a média móvel de solicitação passou de 18 leitos por dia, no dia 6 de dezembro, para 31 nesta quinta-feira, 6. O aumento está relacionado ao crescimento de casos da covid-19 no período aliado ao surto de gripe, segundo especialistas.

Apesar do crescimento, a disponibilidade de leitos clínicos e de UTI no Rio Grande do Norte permanece alta. Na manhã desta sexta-feira, 60% dos leitos de UTI para a covid-19 e 70% dos leitos clínicos estavam disponíveis. Embora recebam o nome ‘leitos covid-19’, eles são voltados para qualquer paciente que apresente síndrome respiratória aguda grave, que pode ser causada por qualquer vírus respiratório.

O crescimento da média móvel de solicitação de leitos foi de 72% no período observado. Essa média considera os dados verificados nos 7 dias anteriores à data para traçar um panorama mais estável da pandemia, corrigindo distorções entre dias úteis e finais de semana.

Ao SaibaMais, a secretária-adjunta de Saúde do Rio Grande do Norte, Lyane Ramalho, afirmou que o crescimento da solicitação de leitos não preocupa até o momento, devido ao número de disponíveis. “Vivemos um crescimento dos casos de covid-19 e de gripe por conta das festas de final de ano, mas a maioria dos casos não desenvolve forma grave, graças à vacinação”, disse Ramalho.

Assim como observado em diversos estados brasileiros, o crescimento da solicitação de leitos está ligado ao aumento dos casos de covid-19 e do surto de gripe, causado pelo vírus influenza. O aumento está refletido na pressão sobre as enfermarias dos hospitais e das Unidades de Pronto-Atendimento, que levou a prefeitura de Natal, por exemplo, a abrir centros de combate à gripe.

Segundo Lyane Ramalho, a maioria dos casos que geram internações no Rio Grande do Norte são de gripe, não da covid-19. “Pelos testes negativos de covid-19, observamos que hoje a epidemia de gripe gera uma situação mais grave da doença e mais internações”, afirmou.

No entanto, a baixa testagem no país e o apagão de dados causados pelo ataque hacker sofrido pelo Ministério da Saúde no dia 10 de dezembro impedem uma análise mais precisa do cenário atual da pandemia em todo o Brasil.

Segundo um estudo apresentado pelo professor do Departamento de Física da UFRN José Dias do Nascimento Júnior, responsável pelos gráficos e projeções relacionadas à pandemia no Comitê Científico do Nordeste, a taxa de incidência de casos de covid-19 no Rio Grande do Norte cresceu após o Carnatal, realizado entre os dias 9 e 12 de dezembro na Arena das Dunas, em Natal.

O período também coincide com a circulação da Ômicron no Brasil. Apesar do baixo sequenciamento genômico no país, especialistas apontam que é provável que a variante já tenha se espalhado. Em um estudo realizado pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), divulgado no final de dezembro de 2021, a variante foi responsável por 31,7% de 604 casos positivos analisados entre os dias 1º e 25 de dezembro.

Na última semana de dezembro, 40% dos casos positivos analisados no estudo do ITpS eram da Ômicron. No dia 25, essa relação chegou a 75% do total.

A presença da Ômicron e a vacinação em massa podem explicar por que o aumento de casos não reflete em um aumento das internações – principalmente em UTIs – como ocorreu no ano passado, de acordo com a microbiologista Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC). Apesar de ser mais transmissível, a variante se mostrou menos letal em todo o mundo.

Pasternak alerta, no entanto, para o ‘efeito dominó’ que isso pode causar. “Uma explosão de casos leva muita gente ao ambulatório e à hospitalização. Pessoas vulneráveis vão morrer e o atendimento a outras doenças vai ficar comprometido”, afirmou nesta sexta-feira, 8, em entrevista ao jornal Estadão.

A explosão dos casos também podem interferir no funcionamento de alguns serviços. Pasternak citou como exemplo o alto contágio da Ômicron nas companhias aéreas dos Estados Unidos, que levou a suspensão de diversos voos e chegou a paralisar o setor de turismo do país. Segundo a agência Reuters, mais de 2 mil voos foram cancelados somente no último domingo, 2.

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