CIDADANIA

Sopa Vegan mantém distribuição de alimento em Natal para pessoas em situação de rua na quarentena

Em razão da quarentena para diminuir os índices de contágio pelo Coronavírus, algumas lojas fecharam, shoppings reduziram seus horários de funcionamento, empresas adotaram regime de home office e a circulação de pessoas nas ruas em Natal nitidamente diminuiu. No entanto, a população em situação de rua não tem onde se proteger e, além do Covid-19 ser um risco à vida, a fome também é.

A Sopa Vegan é iniciativa de um músico, uma professora e uma rede de amigos que cresceu e continua na ativa mesmo nesse período de reclusão. A cada quinta-feira, o grupo sai às ruas distribuindo sopa no bairro da Ribeira para aqueles que não tem condições, às vezes, de manter a higiene em dia. Aos sábados, é garantido o almoço para os moradores do viaduto do Baldo.

O grupo, hoje formado por cerca de 20 pessoas, atua voluntariamente. E para continuar com o trabalho, a turma precisa não apenas dos insumos para a cozinha, mas também de produtos como álcool em gel, máscaras e luvas para manter os alimentos protegidos de qualquer contaminação.

A iniciativa é aberta a quem quiser se voluntariar, mesmo que esporadicamente. Nesse período de tensão com o Conoravírus, eles também se preocupam com quem não tem como se proteger e estão recebendo doações de alimentos não perecíveis, roupas limpas, toalhas de banho, álcool 70 e sabonetes, ou até mesmo disponibilizar banheiros solidários.

A vaquinha pode ser acessada aqui e o contato para as doações é (84) 98848-7195.

Projeto voluntário existe há dois anos em Natal e conta com cerca de 20 pessoas (foto: divulgação)

“Não houve questionamento sobre continuar”

A sopa é distribuída há pouco mais de dois anos e começou através de Charliê Chancho. Com a ajuda de uma professora, ele já esteve em situação de rua e hoje é chef do Feijuca Vegan, que assim como a Sopa é também uma iniciativa de culinária consciente. Entregue sempre às quintas-feiras, no Largo do Teatro Alberto Maranhão, a Sopa Vegan é formada por diversas pessoas que se reúnem na casa de Charliê para preparar as refeições, de acordo com sua disponibilidade.

A comunicadora e produtora Renata Nascimento é uma dessas colaboradoras. De acordo com ela, continuar com o trabalho, mesmo nesse período crítico, foi natural:

“Não houve questionamento sobre continuar, obviamente temos que combater o Coronavírus, mas também temos que combater a fome, as pessoas também morrem e sofrem com ela, com a falta de moradia. Claro, temos maior atenção com a higiene, mas sabemos que essa ação não tem como acabar, as pessoas dependem disso, esperam por nós, por isso pedimos doações de produtos higiênicos, para que a Sopa Vegan não acabe nesse período”, explica Renata.

Sopa “Havaiana”

Sem Deus, Sem Partido é um mote que o grupo costuma disseminar, já que a iniciativa não conta com nenhum tipo de auxílio governamental ou de igrejas e partidos, é aberto a quem quiser ajudar e não é obrigatório ser vegano ou vegana, basta querer colaborar.

“A nossa ideia é levar alimento sem incentivar o sofrimento animal, nós conversamos com eles sobre isso, alguns pedem pra colocar pelo menos um pedaço de osso, mas apesar de alguns já terem chamado a comida de ‘havaiana’ – risos – a receptividade é boa, a energia de estar ali fazendo algo por aquelas pessoas maravilhosas é incrível”, relata Renata.

Além da Sopa Vegan às quintas-feiras, o grupo também criou a ‘Almoçada’, um almoço vegano distribuído para os abrigados no Viaduto do Baldo. De acordo com Renata Nascimento, foram os próprios ocupantes do local que pediram e escolheram o dia para a ação lá, os sábados, dia em que os Restaurantes Populares não abrem.

“Nós recebemos muitos produtos, verdura, tempero, macarrão, arroz e alguns que a gente não usava na sopa, daí surgiu a articulação de fazer um almoço. Especialmente lá no Baldo, eles agradecem demais. Quando nós chegamos, o pessoal está com muita fome e, apesar de dizermos que somos sem religião, eles agradecem a Deus por nós e pela comida que levamos. Para nós, cada um crê ou não no que entender ser importante, cabe a todos o respeito”, conta a comunicadora, que participa do projeto há mais de um ano.

O “Almoçada” nasceu a partir do Sopa Vegan e leva comida aos sábados para os moradores do viaduto do Baldo (foto: Divulgação)

A sopa é distribuída às 19h e a produção começa à tarde. Já para a Almoçada, a entrega é ao meio-dia, com produção pela manhã. Renata conta ainda que alguns dias são difíceis, quando poucas pessoas chegam para ajudar.

“Tem dias que só o Charliê faz tudo, mas temos muitas pessoas que nos ajudam e somos muito gratos por todos. Para mim, o Sopa Vegan é uma oportunidade da gente se juntar e se mobilizar para diminuir a desigualdade humana e conscientizar quanto à crueldade animal, além disso é uma energia maravilhosa, estar ali fazendo algo por aquelas pessoas me deixa muito feliz e de consciência tranquila, faz um bem danado pra nós e pra eles”, finaliza.

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.