TRANSPARÊNCIA

STF investiga repasse de R$ 51,8 mil de deputado general Girão a empresas acusadas de convocar atos contra a democracia

Por William Robson

A situação do deputado bolsonarista General Girão vai se tornando mais difícil diante da ofensiva do Supremo Tribunal Federal (STF) aos expoentes de atos antidemocráticos.  Ele está na lista de quatro parlamentares ligados ao bolsonarismo apontados como financiadores desses protestos com recursos declarados como “divulgação de mandato parlamentar”.

Segundo o site Uol, os recursos desembocavam na agência do publicitário Sérgio Lima, que recebeu ao menos R$ 87.700 da cota parlamentar de Girão e dos deputados  Bia Kicis (PSL-DF), Aline Sleutjes (PSL-PR) e Guiga Peixoto (PSL-SP) nos últimos seis meses.

A investigação levanta a hipótese que os recursos serviriam para a divulgação e financiamento dos atos antidemocráticos e o papel de Sérgio Lima era dar vazão à divulgação e convocação dos manifestantes. O Supremo Tribunal Federal quebrou o sigilo bancário de Girão e dos demais deputados bolsonaristas envolvidos com os serviços do publicitário.

Dos quatro, o mais dedicado neste propósito foi deputado do Rio Grande do Norte. O general Girão gastou R$ 51,8 mil desde dezembro do ano passado, quando se tornou cliente da agência. Segundo o site, naquele mês, foi pago R$ 10,8 mil a S8 Sampa Agência de Propaganda. Embora o publicitário afirmasse que deixou a agência em dezembro, a Receita Federal ressalta que o seu nome ainda consta como sócio.

A reportagem ainda mostra que em janeiro e fevereiro, os serviços da S8 custaram ao gabinete de Girão R$ 11,4 mil e R$ 7,4 mil, respectivamente. De março a maio, último mês com a prestação de contas disponível no portal, o gabinete do deputado pagou R$ 7,4 mil à Inclutech Tecnologia da Informação, outra firma da qual Lima aparece como sócio.

Os atos, que pediam o fechamento do Congresso Nacional, do STF, intervenção militar e cobravam a volta do AI-5, estão sob investigação da PF, depois de aberta pela Procuradoria-geral da República (PGR).

O deputado General Girão se manifestou negando qualquer envolvimento em atos antidemocráticos e que os serviços de Lima são referentes “a acompanhamento e análise de pautas políticas, elaboração e manutenção do site do deputado, relatórios diários de notícias (clipping) e atualização mensal de SEO no site”.

O deputado garante que ainda não foi notificado sobre a quebra de sigilo bancário  e que “buscará todas as medidas cabíveis para se contrapor a um ato que configura mais uma atitude de arbitrariedade e totalitarismo”.

Expulsão

O PLS do Rio Grande do Norte anunciou ontem (17) que vai pedir a expulsão do general Girão dos quadros do partido por infidelidade partidária. Segundo comunicado divulgado pelo partido, Girão estaria tentando realizar acordos eleitorais no estado sem consultar a sigla. No início do ano, o deputado ventilou a possibilidade de lançar candidatura a prefeito de Natal nas eleições de 2020.

“O PSL do RN encaminhará solicitação de abertura de processo de expulsão do filiado junto ao conselho de ética do partido por descumprimento das sanções impostas àqueles que se encontram suspensos pelo partido, que impedem a atuação partidária do filiado durante o período de suspensão, além de reincidir na prática de infidelidade partidária. Informamos que o mesmo não está autorizado a fazer qualquer tratativa em nome do PSL, especialmente em relação a acordos eleitorais com outras legendas, destacadamente o PRTB.””, diz a nota do partido.

 

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