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Styvenson Valentim / Entrevista: “eu não sou o novo, sou inovador”

O capitão da Polícia Militar Styvenson Valentim já fala como candidato ao Senado, mas avisou que vai empurrar até o limite a decisão sobre a filiação partidária.

A opção pelo suspense e declarações recentes de que não vai se unir a políticos envolvidos em denúncias de corrupção lhe deixa com poucas ou quase nenhuma alternativa.

Faltando menos de uma semana para o encerramento das convenções, só duas coligações mantém vagas para o Senado Federal abertas: a do atual governador Robinson Faria (PSD) e a do ex-prefeito de Olho D’Água dos Borges Brenno Queiroga (Solidariedade).

Em ambas, os políticos que encabeçam as chapas têm enfrentado problemas recentes na Justiça.

Robinson Faria é investigado em dois inquéritos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Breno Queiroga teve o mandato de prefeito cassado pela Justiça Eleitoral em 2014.

Desde que autorizou incluírem o nome dele em pesquisas eleitorais, Styvenson vem sendo pressionado dentro e fora de casa. À exceção do sogro José Maria Figueiredo, proprietário da faculdade Facex, a família não quer ver o capitão da PM envolvido em política.

Nesta entrevista à agência Saiba Mais, Styvenson diz que não é imutável. Admite agora que o partido poderá indicar os suplentes, desde que ele concorde com os requisitos.

Ele chama de “coincidência” sua semelhança com Jair Bolsonaro (PSL), não se diz representante da antipolítica e também destaca que não é o novo, mas inovador.

Leia a entrevista na íntegra:

Agência Saiba Mais: Você já definiu o partido no qual vai se filiar ?

Styvenson Valentim: Não… falta só isso para montar esse quebra-cabeça.

Por que o mistério ?

Não é mistério não, é cautela, responsabilidade, segurança. Tem gente que me critica sobre isso… é uma gente inconsequente que não pensa sobre a própria vida nem na vida dos outros.

Se falta apenas o partido, então está confirmado que você vai ser candidato nessas eleições, é isso ?

É. Mas é uma coisa inerente, né ? Não pode existir uma coisa sem a outra: o partido e o candidato. O grande lance aí é achar um partido… não é que o partido se identifique comigo nem eu com ele, é que me dê o que eu preciso: liberdade e garantia, só isso. São duas coisas que eu preciso.

 Liberdade e garantia ?

É.. e pleno, viu ? Pleno, tudo pleno. Pleno que eu digo é irrestrito. E o restante não estou nem aí: quem vai ser suplente, quem não vai ser… primeiro, segundo. Quem quiser o partido é que… na verdade, as pessoas que forem eleger o capitão Styvenson, se ele for candidato, se ele for eleito, vai ser eleito para um cargo, que é o Senado, e não para Ministro ou outra coisa. Então não espere lá na frente que o suposto… o suplente, que eu não sei quem vai ser… porque disseram que eu tenho que escolher tudo, né ? Não, estou escolhendo só minhas condições. E eu não estou obrigando ninguém a nada.

Mas você deu uma entrevista em Mossoró dizendo que não abria mão de escolher o suplente.

Sim, mas mudei de ideia sobre isso.

Mudou ?

Gente, eu não sou imutável, não. Eu sou imutável nas duas coisas que eu quero. As únicas coisas onde eu sou imutável são no meu caráter, na minha honestidade, na coisa pública como eu trato. Mas em relação à opinião… “ah, disseram que ele não apoia ninguém”. Eu não apoio quem está aí, visualmente aí. Pode ser que apareça aí alguém que eu diga: “poxa, eu confio no cara, acredito”. Mas começou alguma coisa ? Eu nem conheço todos os candidatos ainda.

Mas das coligações que estão colocadas hoje, só duas ainda têm vaga aberta para o Senado: a do governador Robinson Faria (PSD), que só lançou o ex-governador Geraldo Melo para o Senado, e o Solidariedade do ex-prefeito Brenno Queiroga, que só anunciou a Magnólia Figueiredo…

Pois é, né ? Mas ainda vou dar uma analisada porque ainda tenho RP, PRP, PR sei lá, tem uns seis (partidos) ainda que querem me procurar, aí vou analisar as propostas e ver. Porque essas duas aí… isso o que você está fazendo é especulação… ainda faltam outros partidos para falar comigo, até sexta eu acho.

Mas não é especulação. Chapas majoritárias que tenham candidato a governador com vaga de senador abertas são só esses dois. Os demais já estão com a chapa completa…

Ah… entendi seu raciocínio. Mas já falei com o Solidariedade. E com o partido do governador ainda não. Nem vieram falar comigo, entendeu ? Então essa primeira opção do partido do governador não houve iniciação. Houve em 2016 para candidatura de prefeito, mas não deu certo, eu dei não. Mas sobre essa escolha do suplente que eu falei em Mossoró, que eu não abria mão de escolher… eu acho que naquele momento, vou ser bem honesto, como eu sou bem novo, primata ainda na política… eu pensei: o que é suplente ? É o meu reserva ? Ah, então eu vou escolher o reserva que eu quero, pensei assim. E só depois que eu fui ver que o suplente só vai entrar na ocasião que eu morrer, se eu me afastar, se eu for para algum canto… eu cuido tão bem da minha saúde para morrer agora, a não ser que derrubem o avião comigo dentro, né ? Aí não tem como escapar. Então com relação a isso aí eu não sou imutável não. Acho que o partido que der essas prerrogativas… não vejo problema nenhum o partido indicar o primeiro suplente ou eu indicar o primeiro e ele indicar o segundo, não vejo problema nenhum.

Entendi…

Agora os requisitos para o partido escolher eu vou ter que analisar, entendeu ? Ele não vai escolher aleatoriamente, não. Vou analisar quem vai ser esse suplente.

Certo. Pelo fato de você ser policial, muita gente liga ao PSL, o partido do Bolsonaro. O que você acha disso ?

 Pois é, né? Eu acho uma coincidência, por ser capitão, por ser militar, coincidência por ter intersecções em pensamentos, acho muita coincidência entre eu e ele e entre eu e outros candidatos também. Não existe só entre eu e o Bolsonaro não. Tem muita gente. Tem de esquerda, de direita, de centro, de beira, de eira, tem de todo canto. Então a situação é a seguinte: as pessoas querem fazer esse nexo de comparação entre o capitão Styvenson e o capitão Bolsonaro pelo fato de serem militares, mas não quer dizer que somos 100% iguais em tudo. Não existe essa simetria perfeita, não. O que existe é coincidência. Só. É o que eu percebo, pelo menos entre eu e ele.

Mas você acha que o eleitorado de vocês é próximo também ? Os eleitores que votam no Bolsonaro também votam em você ?

 Se o capitão Styvenson for candidato e as pessoas quiserem votar nele vai ser pelo capitão Styvenson, e não pela semelhança. Não sou réplica de ninguém. Eu sou o que eu sou. E nem pretendo ser réplica de ninguém, não.

Tenho informações de que você tem sofrido pressões em casa. Seu sogro incentiva sua candidatura, mas o restante da sua família é contra. Como está sendo administrar isso ?

Vou explicar para você o que é: pessoas acreditam no meu potencial, pessoas acreditam na minha honestidade, pessoas acreditam no poder inovador que eu posso trazer para a política, pessoas acreditam no capitão Styvenson, que ele possa fazer muito mais do que fez até hoje pela Polícia Militar e pela sociedade. Penso como cidadão e então eles acreditam no que eu possa fazer dentro na política. E eu acredito que eu posso fazer muito mais. Em relação ao meu sogro, ele é uma pessoa que acredita porque ele me conhece há 10 anos. Ele já viu o que eu já fiz, o que eu mudei, o que eu inovei, o que eu precisei enfrentar. O caso da minha mulher não aceitar é que ela não quer ficar distante de mim, não quer perder o marido, só isso. Ela quer dormir juntinho, acordar tomando café. É igual à minha mãe, onde eu passo todo dia na casa dela, pedindo a benção, tomo café, almoço com ela. Então essa relação próxima da família… não querem perder o contato com o Styvenson Valentim Mendes, entendeu ? Com o filho, o marido, o pai, então é essa relação. É um paradoxo: vai, mas fica. Então esse lance de estarem me especulando com a família, eles dizem: a gente acredita que eu possa fazer, mas não querem que eu fique longe. Aí falam: mas então porque não fica aqui em Natal ? Não, porque a missão em que eu me vejo, me enquadro, em que me vejo produtivo, eficiente para o Estado e para as pessoas é lá no Senado. E em outra situação, não. Senão teria cogitado para prefeito em 2016.

Nem deputado federal ?

Não… um de 8 (vagas) e tem o Estado subjugado como o nosso dentro de uma Câmara… acho isso um absurdo, uma desigualdade. Mas dizem: “ah, é coeficiente, é dividido por população”. Mas e necessidade, divide também ? E tantas dificuldades que a gente passa é dividido também ? É proporcional ? A gente já tem tão pouco e esse pouco que tem é tudo fraco !? Agora no Senado são três, amigo. São três iguais que representam a mesma força, para os mesmos estados. São iguais aqui, em Brasília, em Minas, no Rio… então lá você pode fazer muito mais pelo Estado e pelas pessoas.

É isso, Styvenson, obrigado pela entrevista.

Mas você entendeu bem essa relação da minha família ? Porque eles estão nessa leva aí de que apoia, de que vai dar certo, mas quando a ficha cai eles pensam: “mas ele não vai estar comigo, não vai tomar café comigo, não vai me dar a bênção”, entendeu ? .A minha mãe, coitada, só falta arrancar os cabelos.

Você se vê como um representante da antipolítica ?

Não… eu concordo que sou inovador. Eu não sou o novo, sou inovador, sou desafiador, encorajador. Eu sou como as pessoas desacreditadas que querem acreditar de novo, são pessoas que acreditam em mim por esses adjetivos. A questão do antipolítico… entenda como quiser, mas eu tenho características principais como inovador, desafiador, de não aceitar as coisas da forma que vem. Se eu puder questionar, melhorar, evoluir… e outra coisa: tenho um princípio muito forte no meu DNA, que é a igualdade. Esse princípio que deveria existir em tudo, em todos os lugares. Então esse antipolítico… é que essa galera que está aí fazendo há muito tempo já não convence mais né, cara? Vamos partir para uma inovação, esse lance de coligação, acordão, tudo isso aí é para quê ? Pra se manter no poder ? É para dividir o espólio depois de ganhar ? É para deixar as pessoas bem distante? Me diga uma coisa: o povo decide as coligações, os acordões ? Quem vota será que decide quem é o candidato ? Será que nosso país é tão democrático assim para o povo ? Acho que não, gente. Temos que rever a constituição dos partidos. Porque tem alguma dissonante entre eles, entre o direito constitucional e o direito eleitoral partidário. Em outras palavras: do meu ponto de vista ,o problema está situado nos partidos.

Mas você vai precisar dos partidos…

É inevitável… é a mesma coisa que.. mas você diz: “vai precisar deles”… do jeito que você fala parece que é uma anticrítica a mim, né ? Que eu critico, mas vou precisar…

Mas de fato vai….

 Mas vou precisar de dentro das condições que eu coloquei para eles, entendeu ? Eu não vou quebrar regra, burlar regra, burlar o Direito, eu não vou destruir o Direito… eu vou adaptar o Direito à minha condição de segurança, liberdade, garantia e para fazer o melhor para as pessoas.

Você está próximo de algum partido ?

Se eu estou próximo ?

Sim, de algum partido.

Não… já conversei com tantos… mas depois eu anoto todos com quem eu converso. Aí fico vendo ponto forte, ponto fraco; ponto forte, ponto fraco. Mas até então os pontos fortes ainda não apareceram. (risos).

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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