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Suicídio causou mais mortes em policiais do que confronto com crime

O número de policiais que cometeram suicídio em 2018 foi maior do que os profissionais da Segurança Pública assassinados em horário de trabalho. Os dados foram publicados na 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e divulgados na segunda-feira (9).

A violência a que os policiais estão permanentemente expostos tem efeitos psicológicos graves. Em 2018, 104 policiais cometeram suicídio. Já 87 agentes foram mortos durante expediente, em confronto com criminosos.

De acordo com a pesquisa, ao todo, 343 policiais civis e militares foram assassinados em 2018, sendo que 75% dos casos ocorreram quando estavam fora de serviço, e não durante operações de combate à criminalidade.

“No senso comum, o grande temor é o risco da violência praticada por terceiros, mas na verdade o suicídio está atingido gravemente os policiais e não está sendo discutido e enfrentado de forma global”, aponta Cristina Neme, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que edita o anuário.

Para ela, são os fatores de risco da profissão que levam ao estresse ocupacional:

“É um problema muito maior que muitas vezes é silenciado. Eles passam por dificuldades que outras pessoas podem ter, mas que no caso do policial esses problemas, quando associados ao estresse psicológico da profissão e do acesso à arma, pode facilitar esse tipo de ocorrência”, lamenta a pesquisadora.

Letalidade

Anuário Brasileiro de Segurança Pública registra que houve queda de 10,43% de mortes violentas intencionais em 2018. Mas apesar da queda verificou-se que ao mesmo tempo cresceu em 19,6% o número de mortes decorrentes de intervenções policiais.

A ação da polícia é responsável por 11 de cada 100 mortes violentas intencionais no ano passado, quando 6.220 pessoas morreram após intervenção policial, uma média de 17 pessoas mortas por dia.

O perfil das vítimas repete a situação encontrada em outros anuários: 99,3% eram homens, quase 78% tinham entre 15 e 29 anos, e 75,4% eram negros.

Para a pesquisadora Cristina, os números correspondem a uma decisão superior de ação policial.

“A atitude da liderança política é fundamental para reverter o quadro de letalidade e promover políticas de segurança mais eficazes”, assinala a especialista que reclama de “discursos demagógicos e falaciosos que legitimam a prática da violência”, disse.

Com informações da agência Brasil

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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