CIDADANIA

Suspeitos de estupro coletivo são recebidos com oração em igreja matriz de Acari

Depois de serem absolvidos pela Justiça, quatro suspeitos de um estupro coletivo contra uma jovem de 19 anos, ocorrido em agosto de 2020, na cidade de Acari, chegaram ao município na tarde de hoje (29) e foram recebidos com muita oração. Uma multidão se reuniu em frente à igreja matriz da cidade para rezar e agradecer o retorno dos suspeitos para casa. O vídeo filmado por moradores do município circula nas redes sociais.

Os quatro suspeitos estavam detidos preventivamente na cidade de Caicó, mas foram liberados pelo juiz do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Bruno Montenegro Ribeiro Dantas, que entendeu a denúncia do estupro improcedente e mandou soltar os suspeitos. A família da vítima não quis falar sobre o assunto e disse, apenas, que vão recorrer da decisão.

A família está profundamente abalada e se sentindo extremamente injustiçada. A advogada vai interpor recurso para que o caso seja revisto pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte”.

Para as mulheres que militam em causas como a do feminismo e combate à cultura do estupro, decisões como esta podem servir de incentivo para que situações semelhantes se repitam.

“A gente sente na pele, sabe o que está acontecendo e sabemos quanto isso vai ser usado de exemplo para que outros homens se sintam com o aval para fazer, ainda mais, o que muitos deles já fazem. É o mesmo que dizer que podem fazer porque serão perdoados, que terão meios pra fugir da responsabilidade. É um grande sentimento de revolta e impotência. Por que essa garota não foi escutada, não teve fala? O que se passou com ela, qual a versão dessa menina de verdade? É difícil até para mulheres famosas e de classe alta. Mesmo elas, nessa situação, não conseguem denunciar. Imagine quando acontece com uma menina do interior, bem aqui, perto da nossa realidade e a justiça é totalmente no sentido contrário. Então, eu imagino a dor dessa menina, dessa família”, lamenta Gelli Cristina, do Coletivo Feminista Raízes da Luta.

Foto: reprodução do vídeo que circula nas redes sociais

Apoio às vítimas e educação sexual a jovens e adolescentes são indispensáveis no combate às práticas comuns de uma sociedade machista que coloca a mulher como objeto à disposição do desejo masculino.

“Precisamos dar total apoio para que ela se sinta segura e confiante para vir a público falar a partir do que ela está sentindo. Vai ser algo importante, também, para outras mulheres, porque isso que estão fazendo com ela é absurdo. Acaba sendo uma agressão não só a ela, mas a todas as mulheres. É a cultura do estupro sendo, mais uma vez, perpetuada. Precisamos falar sobre isso, educação sexual não é sobre sexo, é sobre dizer não, sobre os garotos entenderem seus limites, é sobre uma série de situações. É preciso levar informação para esses lugares pra evitar a perpetuação dessa cultura. É uma proteção contra essas violações, sobre entender seu corpo, os sentimentos, sensações. Fornecer informação a esses jovens e adolescentes é dar instrumentos para que eles saibam lidar com isso. Temos uma cultura na qual há muito tempo os garotos ouvem que podem ter acesso livre ao corpo da mulher. Os homens, nessa cultura machista, acham que as mulheres lhes devem o sexo, mas com a educação isso deve ficar bem claro. Mulher não deve sexo a ninguém, seja ela casada, livre ou solteira”, avalia Gelli Cristina.

 

Vídeo que circula nas redes sociais com momento de oração em agradecimento ao retorno dos quatro suspeitos por estupro coletivo à cidade de Acari
Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo

1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *