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Tábata Amaral: “O PDT deixou de ser o meu partido”

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Em entrevista ao programa Roda Viva nesta segunda-feira (14), a deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP) afirmou que vai recorrer à justiça para conseguir continuar no mandato e sair do PDT. Para ela, que não sabe qual será o destino na política, há uma certeza: não há mais espaço no partido atual. Questionada pelos jornalistas no programa da TV Cultura, a deputada rebateu uma fala do ex-ministro Ciro Gomes, que tinha declarado que “ninguém pode servir a dois senhores”. Tábata se posicionou contra o aborto – mas feminista- e a favor do voto na reforma da Previdência.

Segundo a deputada, ela e outros seis políticos planejam ir à Justiça Eleitoral para mover uma ação pedindo o mandato. “A gente vai entrar amanhã cedo com uma ação na Justiça Eleitoral pedindo mandato. E eu falo a gente porque tem três deputados do PDT, três do PSB. O PDT, quando decidiu nos suspender, disse que teria um prazo de dois meses para poder nos julgar. Isso faz 3 meses.”, explicou Tábata.

“O PDT deixou de ser meu partido, hoje eu não atuo mais como vice-líder, os projetos que eu tinha foram cancelados, na Câmara não consigo fazer nada que dependa do partido e preciso falar com outros. E passados esses dois meses, a gente enviou uma carta ao presidente [do PDT] Carlos Lupi pedindo o julgamento e nenhuma resposta. Passou um mês e eu tomei essa decisão,” disse.

De acordo com a legislação atual, a mudança de partido é prevista sem perda de mandato em três casos: mudança significativa no programa da sigla, grave discriminação política e pessoal ou encaixe na janela partidária.

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Para a deputada, ficou claro que ela sofreu discriminação dentro do PDT. “Hoje, se a Justiça entender que houve perseguição política desproporcional, o que está evidenciado por infinitas falas, e que gastaram muito tempo inventando mentiras sobre mim, eu quero fazer essa conversa com todos os partidos para entender onde há espaço para construir a boa política”, defendeu.

A deputada federal disse que ainda “não faz ideia” para qual partido irá quando oficializar sua saída do PDT. “Tem que ser um partido que dê espaço pra eu defender minha visão, de mundo, que fala do social, mas também fala do desenvolvimento econômico”, afirmou.

Reforma da Previdência

A deputada falou ainda sobre o fato de ter contrariado a orientação de seu partido, o PDT, e votado a favor da reforma da Previdência. Para ela, seu gesto não representou traição. “Não acho que era um desconhecimento [do PDT], mas na hora da votação a lógica eleitoreira prevaleceu, e essa não é minha visão de mundo”, declarou.

No programa, a deputada se definiu como uma política de “centro-esquerda”. “Eu me coloco como de centro-esquerda. Para mim, isso é entender que o Brasil é desigual socialmente, que pauta social é prioritária, mas deve-se ser fiscalmente responsável”.

Aborto

A deputada também respondeu sobre se não há uma contradição entre se declarar feminista e posicionar-se contra a descriminalização do aborto, uma das pautas do movimento que busca dar liberdade à mulher – inclusive sobre seu próprio corpo.

Na resposta, Tábata considerou o lado ético e pessoal da questão que é incluída no debate da saúde pública. “Aborto é questão pessoal, o dilema ético que esta posto. Tem a vida da mulher e a do feto, que não sei quando começa – respondeu a deputada. “Isso não me faz menos feminista. Defendo políticas sociais para mulheres”, finaliza.

Ciro Gomes 

Em entrevista concedida em julho ao Estadão, Ciro Gomes defendeu que todos os deputados do partido que votaram a favor do texto-base da reforma da Previdência, como foi o caso de Tábata, deixassem espontaneamente o partido, em vez de esperar por uma eventual expulsão. “Ninguém pode servir a dois senhores”, afirmou Ciro, na ocasião.

“Quando alguém diz que eu sirvo a dois senhores é um preconceito tão grande, como se eu tivesse que seguir algum homem para tomar decisão. Tenho capacidade para estudar, negociar, debater. O que me incomoda são essas velhas práticas na política. Agora, sempre que alguém vai criticar uma mulher na política tem a ver com o fato de ela ser mulher”, afirmou a deputada federal.

Contrato

Sobre o escândalo revelado pela revista Exame, a deputada alegou ainda que não pagou R$ 23 mil ao namorado com recursos do partido durante a campanha eleitoral de 2018.

“Muita gente disse que o Daniel trabalhou no mandato. Mentira, ele trabalhou na campanha. Ele não foi pago com fundo partidário, não foi um salário. Ele prestou um serviço com plataformas tecnológicas extremamente caras, tinha um time que geria cinco mil voluntários pelo estado, ajudou a construir todas as ideias do mandato”, disse em resposta ao jornalista, que depois a questionou de o porquê demorar quatro dias para dar uma resposta sobre o caso.

Tábata afirmou que estava sendo criticada, por isso a demora.

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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