CULTURA

Teatro potiguar perde a alegria de João Pinheiro, o palhaço Xaréu  

O teatro popular do Rio Grande do Norte perdeu nesta quinta-feira (18) o ator e palhaço João Maria Pinheiro, o João Alegria, o palhaço Xaréu, o Zé da Sorte. Eram tantos nomes e sobrenomes para o João do teatro popular que marcá-lo com apenas um seria injusto. O velório do artista ocorre a partir das 10h desta sexta-feira (19), no cemitério morada da Paz, em Emaús. O sepultamento está marcado para 18h, no mesmo local.

Natural de Jucurutu, João Alegria tinha 60 anos de idade e estava em tratamento contra um câncer. Palhaço de origem, começou a carreira se apresentando na escola Calazans Pinheiro, em Natal, onde estudava. Pinheiro fez parte da primeira formação do grupo Alegria, Alegria, precursor do teatro de rua no Rio Grande do Norte nos anos 1980. Por conta disso, era chamado de João do Alegria até que, para abreviar, virou João Alegria. Na época, o grupo era formado apenas por palhaços e homens.

No final dos anos 1980, também fundou o grupo Xaranga do Riso, ainda em atividade, que cantava músicas infantis. O grupo é formado apenas por palhaços. Xaréu, o palhaço criado por João, fazia percussão e voz.

Na trajetória de João Pinheiro há espaço para o grupo Artes e Traquinagens, que também fez história no Estado. Parceiro de mais de três décadas em todos esses projetos com João, o também ator e palhaço Alex Benigno escreveu um depoimento emocionado nas redes sociais:

– “35 anos de parceria, como eu conhecia bem esse cara, sua felicidade, seu mau humor, sua seriedade, suas entregas principalmente sua amizade. Foram muitos perrengues juntos, conheci quem no futuro seria sua esposa dedicada, Kátia Dantas. Depois veio sua filha que veio se juntar a essa família, Maria Clara, a Clarinha pra gente, depois veio Dudinha, Maria Eduarda. Foi uma vida longa com essa parceria que tenho certeza que terá continuidade pois sei que estará em espírito junto conosco, sempre nos inspirando e nos guiando. Obrigado João pela sua amizade, ainda nos veremos. Quero demorar um pouco mais, mas será inevitável. Vá na LUZ meu parceiro, vá em PAZ !”, disse.

Amiga desde os tempos do Alegria, Alegria, a atriz Gorete Barbosa acredita que a morte de João Pinheiro representa a despedida de parte do teatro potiguar:

Vai uma parte da nossa história, da história do teatro. João sempre viveu da arte, a vida inteira foi assim. E mesmo quando trabalhou no teatro Alberto Maranhão, era num equipamento cultural. É uma perda muito grande”, diz Gorete, que recorda dois projetos realizados com João: “Estive com ele no “Brasil, outros 500”, onde fomos bater em Porto Seguro, e o “Natal, 400 anos”. O Xaranga do Riso foi a primeira banda a fazer músicas só para crianças em Natal”, recorda.

A Fundação José Augusto, que tem status de secretaria de Estado da Cultura, divulgou nota lamentando a morte de João Pinheiro:

– “O Rio Grande do Norte perdeu na noite desta quinta-feira um dos grandes atores de rua de sua história. Faleceu João Pinheiro, vítima de um câncer quando realizava um tratamento no Hospital da Liga Contra o Câncer.
A direção da Fundação José Augusto e o corpo dos seus servidores lamenta a perda deste artista que encantou milhares de potiguares durante mais de três décadas, através dos grupos Alegria Alegria, Artes e Traquinagens e Charanga do Riso”
.

Nos últimos anos, João passou a ser conhecido como o Zé da Sorte em razão dos comerciais televisivos do Natal Cap, que estrelava ao lado de Alex Benigno.

João Pinheiro era casado com a artista plástica Kátia Dantas, famosa por criar bonecos gigantes para o carnaval, e deixa quatro filhos.

Em texto assinado pelo repórter Conrado Carlos, o site Substantivo Plural publicou um perfil de João Maria Pinheiro em junho de 2016. Leia aqui

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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