OPINIÃO

Terrorismo

Por escolha própria, a sociedade brasileira assiste tranquila como Bruce Lee uma escalada fascista. O tal do ovo da serpente que tanto se falava já virou uma ninhada inteira de cascavéis. O caso mais recente – pelo menos até o momento que bato essas linhas, porque do jeito que a coisa vai é sempre bom ressaltar – é o ataque à sede da produtora Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro.

Um grupo ainda não identificado jogou uma série de coquetéis molotov no prédio na véspera do Natal, ao que tudo indica um ataque de base fundamentalista religiosa por conta do especial natalino do grupo humorístico publicado na Netflix. Uma típica ação direta e de propaganda, que chegou a ser filmada pelo grupo e divulgada recentemente.

Nas redes sociais irromperam as justas manifestações de solidariedade e defesa da liberdade de expressão. Muita gente respeitável qualifica o ato como terrorismo. Outros tantos se dizem indignados, surpresos pelo suposto ineditismo da ação.

Independentemente da autoria do ato, vale uma reflexão para os mais apressados. Para facilitar, vamos delimitar o tempo em um período bem curto: nos últimos dois anos quantos terreiros de religiões afrobrasileiras foram alvos de ataques violentos? Quantas vezes as forças de segurança agiram contra tal tipo de terrorismo? O que fizeram para impedir grupos como os “traficantes de Cristo”?

Dica para este fim de ano e para todos os outros: olhem sempre para a história que rodeia o povo negro brasileiro antes de dizer que qualquer tipo de violência é inédita ou surpreendente neste país. São mais de 400 anos resistindo. E seguimos aqui, tentando ensinar com a história.

 

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