OPINIÃO

Teto dos gastos, a danação da economia e um povo à deriva

A discussão sobre a retomada do auxílio emergencial, traz à tona o que há de mais grotesco na elite desse país. A trava criada no governo Temer, chamado de “teto dos gastos”, era, desde o começo, um instrumento que condenava o pobre a viver na penúria de forma permanente. O “teto dos gastos” encurralou o setor público, em todas as esferas, limitando sua capacidade de ação e isso já era claríssimo em 2017, 2018 e 2019.

A pandemia escancarou como esse teto é danoso e é bom relembrar que a economia tupiniquim estava estagnada, mesmo antes dos efeitos catastróficos da praga. O governo federal manteve sua fé cega em “ajustar a economia”, que estava caindo em desgraça, e a equipe econômica, comandada por um sujeito simplório e cujo conhecimento parece ter sido fruto de leitura de manuais ultrapassados de economia, se esforçou para não criar um socorro à população atingida pelo novo cenário.

O governo, depois de muita pressão, enviou ao Congresso, uma proposta de R$ 200, que foi aumentada para R$ 500 pelos deputados e chegou aos R$ 600. Essa ajuda, eu diria humanitária, foi implementada com total má vontade, gerando aglomerações absurdas no momento em que a pandemia se espalhava com força no país.

Hoje (27) a Caixa Econômica Federal (CEF) libera a última parcela do auxílio emergencial e o debate sobre sua continuidade já vem acontecendo desde o final do ano e o governo, que vive numa distopia, não leva em conta que 69,0% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial não conseguiram outra fonte de renda nesse período, e não porque são “vagabundos”, mas porque o mercado encolheu e isso é claramente demonstrado pelo singelo fato de 11,5 milhões de brasileiros perderam seus empregos durante a pandemia.

Como a equipe econômica do governo federal não tem um pingo de sensibilidade, vamos lembrar que recentemente o Fundo Monetário Internacional (FMI), mudou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o BraZil em 2020, projeção essa feita em outubro: a economia encolherá 5,8%, menor que os 9,1% projetados em maio do ano passado.

Qualquer bom leitor de indicadores econômicos percebe que os R$ 300 bilhões injetados na economia pelo Auxílio Emergencial fez com que o consumo das famílias tivesse um desempenho positivo, impedindo a bancarrota da economia. A 4E Consultoria estimou que haverá uma queda de 4,9% nas rendas das pessoas, longe da projeção de queda de 12,6%, caso não tivesse ocorrido o auxílio.

Tudo isso poderia indicar para o ministro da Economia, um energúmeno, que a manutenção do auxílio, num momento ímpar, salvaria, inclusive, sua proposta indecorosa de tornar o país um “balcão de serviços” para o mundo, ou seja, parece que o governo que gasta R$ 1,8 bilhões em compras supérfluas, não tem a mesma sensibilidade com os milhões de brasileiros abandonados à própria sorte e com o país retornando ao “mapa da fome” mundial.

A catástrofe social apontada por indicadores do desemprego, com 14,6% de pessoas desempregadas e mais da metade das que tem idade de trabalhar sem encontrar emprego; pelo fato de que 1/3 dos conseguiram manter o emprego, tiveram redução dos seus salários e, por conseguinte, sua capacidade de consumo e com os chamados “informais” mergulhados numa profunda crise e sem perspectivas para o futuro.

A retomada das discussões do Auxílio Emergencial renovou o discurso, do governo, da necessidade de conter os gastos públicos e, valendo-se do “teto de gastos” diz que para aprovar um novo auxílio, que a princípio seria de R$ 300, metade da anterior, teria que reduzir “gastos” com Educação, lembrando que houve novo corte de recursos para a educação, em cerca de 18% já dentro do Orçamento de 2021, e na Segurança, um setor que vem recebendo afagos do mandrião fascista e é um dos suportes do seu (des)governo.

Sem investimentos, que deverão cair 5,5% no ano de 2020, como fazer uma economia em depressão ressurgir? Pelo que o governo diz será através única e exclusivamente pela ação do setor privado, o que é uma piada de muito mau gosto, pois o setor privado está “se virando” sem qualquer apoio governamental, algo que acontece nos países mais desenvolvidos, e os micro, pequenos e médios empresários, a maior parte deles apoiadores do governo, sucumbiram à pandemia.

Triste país que decidiu, pela via eleitoral, mergulhar no inferno social.

 

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