TRANSPARÊNCIA

Tirol lidera entre os bairros com mais mortes por Covid-19 em Natal, mas letalidade maior é na Zona Norte

O bairro de Natal com o maior percentual de mortes por Covid-19 é ocupado por moradores de classe média. O Tirol lidera o ranking com mais de 70 óbitos, um percentual equivalente a 10,78% das vítimas fatais registradas na capital do Estado. O boletim epidemiológico mais recente divulgado pela secretaria de Estado de Saúde Pública aponta 703 mortes em Natal.

Apesar da liderança, os bairros com maior letalidade provocada pelo novo Coronavírus estão localizados na Zona Norte. Igapó e Salinas são as áreas mais críticas e onde, na prática, um paciente diagnosticado com a Covid-19 tem mais chance de morrer. Nesses três bairros a letalidade é de 9,64% e 9,62% respectivamente.

Na sequência aparecem Barro Nordeste (7,94%), Praia do Meio (6,48%), Mãe Luíza (5,14%), Lagoa Seca (5,05%), Santos Reis (5%), Tirol (4,83%), Nossa Senhora da Apresentação 4,78%) e Nova Descoberta (4,21%).

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN Rodrigo Silva explica que a letalidade é calculada observando o total de óbitos de uma determinada região sobre a soma de casos confirmados pela mesma doença. Se o número de óbitos numa localidade é alto e a quantidade de pessoas contaminadas é pequena, significa que a chance de um paciente doente morrer é maior:

“Igapó tem poucos confirmados, mas muitos óbitos, o que eleva a letalidade. É importante observar essa relação. O óbito por si é preocupante, um indicador importante, mas a letalidade nos diz o quão crítica está sendo aquela região”, esclarece.

No ranking de bairros de Natal com mais pessoas contaminadas pelo novo Coronavírus, Igapó é apenas o sétimo, com um percentual de 3,85% no universo de 17.863 pacientes da capital que já testaram positivo para a doença. Por outro lado, embora tenha registrado mais mortes, o número de pessoas contaminadas no Tirol é alto se comparado às demais áreas da cidade, com 8,03% dos casos positivos. Logo, com base nas estatísticas, é possível afirmar que a chance de um paciente se recuperar é maior, o que significa uma letalidade menor.

O fato dos bairros com maior letalidade se concentrarem na Zona Norte reforça o recorte social da Covid-19, na avaliação do secretário-adjunto da Sesap Petrônio Spinelli:

– A doença é mais cruel para quem tem menos possibilidades, recursos. E tem relação a uma maior vulnerabilidade social, acessibilidade, doenças presentes, controle…”, diz.

Internações

Essa relação amparada no recorte social pode ser levada para as internações de pacientes contaminados. O mais recente boletim da Sesap divulgado na quinta-feira (23) informou que 485 pessoas permaneciam ocupando leitos Covid-19 contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas redes pública e privada.

Enquanto 318 pacientes estavam internados em algum dos hospitais públicos das 7 regiões do Estado, 167 ocupavam leitos em hospitais particulares. A taxa de ocupação na rede pública era de 76,97% enquanto, na rede privada, 61% das UTIs e leitos de semi-intensivo contavam com pacientes graves.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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