CULTURA, ENTREVISTA

Titina Medeiros: “É imprescindível a liberdade e lutamos todos os dias por ela”

Anúncios

A seridoense Titina Medeiros vai da esperança à desesperança em um piscar de olhos. É sinal dos tempos, do turbilhão da história. A fé de Titina é a fé de hoje, do agora, do instante. A atriz encerra 2017 mais animada do que nunca. Transformada. Ou melhor, em processo de transformação. Alguém disse uma vez que escolher é perder. Que optar por um caminho é abrir mão de outro. Bom ou ruim ? Sabe-se lá. Só sei que foi assim, diria João Grilo.

Ao anunciar a saída do grupo de teatro Clowns de Shakespeare após seis anos integrada ao elenco, fora as participações como atriz convidada, Titina encerra um ciclo para iniciar outro. Ao concluir em dezembro a primeira temporada do espetáculo Meu Seridó, no qual volta às origens para falar da vida, a atriz se reinicia em voo solo.

Nesta entrevista à agência Saiba Mais, a última de 2017, Titina Medeiros fala de esperança, de fé, de tristezas, de frustrações, do Seridó e do Brasil. E avisa: “estou bem viva”.

 

Para começar, e já que essa é a última entrevista do ano, como 2017 para você ?

Anúncios

Já me fiz essa pergunta. Para mim foi um ano de renovação, de transformação. É como se a gente vivesse fases e eu estou mudando de fase, sabe ? Comecei o ano saindo de uma novela, A lei do Amor, comecei o processo do espetáculo Meu Seridó, uma coisa muito forte na minha vida. É como um carro que me move, me tira de um lugar tacanho, que me arranca e vai puxando, com uma força misteriosa, mítica. Sem o espetáculo eu não iria conseguir me mexer. Eu pedi licença ao meu grupo para fazer um trabalho fora…

 

Mas não chega a ser algo novo, você se licenciava também quando foi convidada para fazer televisão…

Isso, era para fazer televisão, então parecia que eu ia para uma coisa que era do outro. Dessa vez eu pedi permissão para fazer algo que já era meu, o trabalho de teatro, e produção de teatro, fora do âmbito do grupo. E eu nunca havia me colocado no lugar de quem leva o carro, eu estava condicionada ao processo de grupo. Mas de certa forma tenho uma responsabilidade maior agora. Me senti muito fortalecida quando terminou. Foi difícil, eu era uma liderança que às vezes não se colocava como liderança. O próprio processo foi maior do que eu imaginava. Era um solo que virou um espetáculo de 5 atores. A gente estava sempre correndo atrás do tamanho dele…

 

Meu Seridó lhe tirou da zona de conforto ?

Me tirou da zona de conforto. É como se dissessem: é um trabalho dela, não mais do grupo. Dá um medo, mas eu consegui. Deu certo porque tive o apoio de muita gente. Foi um ano de muita revelação, descobri o quanto amada eu sou, porque essas pessoas seguraram na minha mão, recebi tanto carinho… não tenho palavras para agradecer à toda aquela equipe do Meu Seridó: César, Nara, João Marcelino, a produção… está sendo muito bonito. É como se estivéssemos nos preparando para um casamento…

 

É uma nova fase da vida ? 

Olhe… se a vida é cíclica, Meu Seridó faz parte dessa coisa cíclica. Esse desejo de voltar para casa já tinha vindo, mas não era nada muito forte. Quando teve as manifestações contra o golpe, comecei a me encontrar com trabalhadores do MST, a vê-los… e aquilo foi se misturando e me deu vontade de botar uma mochila nas costas e ir embora com aquele povo. Foi me dando vontade de desgarrar, um voo solitário de querer voltar para casa. E fui buscar em Meu Seridó o agrário, a terra. E quem cria esse processo são os de casa, a Nara, o João Marcelino, o Marcílio Amorim… foi impulsionante. O que vem agora ? Não sei, mas estou me sentindo segura. Acho que esse ano termina com essa força. Estou muito realizada. Agora eu quero que ele voe.

 

Qual é o seu Seridó ?

 É um Seridó que é meu, mas de todos que estão lá também. Eu não pedi uma dramaturgia para falar da minha família. Até porque o espetáculo não é sobre só o Seridó do afeto, mas o do machismo, o da desertificação, o do patriarcado. Por isso quando levei o Filipe Miguez (dramaturgo) para lá, não falamos nada, eixamos ele sentir, descobrir. Sou muito realizada com a dramaturgia do Filipe. É tanta coisa para falar que ficou algumas coisas de fora. É uma dramaturgia simples no verbo, mas complexa na construção porque é caleidoscópica… mas é uma dramaturgia popular como a gente queria. O Seridó é uma sociedade que se protege, mas tem todas as questões que o Brasil tem. O Seridó é o meu recorte do Brasil. É muito bom falar daquilo que é tão próprio seu, mas que no fundo você não está falando só de você. Saí com muito mais respeito às questões do Seridó.

 

É um encontro com você mesma ?

É um encontro comigo mesma. Minha avó sempre falava em Thomaz de Araújo Pereira. Aliás, meu nome seria Thomaz de Araújo Pereira porque minha mãe é uma legítima Thomaz de Araújo Pereira, só que tiraram o sobrenome dela. Ela é neta de Maria Isabel de Araújo Pereira, mas colocaram o nome de Maria Isabel Neta. Mas neta de quem ? (risos). Então é legal ter ele na peça, é um 9º avô, mas está lá, é fundador, primeiro governador… o desafio foi falar do Seridó de modo que fosse entendido por todo mundo. O Filipe foi muito feliz, assim como César também foi muito feliz na direção. Sou apaixonada pelo Seridó. É um presente, por isso sou tão agradecida à galera que topou fazer isso comigo. Foi um presente que eles me deram. E é muito lindo saber que é um presente para os seridoenses também. E quero levar para lá, vou fazer as 24 apresentações. Quero fazer o Meu Seridó olhando para uma jurema daquela.

 

Como foi o processo de pesquisa ?

Contamos com uma pessoa incrível, que foi a Leusa Araújo, pesquisadora da Rede Globo, seridoense, filha de pais seridoenses, criada em São Paulo. Conheci Leusa na novela Cheias de Charme, essa mulher foi de uma importância enorme nesse processo… como ela é seridoense de pais seridoenses foi um encontro dela também. Foi uma festa quando ela veio.

 

Por falar em Rede Globo, você terminou sua terceira novela em 2017. Que avaliação você faz da sua trajetória na TV até aqui ?

A vida é muito generosa comigo, mas eu sou medrosa. Agora também se eu for, eu fico porque a vida que me leva. E ela leva com uma força… Como foi uma coisa que apareceu, eu coloquei na frente e fui… acho que tem que ser. Eu tenho medo, mas aceito. Eu só peço permissão ao tempo para entender o meu tempo também. Hoje estou mais tranquila, mas foi preciso muitos processos, terapia… muito doido isso, né ? Eu sou uma atriz, poderia ser muito mais jogada, mas eu não sou tão jogada. São medos que talvez eu tenha que superar. Mas eu nem sei medo de quê. E eu amo fazer TV, mas o fora dela é que talvez eu não consiga… quando estou gravando novela me sinto indo brincar com minhas bonecas em Acari. Mas hoje sou muito agradecida porque acho que é o meu destino e eu tenho que aceitar com amor, alegria, afeto. Mas eu ficava…

 

Com um pé no freio…

Com um pé no freio. Agora não vou dizer que vou tirar o pé do freio, mas já soltei o freio de mão (risos). Estou me sentindo mais livre comigo mesma. Vou fazer uma novela agora do Vila Marin, estou feliz demais.

 

Você sente que a sua ida para a televisão abriu portas para outros artistas do Rio Grande do Norte ?

A gente abriu portas no sentido de que a produtora que está vindo e mirando as pessoas daqui realmente veio através de mim e do César. Ela ligou para nós, disse que estava precisando de atores do Nordeste, isso desde a minissérie Amores Roubados… ali a gente já fez teste. Então de certa forma a gente foi ponte. Aí quando ela ligou já foram o César e o Ênio… e passamos para Marcílio (Amorim, produtor de elenco) porque eu não sou produtora de elenco e Marcílio profissionalizou a coisa. Mas na verdade quem abre as portas são os próprios atores, é o talento deles. A produtora da Globo deve ter olhado para nós e visto que não tinha ator só em Recife e João Pessoa, mas em Natal também. Então, nesse sentido, acho que sim, né?

 

É um momento importante ?

Isso é maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, acho isso maravilhoso. Essa novela que vem agora vai ser linda, terá umas 10 pessoas daqui do Rio Grande do Norte. É bom estar em nível nacional. Ah, eu estou sem vergonha de dizer essas coisas, eu tinha pudor e nem sei por quê. É bom, eu recebo o carinho das pessoas, era um problema mais meu. Quando vejo Khrystal, outros artistas, vibro muito ! É gente nossa que está lá. É mais trabalho, melhora tudo pra gente. Até porque tem muita gente boa. Fico feliz demais, quero contracenar com esse povo lá ! (risos).

 

Você sente que evoluiu da primeira novela Cheias de Charmes para a última A Lei do Amor ?

É complicado falar disso… tem uma questão de lógica de carreira. Primeiro fiz a Socorro, em Cheias de Charme. O segundo papel para o qual fui convidada foi dona Redonda (em Rebu). Talvez seu eu tivesse aceitado o papel de Dona Redonda minha carreira teria ido para outro lugar. Aí depois acho que os personagens não foram tão bons como Socorro, mas eu não tenho problema com isso. Porque me deu tempo de entender o processo da televisão com mais calma. Eram papeis desafiantes porque eram cômicos também. Gostei muito de ter feito Ruth Raquel, ela era engraçada, mas triste. Era uma mulher que não tinha autoestima. Esse que vai vir agora não tem nada a ver, porque não é comédia…

 

O novo espetáculo do grupo Carmim, A invenção do Nordeste, baseado no livro do historiador Durval Muniz Jr., fala do preconceito que o artista nordestino sofre no Sudeste e Sul do país. Você se identificou com o espetáculo ?

Eu não vivi da forma como é colocado na peça do Carmim. Acredito que aquilo exista, mas não passei por isso. Socorro, a primeira personagem que fiz, era uma fábula. Ninguém fala daquele jeito, tanto é que mudava o sotaque. E Cláudia Abreu tem uma genialidade de recriar em cima daquilo sem querer imitar. Já me pediram o contrário, o que não é uma crítica… até porque eu sou atriz. Na última personagem o pedido foi: “não tem sotaque”. Isso também é bom porque não me querem para fazer “a nordestina”. Nem vivi preconceito na televisão. Claro que devem não me chamar para papeis porque sou muito nordestina, mas isso também é normal. A Globo é muito grande, não dá para generalizar, mas no meu núcleo nunca sofri nada.

 

Titina Medeiros conta que nunca se sentiu vítima de preconceito na televisão pelo fato de ser nordestina

 

Que Brasil você enxerga hoje ?

Está muito difícil, mas a gente tem que partir para cima, é guerrilha. Quero fazer as 24 apresentações do Meu Seridó e depois, quem sabe, ir para as 167 cidades do Rio Grande do Norte. Quando comecei no teatro, o grupo Alegria, Alegria fazia espetáculo na rua, estava em todos os lugares, as pessoas até hoje lembram dos artistas. Hoje as pessoas não lembram da gente porque nós não estamos mais nos lugares. Faço essa reflexão para mim. Eu me aburguesei. Como eu faço para sair da zona de conforto ? A gente acaba se aburguesando, começa a ter um pouco mais de condição de vida. Claro que não fui só eu, mas acho que nós nos acomodamos. O teatro do Rio Grande do Norte se acomodou. Mas não é hora de comodismo. Eu não tenho condições de estar na briga política porque minha prioridade é montar peças.

 

Mas montar peças também, de certa forma, não é fazer política ? Você estava na ocupação do Iphan, em 2016….

Estava, mas eu queria estar mais. Eu queria estar lá com os meus amigos protestando pelo teatro Sandoval Wanderley que a prefeitura quer derrubar, mas eu precisei montar Meu Seridó. Isso é muito mais para eu me acalmar, minha vontade é estar mais, sou muito ansiosa. Em Dois Amores e um Bicho foi de certa forma minha guerrilha. Fala da intolerância, da família, que é onde nasce a sociedade, mas fala de amor também. Agora falar do sertão… é fazer o meu teatro, a vontade de estar na rua, de estar na praça, perto das pessoas. Liberdade é a melhor coisa do mundo. Temos que estar perto das pessoas.

 

Vários de seus colegas na Rede Globo se posicionaram contra ou a favor do golpe de 2016. Você fez parte da ocupação do Iphan e também se posiciona. Qual a importância disso ?

É muito natural que os artistas, num momento como esse, tenham essa luz, esse esclarecimento. Temos uma responsabilidade na sociedade, somos seres públicos. Muitos artistas… Caetano demorou a entrar, mas entrou. A democracia nunca foi levada a sério e os artistas estão na frente, lutando por isso, pelo direito de liberdade. Nós prescindimos de liberdade. Lutamos por isso desde a Grécia. Não é fácil, mas estamos lutando. Somos descendentes dos gregos, somos filhos deles, por isso estamos ainda lutando pela democracia, pela igualdade de raça, de gênero. De certa forma estamos no meio dos não aceitos. Por isso pegamos na mão do preto, da mulher, do LGBT… como eu sendo mulher e atriz posso estar cheio de amarras ? Não posso.

 

Para uma parcela mais conservadora da sociedade artista ainda é chamado de vagabundo

O artista provoca uma coisa na sociedade muito maluca. Não é porque a gente quer, mas é da nossa natureza. Do mesmo modo que a sociedade tem respeito, nos escuta, também somos condenados. É muito fácil a pessoa olhar para uma atriz e não saber se ela está dizendo a verdade ou não. É como a mulher da macumba. Estamos no lugar do mistério. Como se dissesse: “respeito, mas tenho medo. Eles podem ser perigosos”. Quando a sociedade pode nos chamar de vagabundos ela vai nos chamar. Não quero generalizar, mas se ela achar que pode, vai nos chamar de vagabundos. A direita mais conservadora… aquilo é muito triste. Nós não somos melhores do que ninguém, mas somos necessários na sociedade. A gente dá cor, faz a cultura, dá música a nós mesmos. Quando estamos contando a história do teatro estamos contando a história de todos nós.

 

Lutar pela democracia hoje não é meio nonsense ?

Eu estou com muita gana para trabalhar, de me embrenhar no mato, de levar meu teatro para tudo quanto é lugar. Mas ao mesmo tempo não tenho muita esperança.

 

A solução é a micropolítica ?

Sou muito intuitiva, de certa forma é na micropolítica o que estou acreditando. Fazer o meu, juntar os amigos, dar acesso às pessoas, fazer uma campanha e juntar gente. Sem a burocracia do teatro. Estou viva, pulsando, tenho que pular, cantar, tenho que fazer. E estou bem viva ainda. Mas no geral, não tenho palpite. Se eu tenho a fé, tenho a fé de hoje. Se você pegar a história do Brasil, Getúlio começa em 30 e termina em 50, uma nação que começou naquele século. Em 1964, vem outro golpe, que vai até 1985. E depois ainda vem Sarney, Collor… todas as coisas esquisitas e vem outro golpe agora… bicho, é muito pouco tempo para ter esperança ! O resquício da escravidão continua vivo, gritando. Por isso o governo Lula foi tão importante para a massa, para a massa artística. O negócio é derrubar o boi na faixa, e valeu o boi.

 

Atriz não se convence dos argumentos usados pela prefeitura de Natal e alguns artistas para derrubarem o teatro Sandoval Wanderley

 

 

Como a prefeitura quer derrubar agora o teatro Sandoval Wanderley ?

É triste, é derrubar mais um boi na faixa. É uma decadência, a falência da gestão. O teatro é uma arte efêmera, então se a gente não guarda as nossas memórias, se esvai no tempo. Os prédios são importantes porque guardam as nossas memórias. Quer saber ? Eu não estou entendendo nada. Tem um discurso que acho tenebroso, que eu escuto dos meus colegas de teatro, que é o fato do teatro não ter estacionamento. Isso é muito sério ! Como assim ? Aburguesamos de vez ? É isso, então ? O teatro é pra burguês ? Só pra burguês ? E o discurso de (Bertold) Brecht ? Em compensação, tem duas paradas de ônibus em frente, que era isso que me deixava segura. Outros dizem: “ah, mas tem camelô na porta”. Minha gente, desde quando camelô é contra o teatro!? Gente, estamos perdendo teatros para shopping e igrejas ! Não tem que derrubar o Sandoval Wanderley. Agora me desculpa, mas não conseguir manter uma teatro daquele !? Que gestão é essa !? Não é um teatro megalomaníaco. Lá funcionava a banda de música, era um espaço de cultura da prefeitura. Usasse ele, mantivesse em pé. Falta vontade, assuma que você não tem vontade. Assuma. A Casa da Ribeira também não tem estacionamento, a Boca também não tem estacionamento. E aí, vai derrubar também ? A rua lateral ao Sandoval, do colégio João Tibúrcio, é muito mais larga que a da Casa da Ribeira. “Ah, é perigoso”. Natal toda é perigosa. Lá no Sandoval é de muito mais fácil o acesso do que à Casa. Tem parada de ônibus na frente para Natal inteira. Me poupe, me poupe. É um desrespeito com a história. Só demonstra que os gestores são fracos, só mostra a falência da gestão. São 8 anos de teatro fechado. Mas aí eu trago a crítica para nós artistas também: onde estamos, onde moramos ?

 

Como foi sua saída Clowns de Shakespeare ?

Fiquei seis anos no grupo, mas trabalhava há mais tempo como atriz convidada. Foi difícil, tenho a ideia de construir o teatro de grupo, é muito lindo isso. Mas a televisão veio, foi me levando, mas aquilo não foi tão bem resolvido em mim… mas eu acho que nesse momento nem foi a televisão que me tirou do grupo, mas a peça Meu Seridó. É difícil fazer esse voo solo, eu estava dentro de um coletivo com pessoas incríveis, mas a vida me impulsiona para outros lugares e eu tenho que seguir. Agradeço demais. E resolvi colocar para a frente a Casa de Zoé, a produtora dos meus trabalhos. Mas não sei muita coisa do futuro. Sei que estou indo.

 

E 2018, o que lhe espera ?

Estou muito animada, muito animada. Vamos retomar no final de janeiro o Meu Seridó, faremos o Cine Seridó e um festival de web série em Currais Novos, em parceria com as meninas do Caboré Audiovisual. Tem novela também. Estou viva e muito feliz.

 

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"