OPINIÃO

Todo Carnaval tem seu fim (e o dos políticos também)

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É certo que começamos o texto deste espaço com o título clichê de uma das músicas mais manjadas (e espezinhadas) da banda carioca Los Hermanos, mas, vamos admitir que a frase é boa para em plena Quarta-feira de Cinzas analisarmos o papel e as particularidades de políticos ao fim da folia momesca.

Comecemos por Natal, capital potiguar. Nela, Álvaro Dias, o prefeito caicoense que caiu de paraquedas na Prefeitura (eleito vice de Carlos Eduardo Alves que renunciou para tentar o Governo do Estado, perdendo para Fátima Bezerra) não fez feio em seu début na folia: Manteve Dácio Galvão da Funcarte e a mesma estrutura de pólos e shows com artistas nacionais. Apostou no que estava dado certo e colheu frutos. Mesmo recebido com uma ou outra vaia e algum silêncio quando subia nos palcos de alguns pólos, de maneira geral saiu-se ileso e bem do seu primeiro carnaval como gestor da Capital.

Onipresente nos palcos, blocos e pólos, ganhou pontos entre os foliões e comerciantes e não fez papel feio nas redes sociais. Sai mais fortalecido da festa para administrar 2019 e sonhar com uma reeleição em 2020.

Quanto à governadora Fátima Bezerra, que não teve ligação direta com as festas, de responsabilidade das prefeituras, também de mostrou onipresente e assim como Álvaro, se saiu bem da festa. Mesmo acometida de virose, conforme divulgado pela assessoria, se mostrou presente em diversos palcos (sempre ao lado de Álvaro, em uma tabelinha que fez bem a ambos) e em blocos diversos. Em alguns palcos e pólos foi amplamente aplaudida. Como a segurança – parte que cabe ao Governo – funcionou durante à festa em todo o estado, Fátima juntou mais pontos ainda para tocar 2019.

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Chegamos então ao presidente Jair Bolsonaro.

Criticado e alvo de chacotas em centenas de blocos em todo o país, ainda teve direito de ser ironizado por escolas de samba nos desfiles de Rio de Janeiro e São Paulo. Até aí, nada demais. Presidentes e políticos sempre foram alvos da verve de foliões e manifestações momescas de rua. Faz parte do carnaval e da Democracia.

O que teve algo de mais, foi a reação de Bolsonaro aos blocos de rua do carnaval no Twitter – em que outra mídia seria? – nesta terça-feira, último dia de folia.

O presidente ou seja lá quem administra a conta dele postou um vídeo de dois homens em cima de uma marquise ou algo do gênero, um rebolando e o outro urinando no cabelo do primeiro. E postou o seguinte texto:

“Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões:”

Em primeiro lugar, se não se sente confortável, por que postou? Acabou dando divulgação a algo que ele considera errado e que não deveria ser visto.

Segundo, colocar o órgão sexual para fora em plena festa e urinar seja em alguém, seja na rua é atentado ao pudor, ou seja, existem leis em relação a isso e os rapazes deveriam sofrer as penas na lei referente ao ato. Simples assim.

Terceiro: Bolsonaro nivelou a um ato isolado, insólito, patético e bem incomum todos os demais blocos de rua que abrilhantaram o Carnaval pelo Brasil, gerando empregos temporários e renda, além de alegria e tradição.

Em suma, temos um presidente com mentalidade infantil-vingativa que não consegue se comunicar de forma positiva sobre uma festa que movimenta milhões (talvez bilhões) de reais em todo o país em uma época de crise,

Para além das marchinhas de carnaval o chamando de “carái” ou sugerindo que ele vá procurar tomate Cru (ou algo assim) , Bolsonaro acabou sendo, na reta final, o grande perdedor do carnaval 2019.

 

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