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Torcidas de futebol antifascismo vão às ruas em SP e no Rio pela democracia

Por Nataly Simões, do Alma Preta

Uma manifestação em defesa de democracia e contra o avanço do fascismo no Brasil reuniu pelo menos 5 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (31).

Ao longo do protesto, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “chega de sistema opressor” e “periferia não apoia ditadura”.

“Temos visto um movimento crescer no país, encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, de uma ameaça de golpe militar. Os partidos não se organizam, então nós que somos o povo nos organizamos e viemos para a rua. O Corinthians é o povo. Estamos aqui para representar mais de 70% da população que é contra a ditadura e a favor da democracia”, diz Chico Malfitani, fundador da Gaviões da Fiel, torcida que organizou o ato e é historicamente envolvida com mobilizações sociais.

Torcedores do Palmeiras e do São Paulo também participaram do ato que contou com a Gaviões da Fiel (Fotos: Pam Santos)

Membros de torcidas do Palmeiras e do São Paulo também participaram do ato e levantaram cartazes com dizeres como “pela vida e pela democracia”. Os organizadores reiteram que a reivindicação era “única” e “imediata”.

“É uma mobilização da sociedade, onde coletivos que têm amor por sociedades esportivas distintas se únem contra o fascismo vigente no país. O repúdio ao nazismo e a intolerância conseguiu unir quem nunca havia andado junto antes”, considera Rodrigo Cardoso, torcedor do Palmeiras e integrante do Coletivo Antifascista.

Os casos de violência policial contra a população negra e da periferia, em especial às mortes de João Pedro Matos, baleado no dia 18 de maio no Rio de Janeiro, e de George Floyd, asfixiado no dia 25 de maio nos EUA, também estavam entre as motivações das pessoas que foram às ruas.

“Eu não quero que meu filho passe pelo que outras crianças negras têm vivido e pelo que nossos antepassados viveram. Estou aqui por mim, pela minha família e pelas próximas gerações”, conta Carlos Vitorino, um dos participantes do ato.

Em razão da pandemia do Covid-19, o novo Coronavírus, os organizadores do ato orientaram que os manifestantes respeitassem as orientações de distanciamento social e usassem máscaras.

Ativista lembra movimento pela luta antirascista (foto: Pam Santos)

Houve, no entanto, um tumulto provocado por manifestantes contrários ao ato pela democracia e que tentaram se aproximar. Esses manifestantes defendiam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional e faziam ofensas aos profissionais de imprensa.

O ato terminou com repressão da Polícia Militar que não poupou o uso de bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes pró democracia.

Torcida do Flamengo ofusca ato bolsonarista em Copacabana

No Rio de Janeiro, torcedores do Flamengo também foram às ruas e ofuscaram o ato bolsonarista que aconteceu na praia de Copacabana. Os rubro-negros levaram faixas com os dizeres “democracia” e “ditadura nunca mais”.

De acordo com informações publicadas pela revista Fórum, a Polícia Militar chegou a fazer um cordão de isolamento para proteger os bolsonaristas. Há relatos de que uma pessoa tenha sido detida e que ela faria parte do coletivo antifascista.

 

 

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