TRABALHO

Trabalhadores dos Correios citam lucro de R$ 2 bi e criticam privatização da Empresa

Nesta quarta-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro e os ministros das Comunicações, Fábio Faria, e da Economia, Paulo Guedes, levaram à Câmara dos Deputados o projeto de entrega dos Correios à iniciativa privada. Venda da estatal brasileira, considerada uma das melhores do mundo no setor, pode encarecer e atrasar entrega de correspondências e produtos, alerta os trabalhadores da empresa.

Incluída desde agosto do ano passado no pacote de privatizações do governo, a proposta de desestatização dos Correios foi preparada pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), e teve seu andamento acelerado depois da chegada do deputado federal Fábio Faria (PSD) ao ministério das Comunicações, em junho. O projeto propõe o fim do monopólio estatal sobre o serviço postal.

A entrega comemorada pelo ministro Fábio Faria, para quem a privatização oferecerá “mais qualidade e modernização ao setor”, foi contestada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios no Rio Grande do Norte. Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira, 25, o Sintect-RN afirma que a “venda dos Correios precarizará o serviço postal, pois não irá garantir a universalização dos serviços postais, do qual o Brasil é signatário na UPU [União Postal Universal]”.

Para os trabalhadores da empresa, a população brasileira tem muito a perder com uma privatização dos Correios e alertam para o risco de desaparecimento de entregas em cidades distantes e pequenas e nos bairros periféricos das grandes cidades. “O que está em jogo não é apenas a venda das empresas públicas, mas, sim, a soberania nacional”, avaliam ao lembrar que o serviço postal universal é uma garantia constitucional no país.

Presente em todos 5.570 municípios brasileiros, os Correios, além de entrega de correspondência e produtos, prestam vários serviços em suas agências, como a emissão, regularização e alteração de CPF; emissão de certificado digital; entrada no seguro por acidente de trânsito (DPVAT); distribuição de kit da TV Digital e pagamento a aposentados de INSS. No Rio Grande do Norte conta ainda com emissão de carteira de identidade.

Empresa é lucrativa

Na defesa dos Correios como empresa estatal, os trabalhadores argumentam a lucratividade, mesmo diante de um cenário de pandemia no país. Nos últimos 4 anos, a empresa registrou consecutivamente lucro líquido, ultrapassando os R$ 2 bilhões de reais.

Para o Sintect-RN, os Correios, como uma empresa estatal, é lucrativo e essencial para o país.  “Temos capilaridade estratégica, garantimos a integração e soberania nacional”, afirma o Sindicato.

“Somos responsáveis pela entrega de materiais e livro didáticos em todas as escolas da rede pública do país. Transportamos as urnas eletrônicas de norte sul para garantir o direito ao voto dos brasileiros. Somos a única empresa capaz de entregar as provas do Enem em duas horas, fazendo a maior e mais rápida operação do mundo em um país com dimensões continentais”, pontuam os trabalhadores em nota.

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