OPINIÃO

Transição bem feita faz Fátima “driblar” clichês, desconfiança e antipetismo

A vitória maiúscula de Fátima Bezerra para o Governo do Estado quebrou diversos paradigmas, como se sabe. Encerrou uma sequência de oligarquias no poder, fez pela primeira vez uma mulher de origem popular ser eleita para o Governo do RN e, de quebra, a petista foi a única mulher eleita para governar um Estado brasileiro.

Não obstante tantos paradigmas quebrados, o cenário não parecia, como ainda não parece, o ideal para um Governo Fátima Bezerra. Terá um Governo Federal explicitamente com má vontade com os governadores de Esquerda. E em âmbito local ainda enfrenta certa desconfiança por parte do eleitorado, demonstrado pelas críticas e ironias nas redes sociais, em parte alimentadas pelo antipetismo.

Contudo, do resultado eleitoral até as vésperas da posse, a 1º de janeiro, Fátima e sua equipe parecem ter acertado em todas as tomadas de decisão. Primeiramente por descer do palanque imediatamente após a vitória, acenando para adversários e não colocando gasolina na fogueira do caos do Governo Robinson Faria. Essa política conciliatória ajudou Robinson a colaborar com a transição.

O segundo acerto foi a divulgação homeopática e nos momentos adequados do secretariado e dos principais nomes do novo Governo. Acerto significativo foi na área se segurança, com a escolha do coronel Araújo para secretário e as escolhas dos comandos da PM e Polícia Civil. 

Um terceiro acerto foi a política de diálogo da Fátima com o setor empresarial. De imediato, reuniões com a Fiern e setores produtivos potiguares. Para divulgação da mídia e efeito narrativo, uma medida acertada. Embora se saiba que a senadora e governadora eleita tem há muitos anos trânsito livre com o empresariado, parte dos usuários de redes sociais insistiam, tanto na campanha como após a eleição, no discurso que “Fátima fará com que empresários potiguares deixem o RN” ou “Com Fátima no poder os empresários vão quebrar”. Dialogar com o setor produtivo e divulgar o fato minimizou o discurso.

Por fim, a divulgação de atitudes que o Governo Fátima pretende tomar, como rigor fiscal e prioridade para colocar a folha de pagamento do funcionalismo em dia. Embora antipáticas a princípio, medidas fiscais e de melhoramento da arrecadação são fundamentais para a saúde financeira do Estado. Ter sensibilidade com os servidores públicos também é essencial. 

Enfim, faltando quatro dias para a posse, Fátima Bezerra conduziu a contento a transição e começará o Governo pegando um Estado quebrado, mas, tendo atenuado os focos de artilharia contra si e sabendo vencer a batalha da narrativa e comunicação, pelo menos até agora. 

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