CIDADANIA

Transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, explica OMS após polêmica

A Organização Mundial da Saúde (OMS) explicou, nesta terça-feira (09), que a transmissão por casos assintomáticos de covid-19 está ocorrendo. “A questão é saber quanto”, disse a entidade internacional que elucidou a fala da chefe do programa de emergências, Maria Van Kerkhove, de que a transmissão do vírus por pacientes sem sintomas da doença parece ser “rara”.

A frase da especialista foi considerada ambígua e tirada de contexto por defensores do fim do isolamento social. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, usou a declaração para pedir a “reabertura mais rápida” das atividades econômicas e criticou o “pânico pregado por parte da grande mídia”. Mesmo com a curva de contágio pelo coronavírus ainda em alta, colocando o Brasil como epicentro da pandemia.

Ao analisar o tema da propagação do vírus, nesta segunda-feira (08), Maria Van Kerkhove citava países com grande capacidade de testagem e rastreio. Além disso, em alguns casos, quando uma segunda análise dos supostos casos assintomáticas é feita, descobre-se que os pacientes tiveram, na verdade, leves sintomas da infecção.

A médica considera que foi mal interpretada e deu uma entrevista especial sobre o assunto nesta terça. “Acho importante esclarecer alguns mal-entendidos sobre minha fala de ontem. O que sabemos sobre transmissão é que, [das] pessoas que estão infectadas com Covid-19, muitas desenvolvem sintomas. Mas muitas não. A maior parte da transmissão conhecida vem de pessoas que apresentam sintomas do vírus e passam para outras através de gotículas infectadas. Mas há um subgrupo de pessoas que não desenvolvem sintomas. E, para entender verdadeiramente esse grupo, não temos uma resposta concreta ainda. Há estimativas de que o número gire entre 6% a 41% da população. Mas sabemos que pessoas que não têm sintomas podem transmitir o vírus”, reiterou.

A médica fez questão, ainda, de frisar que há diferenças entre “pré-sintomáticos” – aqueles indivíduos que foram infectados, mas que ainda estão na fase de incubação do vírus – e “assintomáticos” – os indivíduos que, apesar de infectados por um período mais longo de tempo, não desenvolveram nenhum sintoma clássico da doença.

Segundo Mike Ryan, médico epidemiologista especializado em doenças infecciosas e diretor executivo do Programa de Emergências da OMS, há um foco em ações práticas que diminuam os números de mortos e infectados por covid-19 em escala global. “Estamos tentando entender o que impulsiona a transmissão comunitária. Queremos salvar vidas. Quando damos conselhos sobre estratégias amplas de como controlar a doença, estamos focando em identificar os casos, acompanhar a trajetória [da infecção], testar esses casos e garantir que haja quarentena”, explicou.

O médico voltou a assegurar o entendimento da questão que, segundo a OMS, foi publicada por veículos de todo o mundo e gerou controvérsias sobre o papel do isolamento social e da quarentena. “Qualquer que seja a proporção de transmissão a partir de indivíduos assintomáticos, e esse número é desconhecido, ela está ocorrendo. Estamos convencidos disso. A questão é o quanto”, disse.

Com informações da Agência Brasil

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo