ENTREVISTA

Transporte público: especialista aponta que Natal precisa realizar licitação, não apenas formular nova rede

Até 25 de outubro é possível deixar opiniões sobre a Nova Rede de Transporte Público de Natal, elaborada pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU). Para o bacharel em Gestão de Políticas Públicas e mestre em estudos urbanos e regionais Gabs Baesse, essa consulta deveria ter sido feita antes e o ideal é a realização da licitação dos transportes. Ele foi o entrevista desta sexta-feira (1º) no Programa Balbúrdia.

A proposta do Executivo municipal surge depois de reduzir número de carros e suspender linhas na pandemia sem retorno após a flexibilização das medidas e consequente aumento do fluxo de passageiros. Em setembro, um grupo de, aproximadamente, 50 pessoas ocupou a sede da STTU, pedindo a volta das linhas.

Desde o início da pandemia, 20 linhas de ônibus foram suspensas na capital potiguar: 01A, 01B, 12-14, 13, 18, 20, 23-69, 30A, 31A, 34, 41B, 44, 48, 57, 65, 66, 81, 587, 588 e 592. Também caçou em agosto deste ano o Termo de Permissionário de 47 linhas do transporte alternativo da capital.

Além desse prejuízo à população, Baesse lembra que a rota do transporte público é da década de 1990 com algumas adaptações. De acordo com o especialista em mobilidade urbana, somente em 2013 aconteceu a primeira tentativa e uma constante de licitações desertas.

“A licitação é uma garantia desse serviço. Ela faz com que você tenha regras claras do que é esperado que essa empresa vá fazer, como serão as linhas”, explica, detalhando que não é apenas o processo legal de contratação de empresas que garante o melhoramento do serviço.

Gabs destaca outros aspectos, como um plano de mobilidade urbana que não foi concluído em Natal e é uma ferramenta prevista na lei federal Nº 2.587.

É preciso que exista “um estudo que entenda a dinâmica da cidade”, aponta, ao comparar a área urbana com um organismo vivo: “O transporte público é como as veias que pulsam na cidade e permitem que o sangue circule por ela, permitindo que as pessoas acessem os diversos serviços da cidade, como saúde, educação, trabalho”.

Gabs Baesse também alerta que o deslocamento não motorizado deve ser prioridade no plano e na gestão pública. “Existe a necessidade de garantir que as pessoas tenham calçadas e possam caminhar; que se desloquem por bicicleta. E depois o transporte público, que é a outra base que tem que ser prioridade para a mobilidade urbana, principalmente com relação ao transporte motorizado individual, o carro e a moto”.

Confira entrevista completa:

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais