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UFRN conclui digitalização do Diário de Natal até 2020; parte do Novo Jornal já está no ar

Parte expressiva da história contemporânea do Rio Grande do Norte contada pelas páginas de dois importantes jornais impressos do Estado começou a ser disponibilizada para consulta pública pela UFRN. Somando o tempo de vida do Diário de Natal e do Novo Jornal, cujos acervos passam à responsabilidade da universidade federal, são 81 anos de jornalismo dedicados à sociedade potiguar.

Nesta segunda-feira (18), em solenidade na reitoria, o jornalista Cassiano Arruda Câmara fez a doação integral do acervo do Novo Jornal, fundado por ele em novembro de 2009 e que permaneceu ativo por oito anos consecutivos, até dezembro de 2017.

Já o Diário de Natal permanece na UFRN por tempo determinado. Um termo de comodato assinado pela universidade com a Editora Diários Associados S/A em 2013 prevê a digitalização do acervo e acesso livre para consulta pública. Fundado em 1939, o Diário de Natal seguiu até outubro de 2012. O material está guardado e mal conservado numa sala do Museu Câmara Cascudo há cinco anos e só agora passará pelo trabalho de digitalização.

Novo Jornal

Os oito anos de edições do Novo Jornal foram entregues em formato digital e em papel. O acervo já está sob a guarda do Laboratório de Conservação e Restauração do Departamento de História (Labre). As edições de novembro e dezembro de 2009, além dos jornais produzidos entre janeiro e agosto de 2011 já estão disponíveis para consulta pública. Acesse aqui.

Para facilitar o acesso às informações do jornal, a equipe do Labre coordenada pelo professor Haroldo Barbosa vem organizando os arquivos de modo a que cada exemplar do jornal corresponda a um único arquivo em formato pdf pesquisável. Barbosa elogiou as condições do acervo:

– Trata-se de uma acervo em excelente condição, já encadernado. A versão digital do acervo já está sendo disponibilizado para acesso público no repositório do LABIM, Laboratório de Imagens Esperamos que nos próximos meses possamos estar com todo acervo online. Caso alguém precise ter acesso ao acervo em suporte papel (jornal impresso) é só procurar o LABRE, que fica no CCHLA para consultar.

Cassiano Arruda fundou o Novo Jornal e trabalhou quase 40 anos no Diário de Natal. (crédito: Cícero Oliveira)

Durante a solenidade que marcou a doação do acervo a UFRN, Cassiano Arruda se disse emocionado:

– O Novo Jornal significou a realização de um sonho e, do ponto de vista jornalístico, foi o retrato da transição do jornal impresso para a internet

Diário de Natal

A situação do arquivo do Diário de Natal é bem diferente. O material ocupa atualmente uma sala de aproximadamente 100 metros quadrados no Museu Câmara Cascudo. Além da coleção impressa do Diário e do jornal O Poti, outros impressos e dezenas de caixas com aproximadamente seis milhões de fotografias e filmes (registros dos fotojornalistas que passaram pelo jornal) também integram o acervo. O professor Haroldo Babosa explicou que a restauração do acervo completo vai levar vários anos para ser concluído:

– Este acervo em suporte papel está acondicionado de forma precária e seu estado de conservação não é uniforme. Temos períodos em que o jornais estão encadernados por mês/ano, temos jornais acondicionados em caixas de papelão sem identificação, temos caixas de papelão com jornais em avançado estado de deterioração. O tratamento deste acervo requer tempo, espaço, pessoal e financiamento, pois precisamos fazer o diagnóstico completo para dividirmos os trabalhos de restauração, higienização e digitalização. Os materiais para o trabalho de restauração e os equipamentos necessários para a execução das etapas posteriores do trabalho estão sendo adquiridos neste momento. Como são materiais e equipamentos, em alguns casos importados, isso leva um tempo e envolve todo um processo burocrático que nós fogem todas as etapas.

Uma das edições históricas do DN: na capa, o velório do filho de Luiz Maria Alves, diretor do jornal

Apesar das dificuldades no manuseio do acervo de papel, a equipe de Haroldo Barbosa trabalha para disponibilizar o Diário em formato digital em até dois anos. O trabalho, porém, não é simples em razão da degradação também dos microfilmes armazenados em más condições.

O historiador afirmou que, se houver necessidade, diante da má conservação do material, vai buscar edições já disponibilizadas pelo arquivo da Hemeroteca Digital, ligada à Biblioteca Nacional, que já disponibiliza para consulta pública as edições do Diário de Natal de 1957 até 1989.

– Temos a acervo dos microfilmes (em degradação pela falta de condições adequadas de guarda) que são nossa estratégia mais imediata. O Termo de Comodato assinado entre a UFRN e a Editora Diários Associados S/A, estabelece que a UFRN fará a recuperação do acervo de modo a disponibilizarmos enquanto fonte de pesquisa, seja acadêmica ou de interesse social. Em razão disso, estaremos com uma equipe realizando o trabalho de digitalização dos microfilmes. O LABIM já tem uma máquina digitalizadora e estamos comprando mais uma. Nossa perspectiva é termos a totalidade deste acervo digitalizado em dois anos. (Iremos buscar na Biblioteca Nacional o que estiver faltando ou deteriorado).

 

Preservação do acervo do Diário de Natal vai custar R$ 1,2 milhão

Haroldo lembra que quando a empresa Diários Associados S/A entrou em falência, o acervo estava sendo negociado com a Fundação Joaquim Nabuco, em Pernambuco. No entanto, a UFRN aceitou guardar o material após intervenção da promotoria do Meio Ambiente e do Patrimônio Público.

– De lá para cá estamos procurando meios de viabilizar o trabalho com o acervo. Somente agora nos últimos meses é que soubemos que parlamentares do RN direcionaram recursos através de emendas impositivas ao Orçamento da União. São estes recursos que estão sendo utilizados na compra de materiais e equipamentos, e também irão compor o financiamento para o custeio do projeto, especialmente no que tange ao pagamento de bolsas para que possamos envolver os alunos no aprendizado e realização do trabalho.

Destinaram emendas, no valor total de R$ 1,2 milhão, para a preservação do Diário de Natal os senadores Fátima Bezerra (PT), Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM), além dos deputados federais Rafael Motta (PSB), Rogério Marinho (PSDB) e Zenaide Maia (PHS).

O montante usado na execução do plano de trabalho inclui a compra de equipamentos, material e mão de obra para atuar na restauração e preservação do acervo do Diário de Natal. Desse montante, R$ 700 mil serão destinados para a compra de materiais e equipamentos; e R$ 500 mil para o pagamento de 20 bolsistas que trabalharão no projeto.

A previsão de dois anos é somente para a digitalização dos microfilmes. Já o acesso ao acervo de papel vai demorar bem mais.

– O trabalho com o acervo em suporte papel levará bem mais que dois anos, pois trata-se de algo extremamente meticuloso e demorado. O fato importante decorrente destes acervos jornalísticos que chegam a UFRN é que desencadeamos um processo de discussão sobre a necessidade de criarmos um Centro de Documentação Histórica do RN. Algo que a UFRN se propõem em conjunto com a sociedade potiguar, a fim de preservarmos e darmos acesso a tantos acervos que hoje se encontram em condições precárias e em esquecimento. 

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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