OPINIÃO

Um (des)governo e um partido que são bombas-relógio

Quando o Governo Bolsonaro começou, no início deste ano, esperávamos todos uma certa truculência e um viés autoritário. Expectativas concretizadas, com uma política ostensiva e explícita de desmonte dos aparatos democráticos e privação de direitos. O que não esperávamos era que a parte liberal-técnica do Governo fosse tão atrapalhada e amadora e que o partido de aluguel do presidente, digamos, o PSL, fosse implodir antes mesmo das eleições de 2020.

O “homem do mercado” Paulo Guedes vem se mostrando incapaz de reerguer a Economia ainda que minimamente. Não apresenta propostas concretas a não ser a Reforma da Previdência como solução mágica e utópica para tudo. Pouco político, como seu patrão, vocifera e chantageia a torto e a direito. Mas, ainda assim, está dentro de um scrit relativamente razoável para um (des)governo como se anunciava.

A surpresa veio do pessoal do PSL. Partido nanico tornado forte oportunamente na campanha devido a filiação de Bolsonaro, é presidido por Luciano Bivar, velho conhecido de quem acompanha futebol por ser manda-chuva do Sport Recife. Tipo de pessoa da qual eu não compraria um carro usado. Mas, enfim, capitaneou o projeto bem sucedido de servir de legenda para o presidente que se elegeu e de quebra elegeu a segunda maior bancada da Câmara Federal, atrás apenas do PT e por dois parlamentares. Tudo indicava que Bolsonaro teria certa tranquilidade na Câmara com uma base forte no PSL mais o Centrão sempre indo para o lado que dá mais e gente do PSDB em sintonia com a Direita. Enfim, em termos de partido no Congresso não teria como dar errado.

Isto é, teria sim, quando olhássemos com atenção para os nomes envolvidos. Uma bancada imensa e bem votada, mas sem políticos orgânicos, sem uma base pré-partidária (sindical, acadêmica, comunitária), um amontoado de criaturas que pareciam saídas de um filme B americano: um ex-ator pornô, uma jornalista conhecida e processada por dezenas de plágios, um major escandaloso, um delegado que dá entrevistas surreais, e principalmente, os três filhotes do presidentes, eternos “garotos” mimados e vistos pelo pai como príncipes.

Não tinha como dar certo. E não está dando.

De meses para cá, o partido entrou em rota quase diária de auto-implosão. Primeiro foi Alexandre Frota que brigou com todo mundo e saiu rumo ao PSDB, hoje é mais crítico a Bolsonaro do que petistas e psolistas.

Logo depois Joice Hasselman e Eduardo Bolsonaro trocaram farpas pelo Twitter e pela imprensa devido á intenção dela de ser candidata á prefeita de São Paulo e a insistência dele em mandar no partido em solo paulistano.

Mas nesta semana, o partido endoidou de vez. No Twitter, o sempre explosivo Carlos Bolsonaro chamou o senador Major Olimpio de “canalha”. “cadela no cio” e “bobo da Corte”. O senador retrucou: “Moleque”, e ameaçou processar Carlos e pediu que Jair Bolsonaro interne o filho numa clínica psiquiátrica, opinião que quem está no Twitter tem há muito tempo.

Mas o detonador da boma-relógio atende pelo nome de Luciano Bivar, sim, o presidente do apanhado, digo, do partido.

Dias depois do atrito público entre o presidente Bolsonaro e membros do partido (incluindo Bivar), a Policia Federal bateu na casa de Bivar apreendendo computadores e documentos. Como já se disse nas redesm não que Bivar seja santo, muito, mas, muito pelo contrário mesmo. Mas, a operação da PF (subordinada a Moro, atual capacho de Bolsonaro do que propriamente ministro da Justiça)  soou suspeita até para quem odeia Bivar.

Para completar o novelão, o líder do PSL na Câmara, delegado Waldir, disse que o senador Flávio Bolsonaro, também do PSL, mas, do Rio, e o seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, “devem preparar um cafezinho para receber a Polícia Federal em breve”.

“Se o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o presidente do PSL, Luciano Bivar, já foram alvos da PF, e que pela lógica os próximos devem ser Flávio e Queiroz”, disparou Waldir.

Nos intramuros da política, comenta-se que Bivar não tem o perfil de assumir culpa sozinho. Se cair a casa dele, cai a casa de muita gente.

Será por isso que a hastag #TicTacBolsonaro está nos trending topics do Twitter?

Lembrando que o escândalo das candidaturas”laranjas” do PSL tem potencial para respingar em Bolsonaro. Politicamente falando, Bolsonaro deveria fazer qualquer coisa, atualmente, menos se atritar com o PFL.

O PSL se tornou uma bomba-relógio prestes a explodir. Dia desses eu comentava que o partido não chegaria inteiro à eleição de 2020. Com os acontecimentos da semana, vejo que se muita gente da sigla (incluindo o presidente) mantiverem os cargos e continuarem fora das grades, possivelmente já estarão no lucro. Explosão à vista. Bum!!!

 

 

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