OPINIÃO

Um filme de comédia sombria chamado “Brazil”

A podridão do governo fascista mostra que sua suposta “moralidade”, mais do que uma deslavada mentira, serviu para engabelar milhões de pessoas que deram seu voto a ele, e coloca os que o ainda o apoiam, no caminho da canalhice pura e simples.

O Mandrião está surtado, soltando palavrões e palavrórios dia após dia, entremeando ataques de raiva e de “bufão machão”, quando se apresenta nas ridículas “motociatas”, uma espécie de pesadelo grotesco, inventando pela extrema-direita brasileira, que assume o primeiro lugar do mundo, como o mais patético grupo extremista.

Nosso fundo do poço é cavado todos os dias e devemos isso ao Mandrião, pois vemos um governo que negociou com a vida das pessoas, fazendo, ao que tudo indica, negociatas para obter fortunas, superfaturando preço de vacinas e fazendo chantagens, condicionando a assinatura de contratos a um “pedágio” que certamente encherias as burras da milícia e da gangue que está instalada no Planalto.

Quanto mais se mexe no governo, mais se encontra malfeitos e vê-se que a república não foi apenas sequestrada por essa horda medieval, foi roubada e vilipendiada, e sua estrutura foi transformada num balcão de negócios de quinta categoria.

O fato é que Bolsonaro nunca foi um campeão da moralidade e muito menos trilhou caminhos minimamente éticos. Sempre foi uma figura sombria, vivendo de discursos que ninguém ouvia e, por conseguinte, ao apoderar-se de um poderoso aparelho burocrático, colocou seus asseclas para deformarem deliberadamente a estrutura estatal.

Nesses dois anos e meio de governo, o que se viu foi uma chusma desqualificada trabalhar dia e noite para destruírem todas as políticas públicas existentes até então; dilapidar o patrimônio público, com vendas de ativos estatais despudoradas; enxovalhamento das políticas sociais, todas elas descontinuadas e mais uma série de ações e decisões que simplesmente levaram o país para o passado e, pela primeira vez na nossa história, desde o Império, nos tornamos pária da humanidade, a ponto de sermos considerados “cemitério do mundo”.

As negociatas não foram inventadas no governo Bolsonaro. Elas acompanham nossa história e basta citar o exemplo do primeiro-ministro Pimenta Bueno, o Visconde de São Vicente, que, ao se tornar chefe de gabinete, em setembro de 1871, fez seu primeiro pedido ao Imperador, solicitando que este apoiasse o Barão de Mauá, seu amigo, que estava em choque com o governo uruguaio. Num país que se formou a partir de relações patrimonialistas, servilismo, nepotismo e praticamente sem órgãos de controle social, não causa surpresa que Bolsonaro apenas se acomodasse à situação secular.

Mas não foi só isso. O Mandrião foi além, pois introduziu a “república das milícias”, cujos expoentes dão seus filhos e agregados, que foram devidamente espalhados pelo aparelho burocrático, com cada um deles realizando a tarefa de “reconstruir” o BraZil à imagem e semelhança de um patético capitão, expulso do exército e que desenvolveu um profundo ódio pela civilização.

As denúncias, que emergem a cada dia, e as manifestações, marcadas para o próximo sábado (3), certamente provocarão a ira do presidente e veremos, certamente, mais chiliques transtornados, mas os fatos parecem não perdoar essa patética figura.

Tudo isso poderia se tornar um bom roteiro para uma comédia pastelão, mas depois de 515 mil mortos e milhares de sequelados, parece que estamos, ainda, num filme de terror.

 

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