OPINIÃO

Um presidente do caralho!

Bem, se você se chocou com o título da coluna, era exatamente essa a minha intenção. Bem feio usar esse termo chulo para intitular um artigo, assim como é feio utilizá-lo verbal ou de maneira escrita para qualquer fim.

De qualquer maneira, usei deste artifício para ilustrar que li esta palavra nas manchetes dos principais portais e jornais do país nesta semana, graças ao despresidente da República naquele famigerado almoço com empresários. Dúvidas? Vamos lá:

Doria é “vagabundo, caralho”, disse Bolsonaro (Manchete da Folha de SP e do UOL)

Bolsonaro em seu discurso disse “O governador de vocês é um vagabundo, caralho”. (O Globo)

“O governador de vocês é um vagabundo, caralho”, afirmou Bolsonaro durante discurso, segundo convidados (IG)

Enfim, a imprensa cansou dos asteriscos, de grafar “C****” como era usual e resolveu, como eu fiz, embarcar do linguajar cotidiano do despresidente. Quem votou nele e o apoia deve gostar do vocabulário de boteco de baixo meretrício, como já escreveu Ruy Castro. Espantoso que evangélicos, católicos e conservadores tenham naturalizado uma autoridade se exprimir com palavrões e termos chulos quase sempre, mas, enfim, é o que temos para hoje.

Também me espanta que os empresários mais ricos do país tenham rido e se divertido com a frase. A gente aqui embaixo sempre pensa que os milionários são finos e elegantes. Nada. Parte desse pessoal vive também como se estivesse em um boteco cercado de bêbados e usa e gosta de linguagem correspondente. Na verdade, minto, esse comportamento dos empresários nem me espanta mais.

Bolsonaro desde que assumiu quebrou todos os protocolos e liturgias do cargo que ocupa. Seus apoiadores fanáticos garantem que é autenticidade. Minha saudosa mãe diria que é falta de educação e grosseria mesmo. Que no caso do clã é hereditário. Eduardo Bolsonaro, deputado federal que atende pelo jocoso apelido de “Bananinha”, em fala na Cãmara tratou as mulheres como “portadoras de vaginas”. No caso, não teve termo chulo, e sim técnico, mas a intenção de agredir foi a mesma. Reduziu as mulheres ao órgão sexual, prática constante no bolsonarismo.

Mas, voltemos ao caralho. Uma pena a autoridade máxima do país ter normalizado, em jantares, reuniões ministeriais, mídia, a palavra chula.  A expressão atende um estudo aprofundado de semiótica, pode refletir desde ofensa ou interjeição (caso da frase singela do despresidente) ou mesmo elogio. No caso de afirmar que alguém é “do caralho” trata-se de um elogio.

Portanto, que se corrija o título do meu texto, posto que Bolsonaro não é um presidente do caralho, ainda que ele use tanto o termo e com tanto gosto. A bem da verdade mesmo, Bolsonaro, presidente do caralho mesmo era Lula. Que sempre falou a linguagem popular sem recorrer a palavrões.

 

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