OPINIÃO

Um sociopata em Nova York

A bela cidade estadunidense de Nova York, na qual nunca fui mas que, como todo mundo, é como se conhecesse, de tanto que ela está presente em nosso imaginário, é cenário de centenas de filmes, muitos deles que levam o nome da cidade no título como o caso da célebre e impagável comédia com Eddie Murphy “Um príncipe em Nova York”, a comédia “Esqueceram de Mim 2, Perdido em Nova York” ou  “Gangues de Nova York”, filmaço de Martins Scorsese, morador da cidade e que a celebra em muitos dos seus filmes como Woody Allen.

Contudo, a atualidade (sem príncipes, mas com gangues, se me permitem) nos faz lembrar de outra classe de filmes, aquela na qual uma pessoa simplória, idiota mesmo, chega à cidade grande e se mete em confusões e é ridicularizada por todos, como na deliciosa comédia sobre as férias de Mr Bean nos Estados Unidos. Na verdade, nós, brasileiros estamos vivenciando um filme na qual um imbecil limítrofe se vê perdido na cosmopolita Nova York, achando, claro, que está abafando, como está sendo alvo de piadas e chacotas.

O imbecil em questão, bem longe das comédias e numa realidade que nos está sendo bem dolorosa, atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, aquele que foi eleito em 2018 graças ao antipetismo incorporado pela grande mídia e pelo golpe parlamentar-jurídico que afastou uma presidenta honesta e prendeu o líder nas pesquisas à época. Bem, passado à parte o que temos no presidente é o não-vacinado Bolsonaro em NY para abrir com discurso Congresso da ONU.

Como é de praxe, Jair e seu exército Brancaleone já “chegaram chegando” como dizem os jovens. Sem comprovante de vacinação, Bolsonaro e seus desministros não puderam entrar em nenhum restaurante, pela lei em vigor na cidade, e tiveram de almoçar pizza em pé numa calçada, o que pareceu ideal para a claque e os marqueteiros do bolsonarismo venderem a ideia da humildade do Messias. Como se soubéssemos dos milhões gastos em segredo no cartão corporativo e das mansões compradas á vista,

Em seguida conseguiram jantar em um “puxadinho” improvisado numa churrascaria brasileira em NY, mas aí a claque não comentou a conta de 250 reais por prato/cabeça. Mas vinha mais: em encontro com Boris Johnson, bem mal visto no Reino Unido e na Europa pelas excentricidades e pela má gestão inicial da pandemia, Bolsonaro levou um “pito”, já que Johnson, que perto de jair parece um estadista a la Churchill, aconselhou por várias vezes que o brasileiro tomasse a vacina pois elas “salvam vidas”. Nem mesmo com o britânico dizendo o óbvio da maneira que um pai falaria para um filho com problemas cognitivos, Jair saiu de seu mundo paralelo.

Até agora na trupe em Nova York nenhuma informação de encontro político ou comercial, de conquistas para o país, de estratégias, de tratados, Nada, como sempre. Bolsonaro não governa, só faz campanha e da maneira tresloucada e canalha dele. Mas, a vergonha maior será nesta terça, quando caberá a Jair o discurso da abertura da assembléia. Sabemos que ele falará as bobagens de sempre para manter seus apoiadores instigados. Ou seja, jair não falará para Biden e os demais líderes mundiais, mas para os 25% que ainda o apoiam e vão ouvir suas barbaridades no cercadinho. Vamos ver se Bolsonaro falará sobre os quase 600 mil mortos por Covid ou pelas suas tentativas quase semanais de insinuar golpe e fechar o STF. Fosse um filme, essa triste jornada do miliciano e seus asseclas, teria um nome: “Um sociopata em Nova York”. A gente até riria – de nervoso – mas não seria uma comédia. Há anos o Brasil é um filme de terror.

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