CIDADANIA

Universidades no RN se pronunciam sobre casos de fraude em cotas raciais

Em meio às manifestações contra o racismo nos últimos dias, no Brasil e no mundo, perfis passaram a denunciar, no twitter, supostas fraudes em cotas raciais em instituições de ensino superior que usam o sistema de cotas nos processos seletivos.

Os perfis publicam o nome do aprovado por meio da ação afirmativa e uma foto da pessoa que teria cometido alguma irregularidade. Já foram expostas dezenas de supostos casos de fraude em cursos como Direito, Medicina, Odontologia, entre outros em universidades todo o país.

O Rio Grande do Norte não ficou de fora das denúncias e por isso, UFRN e UFERSA se prounnciaram sobre o assunto por meio de nota:

“Adotamos a política de ações afirmativas baseada na reserva de vagas definida pela legislação atual. Conforme o Edital de Ingresso na Graduação por meio do SiSU, a qualquer tempo, em caso de denúncia contra a utilização das ações afirmativas, o candidato ou estudante pode ser submetido à avaliação por banca de heteroidentificação, respeitando o devido processo legal. Informamos ainda que as denúncias podem ser oficializadas a partir de nossa Ouvidoria, neste link: http://ouvidoria.ufrn.br“, disse a UFRN.

Já a UFERSA subscreveu a nota da Andifes, que repudia as fraudes no sistema de cotas:

Em tempo, a UFERSA ressalta que a política de cotas é uma conquista para atenuar as desigualdades históricas responsáveis pelo distanciamento da população negra nas Universidades, por isso, reafirma seu empenho na luta contra a erradicação da discriminação racial e repudia qualquer tentativa de trapacear as formas de ingresso à Instituição por meio das cotas, sobremaneira às cotas étnico-racial“, disse a instituição.

A única universidade do estado que possui um sistema de verificação as ações afirmativas é a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, que instituiu a Comissão de Heteroidentificação. A comissão entrevistou 730 candidatos que se declararam pretos, pardos ou indígenas para avaliar características físicas.

Defesa das cotas 

Com a repercussão de diversos casos de possíveis fraudes, o Coletivo de Juventude Negra do Rio Grande do Norte, Enegrecer, criou um manifesto em defesa das cotas raciais. O coletivo reivindica a implementação de uma comissão verificadora de cotas nas unidades federais do Estado.

“Uma das principais políticas de reparação pautada pelo Movimento Negro foi a Política de Cotas Raciais no Ingresso em Universidades, para que as negras e negros tivessem acesso ao mínimo que a abolição não garantiu: a educação. De lá para cá, percebemos um avanço significativo na presença da juventude negra nas cadeiras das universidades públicas e privadas brasileiras. Contudo, percebemos também que o número de pessoas negras nos cursos mais elitizados da UFRN e da UFERSA, como Medicina, Psicologia, Engenharias, continua muito baixo”, diz a nota do coletivo de juventude negra.

O manifesto pode pode ser acessado e assinado aqui.

Negros ainda são sub-representados nas universidades públicas brasileiras, compondo 50,3% dos alunos, apesar de corresponderem a 55,8% da população, segundo dados do IBGE em 2018.

Um levantamento do Estadão, também de 2018, aponta que das 63 federais no país, 53 responderam a processos administrativos de denúncias de fraude na política de cotas. No total, há 595 estudantes investigados em 21 instituições de ensino. A maioria já teve a matrícula indeferida, mas parte conseguiu retornar aos estudos por liminares, contrariando as decisões administrativas.

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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